Cruzeiro segue subindo na tabela do Brasileirão e, mesmo sem entregar um futebol perfeito, começa a mostrar sinais cada vez mais claros de que pode brigar por coisas grandes nesta temporada. A vitória sobre a Chapecoense no Mineirão deixou isso evidente mais uma vez, ainda que o roteiro tenha sido bem mais sofrido do que a torcida imaginava quando viu o time abrir 2 a 0 no placar.
Porque convenhamos: o Cruzeiro parece gostar de transformar jogos tranquilos em episódios de tensão absoluta. A Raposa controlava a partida, tinha vantagem confortável e parecia encaminhar uma vitória sem sustos. Só que novamente apareceu um problema que vem perseguindo a equipe em 2026: a dificuldade de “matar” os jogos.
A Chapecoense cresceu emocionalmente, encontrou espaços, conseguiu buscar o empate e chegou até a marcar o segundo gol. O Mineirão já começava a ficar naquele clima clássico de “lá vem tragédia”, mas o lance acabou anulado, salvando a equipe mineira de um tropeço que poderia transformar elogios recentes em nova rodada de pressão.
No fim, a vitória permaneceu. E para Artur Jorge, talvez isso seja o mais importante neste momento da temporada.
Cruzeiro começa a reencontrar protagonismo
Durante boa parte dos últimos anos, o Cruzeiro viveu muito mais tentando sobreviver do que sonhando grande. Entre crises financeiras, reconstrução de elenco, mudanças de treinador e temporadas emocionalmente desgastantes, o clube parecia distante daquele peso histórico que sempre carregou no futebol brasileiro.
Só que aos poucos isso começa a mudar.
A equipe mineira vem empilhando resultados positivos e já dá sinais de crescimento coletivo, principalmente em jogos grandes e contextos mais pesados emocionalmente. O próprio desempenho recente na Libertadores mostrou um Cruzeiro mais maduro, mais equilibrado e menos desesperado em campo.
Isso talvez seja um dos maiores méritos de Artur Jorge até aqui. O treinador ainda recebe críticas, algumas justas, principalmente pela dificuldade do time em controlar jogos já encaminhados. Mas existe algo importante acontecendo: o Cruzeiro voltou a competir em alto nível.
O problema continua sendo “matar” as partidas
Se existe um ponto que ainda incomoda bastante no torcedor cruzeirense, é justamente a sensação de que o time deixa adversários vivos por tempo demais. Contra a Chapecoense isso ficou escancarado novamente.
O Cruzeiro abriu 2 a 0 e parecia totalmente confortável no jogo. Só que a equipe reduziu intensidade, começou a oferecer espaços desnecessários e perdeu controle emocional da partida. O adversário percebeu isso rapidamente.
E aí aparece aquele velho problema perigoso: quando um time sente que pode voltar para o jogo, normalmente ele cresce muito mais mentalmente do que tecnicamente. Foi exatamente o que aconteceu.
A Chapecoense ganhou confiança, passou a atacar mais e transformou um jogo praticamente perdido em uma reta final extremamente desconfortável para o Cruzeiro. Isso não é novidade na temporada.
Em vários momentos de 2026, o time mineiro mostrou dificuldade para controlar partidas depois de abrir vantagem. Falta um pouco mais de frieza, mais capacidade de cadenciar o ritmo e principalmente de entender os momentos emocionais dos jogos.
Artur Jorge encontra respostas importantes
Apesar dos sustos, é impossível ignorar o crescimento recente da equipe.
Artur Jorge parece ter encontrado uma estrutura mais sólida nas últimas semanas. O Cruzeiro já não depende exclusivamente de individualidades e começa a apresentar mecanismos coletivos mais claros, principalmente defensivamente.
O time está mais organizado sem a bola, pressiona melhor em determinados momentos e consegue competir fisicamente contra adversários mais intensos. Além disso, alguns jogadores cresceram muito de rendimento recentemente, algo fundamental em um calendário tão pesado quanto o brasileiro.
E talvez exista um detalhe ainda mais importante: o ambiente mudou.
O Cruzeiro voltou a transmitir confiança ao torcedor. Existe novamente expectativa antes dos jogos, existe sensação de competitividade e principalmente existe a impressão de que o clube pode incomodar equipes fortes.
Isso faz enorme diferença.
A tabela começa a abrir possibilidades reais
Outro fator importante para esse crescimento do Cruzeiro é o contexto do próprio Brasileirão.
A competição segue extremamente irregular em 2026. Tirando alguns times mais estáveis na parte de cima, existe muito equilíbrio no restante da tabela. E isso abre espaço para equipes que conseguem encaixar boas sequências.
O Cruzeiro percebeu isso. Mesmo sem apresentar um futebol dominante durante 90 minutos, a equipe vem somando pontos constantemente. E em campeonato de pontos corridos, consistência muitas vezes vale mais do que espetáculo.
A Raposa voltou a frequentar a parte alta da tabela e já começa a olhar para objetivos maiores do que simplesmente “fazer uma temporada segura”. A palavra Libertadores deixou de parecer exagero.
Claro, ainda existem problemas importantes. O time precisa aprender a sofrer menos em finais de jogo, controlar melhor vantagens e evitar apagões emocionais. Só que existe uma diferença enorme entre um time cheio de problemas sem resultado e um time cheio de problemas que continua vencendo.
O Cruzeiro hoje está mais próximo da segunda realidade.
Foto: Reprodução/Cruzeiro