O Arsenal está cada vez mais perto de encerrar uma espera que já dura mais de duas décadas. Depois de temporadas batendo na trave, os Gunners finalmente caminham para conquistar novamente a Premier League e colocar fim ao enorme jejum sem títulos nacionais.
A equipe comandada por Mikel Arteta lidera a reta final do campeonato e vê o sonho do troféu ficar extremamente próximo após uma sequência decisiva de resultados positivos.
Depois de terminar três temporadas seguidas na segunda colocação, muitos torcedores começaram a questionar se Arteta realmente conseguiria dar o passo final necessário para transformar o Arsenal em campeão novamente.
As dúvidas cresceram ainda mais após a derrota para o Manchester City em abril, em um jogo que parecia simbolizar mais uma vez a força mental da equipe de Pep Guardiola nos momentos decisivos.
Mas o cenário mudou rapidamente. Enquanto o Arsenal venceu suas partidas seguintes, o City tropeçou em um empate eletrizante contra o Everton e devolveu o controle da corrida pelo título para os londrinos.
Agora, faltando poucos jogos para o fim da temporada, o Emirates Stadium já começa a respirar clima de conquista histórica.
Arteta muda Arsenal mesmo sem encantar todos
Apesar da proximidade do título, existe um debate muito forte envolvendo o estilo de jogo utilizado pelo Arsenal nesta temporada. Para muitos torcedores e analistas ingleses, os Gunners podem se tornar um dos campeões menos “vistosos” da história recente da Premier League.
Mas internamente isso pouco importa. O objetivo principal sempre foi voltar a vencer.
Arteta encontrou um caminho extremamente eficiente para recolocar o Arsenal no topo, mesmo que isso não agrade completamente quem prefere um futebol mais ofensivo e dominante em jogadas trabalhadas.
Grande parte dessa transformação passa pelo impressionante aproveitamento da equipe nas bolas paradas. O Arsenal virou praticamente uma referência nesse tipo de situação e transformou escanteios em uma arma quase imparável.
Nas últimas temporadas, nenhum clube inglês conseguiu se aproximar da eficiência apresentada pelos Gunners nesse fundamento. O trabalho desenvolvido pela comissão técnica, especialmente pelo especialista em bolas paradas Nicolas Jover, mudou completamente o comportamento ofensivo da equipe.
O Arsenal passou a explorar movimentos ensaiados, bloqueios, cruzamentos precisos e imposição física dentro da área como poucas equipes conseguem fazer atualmente.
Os números ajudam a explicar essa superioridade. Nas últimas três temporadas da Premier League, o Arsenal marcou muito mais gols de escanteio do que qualquer outro rival inglês.
Eficiência supera críticas sobre futebol
A principal crítica recebida pelo Arsenal durante a temporada envolve justamente a dependência das bolas paradas. Existe uma percepção de que a equipe produz menos futebol ofensivo em jogadas construídas do que outros grandes campeões recentes da Inglaterra.
E os números realmente mostram uma diferença importante nesse aspecto.
O Arsenal marcou menos gols em jogadas de bola rolando do que vários campeões históricos recentes da Premier League. Comparando com temporadas dominantes de Manchester City ou Liverpool, a diferença ofensiva em jogadas abertas chama atenção.
Mesmo assim, Arteta encontrou uma solução extremamente eficiente para compensar isso. O treinador percebeu antes de muitos rivais que o futebol inglês estava mudando taticamente.
Enquanto várias equipes ainda tentavam reproduzir modelos extremamente ofensivos criados na era Guardiola e Jürgen Klopp, o Arsenal passou a investir em controle defensivo, intensidade física e máxima eficiência nas situações de bola parada.
O resultado disso foi uma equipe muito mais pragmática e extremamente competitiva.
Além disso, o contexto geral da Premier League também ajuda a entender esse cenário. A atual temporada apresenta números menores de gols em jogadas abertas em comparação com anos anteriores.
Ou seja, o Arsenal não é um caso isolado. O campeonato inteiro vive um momento de maior equilíbrio defensivo e valorização das bolas paradas.
Arsenal encontra identidade própria na era Arteta
Talvez o maior mérito de Mikel Arteta tenha sido justamente encontrar uma identidade própria para o Arsenal em meio a tantas mudanças táticas no futebol europeu.
Durante muitos anos, os Gunners foram associados quase exclusivamente ao futebol bonito, ofensivo e técnico implementado por Arsène Wenger.
Agora, a equipe possui uma característica diferente. Continua competitiva tecnicamente, mas adicionou força física, organização defensiva e agressividade estratégica.
Isso explica por que alguns torcedores neutros não enxergam esse Arsenal da mesma forma encantadora de outras gerações. Porém, dentro do clube, a avaliação é completamente diferente.
Depois de anos de frustrações, o Arsenal voltou a disputar títulos consistentemente e reconstruiu sua mentalidade vencedora.
Arteta também precisou sobreviver a enorme pressão ao longo do processo. Em vários momentos, o treinador foi questionado por decisões táticas, contratações e até pela capacidade de suportar a pressão dos momentos decisivos.
Mas a diretoria manteve confiança no projeto mesmo nos momentos mais turbulentos.
Título pode mudar status de Arteta no futebol inglês
Caso confirme realmente a conquista da Premier League, Mikel Arteta mudará completamente seu patamar dentro do futebol europeu.
O espanhol encerrará um jejum de 22 anos sem título inglês para o Arsenal e consolidará um dos processos de reconstrução mais importantes do futebol recente.
Mesmo que o estilo de jogo da equipe não seja unanimidade entre torcedores rivais, existe um reconhecimento cada vez maior sobre a inteligência estratégica do treinador.
Arteta percebeu antes de muitos adversários onde poderia encontrar vantagem competitiva e transformou isso em um modelo extremamente eficiente.
O Arsenal talvez não seja o campeão mais espetacular visualmente da história recente da Premier League. Mas, para a torcida dos Gunners, pouco disso importa agora.
Depois de duas décadas de espera, o clube está muito perto de voltar ao topo da Inglaterra — e isso já representa a maior validação possível para o trabalho de Mikel Arteta.