Xabi Alonso ainda nem comandou sua primeira partida em Stamford Bridge, mas já assume uma das missões mais complicadas do futebol europeu atual. Depois de mais uma temporada abaixo das expectativas, o Chelsea volta a encerrar um ano distante da disputa pelos principais títulos e carregando questionamentos sobre o rumo do projeto iniciado pela BlueCo em 2022.
A chegada de Xabi ao Chelsea parecia, há alguns meses, algo difícil de imaginar. Depois de deixar o Real Madrid em janeiro, o treinador espanhol era apontado por muitos como o principal favorito para assumir o Liverpool após a saída de Arne Slot. O roteiro parecia pronto para um retorno marcante a Anfield, agora do lado de fora das quatro linhas.
Mas o destino acabou sendo diferente.
Alonso escolheu o Chelsea e chega em Stamford Bridge cercado por uma responsabilidade enorme. A situação chama atenção porque a pressão não surgiu após uma sequência ruim de resultados ou depois de algumas rodadas no comando. Ela apareceu antes mesmo de seu primeiro treino.
A derrota por 2 a 1 para o Sunderland na rodada final confirmou a equipe apenas na décima colocação da Premier League 2025/26. Como consequência, o clube ficou fora das competições europeias pela segunda vez nos quatro anos da atual administração.
Os números ajudam a mostrar a instabilidade:
12º lugar em 2022/23
6º lugar em 2023/24
4º lugar em 2024/25
10º lugar em 2025/26
O problema fica ainda maior quando esses resultados são comparados ao investimento realizado.
Desde a chegada da BlueCo, o Chelsea gastou aproximadamente 1,7 bilhão de euros em contratações.
Mesmo assim, o clube continua distante da disputa pelos principais títulos ingleses.
Muito dinheiro investido, mas um elenco ainda sem identidade

Quando o Chelsea terminou a temporada passada classificado para a Champions League, conquistou a Conference League e ainda surpreendeu com o título do Mundial de Clubes, existia a sensação de que finalmente o projeto estava começando a funcionar.
O elenco era jovem, vários jogadores pareciam em crescimento e havia a expectativa de que a equipe pudesse disputar posições mais altas na tabela.
Mas a realidade acabou sendo completamente diferente ao observar como o Chelsea terminou a temporada.
Após vencer o Aston Villa por 4 a 1 em março, o Chelsea precisava de apenas seis pontos nos últimos nove jogos da Premier League para garantir vaga na Liga Europa.
Parecia uma situação confortável.
Mas a equipe simplesmente desabou.
Nas últimas nove rodadas foram:
1 vitória
1 empate
7 derrotas
4 pontos conquistados
Entre todos os clubes da liga, apenas o Burnley teve desempenho pior nesse período.
Isso levantou uma questão importante: o Chelsea possui muitos jogadores talentosos, mas parece ainda não ter encontrado uma identidade clara.
Em alguns jogos a equipe apresenta intensidade, qualidade técnica e domínio territorial. Em outros momentos parece completamente perdida.
A irregularidade virou praticamente uma marca da temporada.
Xabi Alonso precisará recuperar mais do que resultados

Talvez o maior problema encontrado por Xabi Alonso não esteja apenas em aspectos táticos.
Existe a sensação de desgaste emocional dentro do elenco.
Vários jogadores importantes convivem com rumores de saída ou questionamentos sobre permanência.
Enzo Fernández aparece frequentemente ligado a outros gigantes europeus.
João Pedro vem sendo especulado em clubes como Barcelona.
Também surgiram dúvidas em relação ao futuro de nomes importantes como Marc Cucurella e Cole Palmer.
Naturalmente, temporadas frustrantes geram insatisfação.
Mas a situação parece maior do que isso.
Durante vários momentos do campeonato, o Chelsea demonstrou enorme dificuldade para reagir diante de cenários negativos.
A partida contra o Sunderland acabou representando bem esse problema.
Após a expulsão de Wesley Fofana, o time perdeu completamente o controle emocional da partida. A equipe passou a reclamar constantemente da arbitragem, acumulou faltas desnecessárias e mostrou sinais claros de frustração.
A indisciplina também virou um problema recorrente.
O Chelsea terminou a temporada com oito cartões vermelhos na Premier League e onze considerando todas as competições.
Foi a pior marca entre todos os clubes da liga.
Além disso, diversos jogadores apresentaram queda de rendimento em momentos de pressão.
Os problemas defensivos continuam sendo um ponto crítico

Dentro de campo, o setor defensivo talvez seja a área que mais exige mudanças imediatas.
Malo Gusto, que havia realizado uma temporada de estreia bastante promissora, mas neste ano apresentou queda significativa de rendimento.