Renato Gaúcho, Vasco
Brasileirão Futebol

Renato Gaúcho demitido! 3 motivos para o Vasco desligar o treinador

A passagem de Renato Gaúcho pelo Vasco chegou ao fim em um momento que mistura números contraditórios, expectativas frustradas e uma crescente pressão da torcida. Se por um lado o treinador conseguiu apresentar indicadores melhores do que seu antecessor em alguns aspectos, por outro não foi capaz de resolver os principais problemas que colocaram o clube em crise ao longo da temporada.

Quando assumiu o comando da equipe, Renato encontrou um Vasco pressionado pelos resultados e precisando reagir rapidamente para evitar uma campanha preocupante. Os primeiros sinais foram positivos. O time apresentou melhora no aproveitamento, passou a marcar mais gols e conseguiu dar a impressão de que estava iniciando uma recuperação.

No entanto, conforme as rodadas avançaram, os mesmos problemas voltaram a aparecer. A defesa continuou vulnerável, o desempenho caiu e o clube terminou a primeira parte da temporada dentro da zona de rebaixamento. Com isso, a diretoria optou por interromper o trabalho antes da retomada das competições.

Mas afinal, quais foram os motivos que levaram o Vasco a desligar Renato Gaúcho?

A melhora inicial não foi suficiente para tirar o Vasco da crise

Renato Gaúcho Vasco Brasileirão
Matheus Lima / Vasco

O primeiro motivo passa pelos resultados gerais da equipe.

Nos primeiros dez jogos sob o comando de Renato Gaúcho, o Vasco conquistou quatro vitórias, quatro empates e apenas duas derrotas. O aproveitamento de 53% era superior ao registrado por Fernando Diniz no mesmo recorte, que havia alcançado apenas 36%.

Naquele momento, a troca de treinador parecia ter surtido efeito. O Vasco mostrava mais competitividade e dava sinais de recuperação dentro das competições que disputava.

O problema é que essa evolução não se sustentou ao longo dos meses.

Com o avanço da temporada, o rendimento caiu. Após aproximadamente 20 partidas, Renato acumulava oito vitórias, seis empates e seis derrotas, chegando a um aproveitamento de 50%. No Campeonato Brasileiro, o cenário era ainda mais preocupante, com apenas 19 pontos conquistados em 42 possíveis, um aproveitamento de 45,2%.

Os números mostram que Renato conseguiu estabilizar parte do desempenho da equipe, mas não o suficiente para afastar o Vasco da situação que mais preocupava a diretoria: a luta contra o rebaixamento.

O dado mais simbólico é a posição do clube na tabela. Apesar da reação inicial, o Vasco chegou à pausa da Copa do Mundo ocupando a 17ª colocação, abrindo a zona de rebaixamento.

Em outras palavras, mesmo após a troca de treinador, o principal objetivo imediato não havia sido alcançado. O clube continuava entre os quatro últimos colocados do Brasileirão.

Para uma diretoria que apostou na experiência de Renato Gaúcho justamente para afastar o time da parte de baixo da tabela, permanecer no Z-4 acabou sendo um argumento extremamente forte para a mudança de comando.

O ataque ficou mais eficiente, mas os problemas continuaram aparecendo

Renato Gaúcho, Vasco
Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

O segundo motivo é mais complexo e exige uma análise mais profunda dos números.

À primeira vista, o trabalho ofensivo de Renato mostra evolução.

Antes de sua chegada, o Vasco tinha marcado 14 gols em 13 partidas, média de 1,08 gol por jogo. Com Renato, o número subiu para 30 gols em 20 partidas, média de 1,50 gol por jogo.

Outro dado positivo foi a eficiência ofensiva. O Vasco passou a precisar de 10,3 finalizações para marcar um gol, enquanto anteriormente precisava de 15,4 tentativas.

Esses números mostram que o time se tornou mais eficiente na hora de transformar oportunidades em gols.

Porém, quando a análise avança para a criação ofensiva, o cenário muda.

Antes de Renato, o Vasco criava em média 2,5 grandes chances por partida. Com Renato, esse número passou para apenas 2,6.

A diferença é praticamente insignificante.

Isso significa que a equipe não passou a criar muito mais oportunidades claras. O que aconteceu foi um melhor aproveitamento das chances que já produzia.

Em outras palavras, o ataque ficou mais eficiente, mas não necessariamente mais criativo.

Ao mesmo tempo, a melhora ofensiva veio acompanhada de uma piora defensiva significativa.

Antes da chegada de Renato, o Vasco concedia 1,2 grande chance por partida aos adversários. Com ele, esse número saltou para 2,1.

Os gols sofridos também aumentaram de forma expressiva.

Antes eram 12 gols sofridos em 13 jogos. Com Renato, foram 30 gols sofridos em 20 partidas.

O Vasco passou a marcar mais, mas também passou a sofrer muito mais.

Esse desequilíbrio acabou impedindo que a evolução ofensiva se transformasse em resultados consistentes. Muitas vezes o time era obrigado a correr atrás do placar ou desperdiçava pontos por falhas defensivas que continuavam se repetindo.

Para um treinador conhecido historicamente por montar equipes competitivas e equilibradas, esse foi um problema que nunca pareceu completamente resolvido.

A sequência final e a pressão da torcida tornou a permanência praticamente impossível

Admar Lopes Vasco
Foto: Reprodução VascoTV

Mesmo quando os números não são completamente negativos, o futebol costuma ser decidido pelo momento. E o momento do Vasco antes da pausa da Copa do Mundo era extremamente preocupante.

A reta final da equipe no Campeonato Brasileiro foi marcada por três derrotas consecutivas que aumentaram a pressão sobre Renato Gaúcho e fizeram a confiança da torcida desaparecer. Primeiro veio a goleada por 4 a 1 para o Internacional, uma partida que expôs novamente os problemas defensivos da equipe. Na rodada seguinte, o Vasco sofreu uma dura derrota por 3 a 0 para o Red Bull Bragantino em pleno São Januário. Para completar a sequência negativa, o clube foi derrotado por 1 a 0 pelo Atlético Mineiro no último compromisso antes da paralisação.

Em apenas três partidas, o Vasco sofreu oito gols e marcou apenas um. O saldo negativo de sete gols reforçou uma tendência que já vinha aparecendo nos números da temporada. Apesar da melhora ofensiva observada desde a chegada de Renato, a equipe continuava vulnerável defensivamente e encontrava dificuldades para competir contra adversários mais organizados.

A derrota por 3 a 0 para o Red Bull Bragantino foi o ponto de ruptura da relação entre Renato Gaúcho e parte da torcida vascaína. Além das vaias, o treinador foi alvo de xingamentos durante a partida e chegou a responder aos torcedores com gestos de questionamento após o terceiro gol adversário. O clima ficou ainda mais tenso quando copos foram arremessados em direção à área técnica. Após o apito final, Renato não participou da entrevista coletiva. Segundo o diretor Admar Lopes, o treinador ficou profundamente abalado com as críticas e precisou de uma longa conversa com jogadores e dirigentes antes que o clube decidisse blindá-lo da imprensa

Além das críticas aos resultados, parte da torcida passou a questionar publicamente as escolhas de Renato, a falta de evolução defensiva da equipe e a capacidade do treinador de tirar o Vasco da zona de rebaixamento. O que começou como uma relação de esperança pela chegada de um técnico experiente terminou em um ambiente de desconfiança e cobrança constante.

No futebol, muitas vezes a permanência de um treinador depende não apenas dos números, mas também da percepção de que existe um caminho para a recuperação. E esse talvez tenha sido o maior problema de Renato Gaúcho. Mesmo com alguns indicadores ofensivos melhores do que os de seu antecessor, a sequência de derrotas, a permanência no Z-4 e o desgaste com a torcida criaram a sensação de que o trabalho havia chegado ao seu limite.

Por isso, a demissão não pode ser explicada apenas pelos resultados recentes. Ela foi consequência de um conjunto de fatores que envolvem desempenho, classificação e ambiente. Quando o Vasco entrou na pausa da temporada dentro da zona de rebaixamento e com a torcida em rota de colisão com o treinador, a permanência de Renato Gaúcho passou a ser uma situação cada vez mais difícil de sustentar.

(Foto de capa: Reprodução/Metrópoles)

 

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Kaique