Mesmo após mais um resultado excelente, Lewis Hamilton confirmou que a Ferrari receberá atualizações por meio do sistema ADUO (Additional Upgrade and Development Opportunities), criado pela FIA para permitir que fabricantes de unidades de potência possam desenvolver seus motores quando estiverem atrás dos concorrentes em termos de desempenho.
A confirmação veio após Hamilton terminar na segunda posição no GP de Mônaco. O piloto explicou que a Ferrari foi considerada abaixo das fabricantes líderes no atual cenário de motores e, por isso, terá acesso às oportunidades extras de desenvolvimento previstas pelo regulamento.
Como funciona o sistema ADUO
O sistema ADUO foi desenvolvido para evitar que uma fabricante fique excessivamente atrás das demais durante a era dos novos regulamentos de unidades de potência. Embora o desenvolvimento de desempenho dos motores seja normalmente restrito, a FIA criou esse mecanismo para permitir correções de competitividade.
De acordo com as regras, as fabricantes que estiverem dentro de uma margem de 2% em relação à unidade de potência considerada referência poderão receber uma atualização em 2026 e outra em 2027.
Já aquelas que forem avaliadas como estando mais de 2% atrás da unidade líder terão direito a duas atualizações por ano. O objetivo é reduzir diferenças significativas de desempenho e manter o equilíbrio competitivo entre os fabricantes.
A FIA ainda deve anunciar oficialmente quais fabricantes receberam autorização para utilizar essas oportunidades adicionais de desenvolvimento. No entanto, Hamilton revelou que a Ferrari está entre as equipes beneficiadas pelo sistema.
Ferrari busca reduzir desvantagem para Red Bull e Mercedes
Durante entrevistas pós corrida, Hamilton destacou que as informações divulgadas recentemente indicam que a Red Bull possui atualmente a unidade de potência mais forte, com a Mercedes ocupando a segunda posição.
Segundo o piloto, a Ferrari aparece atrás dessas duas fabricantes em termos de desempenho do motor, motivo pelo qual poderá utilizar os chamados “tokens” de desenvolvimento disponibilizados pelo ADUO.
Hamilton explicou que a equipe agora terá a possibilidade de trabalhar em melhorias para diminuir a diferença em relação aos adversários, mas alertou que o processo exigirá tempo e não produzirá resultados imediatos.
Ele afirmou que o projeto necessário para recuperar desempenho pode levar entre oito e dez meses para gerar efeitos concretos, tornando impossível uma recuperação instantânea já nas próximas corridas. A próxima corrida em Barcelona conta com um circuito com longas retas, o ponto fraco da Ferrari.
Hamilton alerta para trabalho de longo prazo
Ao comentar a próxima etapa do campeonato, em Barcelona, Hamilton lembrou que o circuito conta com longas retas, característica que tende a evidenciar ainda mais as diferenças de potência entre os motores. O britânico declarou: “Quero dizer, voltamos para as longas retas [em Barcelona].”
Em seguida, explicou a situação atual da hierarquia entre os fabricantes: “Mas acho que a notícia saiu ontem ou hoje de que a Red Bull tem o motor mais potente, a Mercedes é a segunda, e nós estamos atrás.”
Hamilton acrescentou que a Ferrari recebeu agora a oportunidade de utilizar os mecanismos de desenvolvimento para tentar reduzir a diferença: “Então agora temos esses tokens para tentar desenvolver e fechar a diferença, mas isso é um projeto de oito a dez meses, então não é algo que possamos fazer já na próxima semana.”
Por fim, o piloto ressaltou que a equipe continuará trabalhando intensamente para melhorar o desempenho: “Vamos pressionar o máximo possível para reduzir essa diferença e, para a próxima semana, espero que possamos adicionar alguns componentes ao carro e tentar diminuir a distância para a Mercedes, mas será difícil lá.”
Com isso, a Ferrari passa a contar oficialmente com uma importante ferramenta regulatória para buscar ganhos de desempenho e tentar reduzir a distância para seus principais rivais ao longo dos próximos meses.
(Foto: Scuderia Ferrari)