A McLaren confirmou que apresentou formalmente uma notificação de apelação à FIA após Pierre Gasly recuperar a terceira posição no GP de Mônaco. A equipe britânica decidiu contestar a decisão que devolveu o pódio ao piloto da Alpine, alegando preocupações relacionadas à igualdade esportiva e à aplicação consistente do regulamento.
Gasly cruzou a linha de chegada na terceira colocação nas ruas de Monte Carlo, mas inicialmente perdeu o resultado após receber duas penalidades de cinco segundos, adicionadas ao seu tempo total de corrida por infrações relacionadas ao excesso de velocidade no pit lane.
Com a aplicação das punições, o piloto francês caiu para a sétima posição na classificação oficial da prova, enquanto o piloto da Red Bull, Isack Hadjar, herdou um lugar no pódio.
Posteriormente, a Alpine apresentou um Pedido de Revisão das penalidades. A solicitação foi aceita após a equipe fornecer novas evidências consideradas significativas e relevantes, fazendo com que Gasly recuperasse a terceira posição. O piloto tomou conhecimento da decisão pouco antes do início do primeiro treino livre para o Grande Prêmio de Barcelona, na sexta-feira.
A mudança na classificação provocou novas alterações nos resultados da corrida e acabou afetando outros competidores que também haviam sido punidos durante o fim de semana em Mônaco.
Piastri também foi afetado pela revisão do resultado
Além de Pierre Gasly, outros pilotos receberam penalidades pela mesma infração envolvendo o limite de velocidade no pit lane. Entre eles estava Oscar Piastri, da McLaren. O australiano cumpriu sua punição ainda durante a corrida em Mônaco e terminou a prova na quinta colocação. Com a penalização inicial de Gasly, Piastri havia ganhado uma posição na classificação.
No entanto, após a revisão do caso e a restituição do terceiro lugar ao piloto da Alpine, o competidor da McLaren voltou à posição originalmente conquistada na pista, encerrando a etapa novamente em quinto lugar. Diante dessa situação, a equipe de Woking decidiu iniciar oficialmente o processo de recurso contra a decisão.
Em comunicado divulgado pela equipe, a McLaren confirmou a medida. “A McLaren Racing pode confirmar que apresentou formalmente uma notificação de apelação ao Tribunal Internacional de Apelação da FIA em relação às seguintes decisões ligadas ao Grande Prêmio de Mônaco de 2026: Documento 99 dos Comissários, Documento 100 da Classificação Final Revisada da Corrida e Documento 101 da Classificação Revisada do Campeonato.”
A equipe ressaltou que respeita os procedimentos judiciais da FIA e o papel desempenhado pelos comissários esportivos, mas entende que o caso levanta questões importantes para a categoria.
Equipe aponta preocupações com justiça esportiva e consistência das regras
Na nota oficial, a McLaren explicou os motivos que a levaram a recorrer da decisão. “Embora respeitemos plenamente os processos judiciais da FIA e o papel dos comissários, acreditamos que este caso levanta questões importantes relacionadas à justiça esportiva, à consistência regulatória e à integridade da competição.”
Segundo a equipe, durante todo o fim de semana do Grande Prêmio de Mônaco, assim como em todos os eventos da Fórmula 1, as equipes trabalharam de acordo com os regulamentos e os procedimentos padrão em vigor em relação ao limite de velocidade no pit lane.
“Ao longo do fim de semana do Grande Prêmio de Mônaco, e em todos os eventos, todas as equipes atuaram de acordo com os regulamentos e as práticas estabelecidas sobre o limite de velocidade no pit lane, conforme eram aplicados naquele momento.” explica McLaren.
A McLaren destacou ainda que os competidores ajustaram seus procedimentos às regras existentes e, quando necessário, aceitaram e cumpriram as penalidades determinadas pelos comissários.
Na avaliação da equipe, a retirada posterior dessas punições cria uma situação desfavorável para aqueles que seguiram as decisões tomadas durante a corrida. “Na nossa visão, a remoção posterior das penalidades cria uma situação em que alguns competidores são prejudicados por terem atuado de acordo com as regras e com as decisões dos comissários.”
O comunicado afirma ainda que esse cenário pode gerar desigualdade esportiva e comprometer a confiança na aplicação uniforme do Regulamento Esportivo da FIA.
McLaren afirma que recurso não é direcionado à Alpine ou a Gasly
A equipe britânica fez questão de esclarecer que a decisão de recorrer não representa um ataque a qualquer piloto ou equipe específica. “Nossa decisão de apelar não é direcionada a nenhum competidor.”
Segundo a McLaren, o objetivo do recurso é defender a aplicação consistente, transparente e justa das regras da Fórmula 1. “Pelo contrário, ela reflete nossa convicção de que o campeonato se beneficia de regulamentos aplicados de maneira consistente, transparente e justa para todos os participantes.”
A equipe também reafirmou seu compromisso de trabalhar em conjunto com a FIA, a Fórmula 1 e as demais equipes para preservar a credibilidade da categoria. “A McLaren continua comprometida em trabalhar de forma construtiva com a FIA, a Fórmula 1 e os demais competidores para proteger a integridade do esporte e manter a confiança em seu sistema regulatório.”
Com a apresentação formal da notificação de apelação, o caso envolvendo a restituição do terceiro lugar de Pierre Gasly no Grande Prêmio de Mônaco segue em andamento.
A discussão passa agora para as instâncias competentes da FIA, enquanto a McLaren sustenta que a questão ultrapassa a disputa por posições na classificação e envolve princípios relacionados à aplicação uniforme das regras esportivas em toda a Fórmula 1.
Foto: (Fórmula 1)