O Real Madrid não deve fazer grandes movimentos no último dia da janela de transferências, mas isso não significa que o clube esteja parado. Antes do fechamento do mercado, os espanhóis ainda movimentaram algumas peças, e o responsável por isso é um velho conhecido do clube: Álvaro Arbeloa.
O ex-jogador e antigo treinador do Real Madrid agora comanda o Fulham e, neste verão europeu, decidiu apostar em alguns jogadores que conhece muito bem dos tempos de Castilla. Manuel Ángel é o mais recente deles. O meio-campista de 22 anos está em Londres para realizar exames médicos e concluir sua transferência para o clube inglês.
Ángel vai reencontrar Gonzalo García e César Palacios, outros dois jogadores formados nas categorias de base do Real Madrid que também escolheram seguir Arbeloa para a Premier League. Os três deixaram Madrid em busca de mais espaço e de uma oportunidade para acelerar suas carreiras, já que ficou claro que eles não estavam nos planos de José Mourinho para o time principal.
Real Madrid fatura milhões com trio da base
A saída de Manuel Ángel deve render cerca de US$ 4,6 milhões (4 milhões de euros) aos cofres do Real Madrid. Somando o valor arrecadado com as vendas de Gonzalo García e César Palacios, o clube espanhol terá recebido aproximadamente US$ 63 milhões (54 milhões de euros) apenas com as saídas dos três jogadores.
Financeiramente, é difícil questionar a decisão. O Real Madrid conseguiu transformar jogadores formados em sua própria academia em uma receita importante e, ao mesmo tempo, abriu espaço no elenco. A questão é que existe sempre um risco quando um clube do tamanho do Real se desfaz de jovens talentos: e se eles explodirem longe do Bernabéu?
Esse cenário merece atenção principalmente por causa de Gonzalo. Ángel e Palacios tinham poucas chances de conseguir espaço no meio-campo do time principal nesta temporada, enquanto o atacante espanhol já havia mostrado que poderia ser útil em determinadas situações.
Meio-campo não tinha espaço para os jovens
À primeira vista, a saída de dois meio-campistas formados em casa parece estranha, principalmente considerando que o Real Madrid ainda busca soluções para o setor. César Palacios, por exemplo, disputou sete partidas pelo time principal na última temporada e outras 32 pelo Castilla, marcando 15 gols.
Manuel Ángel também recebeu sete oportunidades no time principal em 2025-26. Inclusive, foi Arbeloa quem promoveu sua estreia pela equipe principal, assim como aconteceu com Palacios. Os dois receberam minutos promissores e chegaram a ser considerados jogadores com potencial para, no futuro, se firmarem no elenco.
Palacios já começou a mostrar isso no Fulham. O meio-campista foi titular nas duas primeiras partidas do clube na Premier League, algo que dificilmente teria acontecido se tivesse permanecido em Madrid. Ainda assim, a realidade é que não havia espaço imediato para os dois no elenco de Mourinho.
O Real Madrid conta com Federico Valverde, Aurélien Tchouaméni, Eduardo Camavinga, Bernardo Silva e Arda Güler para o setor. Além deles, Thiago Pitarch ganhou espaço no grupo principal depois de uma temporada de destaque pelo Castilla. A contratação de Sergio Martínez, de apenas 19 anos, para reforçar justamente a equipe B também mostrava que o clube tinha outros planos para a posição.
Por isso, mesmo com possíveis problemas no meio-campo ao longo da temporada, Ángel e Palacios dificilmente seriam soluções regulares. A decisão de vendê-los e permitir que reencontrassem Arbeloa no Fulham, portanto, faz sentido do ponto de vista esportivo e financeiro.

Gonzalo é quem pode virar problema
O caso de Gonzalo García é diferente. O atacante já havia mostrado seu valor com a camisa do Real Madrid. No Mundial de Clubes, marcou quatro gols e confirmou seu potencial. Na temporada seguinte, mesmo tendo minutos bastante irregulares, conseguiu balançar as redes oito vezes.
O desempenho foi suficiente para que Gonzalo ganhasse espaço importante no elenco. Ele chegou a assumir o papel de reserva de Kylian Mbappé, enquanto Endrick acabou sendo emprestado ao Lyon. O espanhol parecia ter conquistado seu espaço, mas o retorno do brasileiro mudou completamente o cenário.
Com Endrick novamente no elenco, Gonzalo perdeu espaço e acabou seguindo para o Fulham, onde voltou a trabalhar com Arbeloa. E o começo na Inglaterra já mostrou que o atacante pode ter sido uma aposta muito interessante dos ingleses.
Gonzalo marcou em sua estreia pelo Fulham contra o Chelsea e voltou a balançar as redes na vitória por 3 a 0 sobre o Wimbledon, pela Carabao Cup. São sinais iniciais de que o centroavante pode aproveitar muito bem a oportunidade de jogar com mais regularidade.
O espanhol tem características difíceis de ensinar. É um camisa 9 de origem, com bom posicionamento, capacidade de finalização e instinto dentro da área. Se conseguir manter esse nível e continuar evoluindo na Premier League, não seria nenhuma surpresa vê-lo valorizado rapidamente.
Real Madrid pode repetir caso Hakimi?
É justamente aí que aparece o maior risco para o Real Madrid. A diretoria conseguiu um valor considerado muito bom pela transferência de Gonzalo, principalmente levando em conta que o atacante provavelmente teria passado mais tempo no banco do que em campo caso permanecesse no Bernabéu.
Além disso, o clube agiu rapidamente para encontrar um substituto. Carlos Espí foi contratado e marcou o gol da vitória nos minutos finais em sua estreia contra o Espanyol. Endrick também continua fazendo parte dos planos do elenco e deve voltar quando se recuperar de sua lesão muscular.
Ou seja, não existe hoje uma necessidade evidente de ter Gonzalo no grupo. O Real Madrid possui opções suficientes no ataque e conseguiu transformar um jogador que não teria espaço garantido em uma boa fonte de receita.
O problema pode aparecer daqui a alguns anos. Se Gonzalo continuar marcando gols na Inglaterra e se transformar em um dos principais atacantes espanhóis da Premier League, o Real Madrid poderá olhar para trás e questionar se a decisão de vendê-lo foi realmente a melhor.
Ángel e Palacios também podem evoluir e, eventualmente, provar que mereciam mais oportunidades, mas o cenário deles era mais complicado em Madrid. Gonzalo, por outro lado, já havia mostrado que poderia produzir mesmo sem uma sequência consistente.
Por isso, entre os três jogadores que seguiram Arbeloa para o Fulham, é o atacante quem mais pode deixar uma dúvida no futuro. O Real Madrid fez um ótimo negócio no presente, mas existe o risco de que Gonzalo se transforme em mais um caso semelhante ao de Achraf Hakimi: um jogador formado pelo clube que alcança grande nível longe do Bernabéu e faz a torcida imaginar o que poderia ter acontecido se tivesse permanecido em Madrid.
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