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Copa do Mundo 2026 confirma tendência histórica e transforma os minutos finais no momento mais decisivo das partidas

A Copa do Mundo de 2026 está apresentando uma característica que vem chamando a atenção de torcedores, analistas e treinadores ao redor do mundo: a enorme quantidade de gols marcados nos minutos finais das partidas. Embora os gols tardios sempre tenham feito parte da história do torneio, os números registrados até agora mostram uma intensidade ainda maior do que nas últimas edições.

Dos 96 gols marcados nas primeiras 32 partidas da competição, 28 aconteceram entre os 76 minutos do apito final. Isso representa 29,2% de todos os gols do torneio, um índice extremamente elevado para uma competição de alto nível. O dado coloca a atual Copa muito próxima do recorde recente registrado na Alemanha em 2006, quando 30,6% dos gols saíram nos minutos finais.

A tendência ajuda a explicar por que tantas partidas têm permanecido abertas até os últimos instantes, e reforça uma velha máxima do futebol: em uma Copa do Mundo, nenhum resultado está garantido até o apito final.

Os números mostram uma mudança importante

Manzambi suiça Copa
Foto de capa: FIFA

Historicamente, os minutos finais sempre foram os mais produtivos em termos ofensivos na Copa do Mundo.

No entanto, a diferença observada em 2026 é significativa.

Na Copa do Catar, em 2022, 24,4% dos gols foram marcados após os 75 minutos. Em 2018, na Rússia, esse percentual foi de 23%. Já no Mundial do Brasil, em 2014, o índice ficou em 23,9%.

Agora, a competição disputada nos Estados Unidos, Canadá e México alcançou 29,2%, um crescimento considerável em comparação com os últimos torneios.

O exemplo mais impressionante aconteceu na vitória da Suíça sobre a Bósnia e Herzegovina. O confronto permanecia equilibrado até os minutos finais, mas a equipe suíça marcou quatro gols após os 70 minutos e transformou um jogo disputado em uma goleada por 4 a 1. Johan Manzambi, que saiu do banco de reservas, precisou de apenas três minutos para marcar e terminou a partida com dois gols.

O caso suíço foi extremo, mas está longe de ser isolado. Vinte seleções diferentes já marcaram gols nos últimos 15 minutos ou nos acréscimos desta Copa.

O desgaste físico está fazendo diferença

Uma das explicações mais evidentes para esse acontecimento está relacionada ao desgaste dos jogadores.

O futebol moderno exige um nível físico cada vez maior. As equipes pressionam mais alto, correm mais, trocam mais passes em velocidade e precisam manter concentração máxima durante toda a partida.

Quando o relógio se aproxima dos minutos finais, a fadiga começa a aparecer. E no futebol de elite, pequenos erros costumam ser decisivos.

Uma marcação perdida, uma cobertura atrasada ou uma simples falha de posicionamento podem abrir espaços suficientes para jogadores talentosos decidirem uma partida.

Além disso, a Copa do Mundo é uma competição particularmente exigente. As seleções disputam partidas em sequência, possuem poucos dias de recuperação e enfrentam adversários de diferentes estilos. Tudo isso contribui para aumentar o desgaste acumulado.

Consequentemente, as linhas defensivas ficam mais espaçadas e os espaços surgem com mais frequência justamente no momento em que os atacantes precisam de menos oportunidades para definir um jogo.

As substituições mudaram a dinâmica das partidas

Virgil Van Dijk
Capitão pela segunda Copa seguida, Van Dijk é o exemplo de liderança da Holanda (Foto: Divulgação/Getty Images)

Outro fator fundamental está diretamente ligado às cinco substituições permitidas.

Os treinadores possuem hoje uma capacidade muito maior de alterar o rumo dos jogos utilizando jogadores descansados nos momentos finais.

Atacantes rápidos e intensos entram em campo para enfrentar defensores que já acumulam mais de uma hora de esforço físico. Essa diferença de energia pode se transformar em vantagem decisiva.

A atuação de Johan Manzambi contra a Bósnia é um exemplo claro desse cenário. Sua entrada mudou completamente o ritmo da partida e ajudou a construir a goleada suíça.

Mas as substituições nem sempre produzem efeitos positivos. A Holanda viveu uma situação oposta contra o Japão.

Vencendo por 2 a 1 e controlando o jogo com 70% de posse de bola, a equipe comandada por Ronald Koeman promoveu mudanças que acabaram reduzindo sua capacidade de atacar os espaços. O Japão aproveitou o crescimento dentro da partida e conseguiu o empate aos 88 minutos.

Esses casos mostram como o banco de reservas se tornou uma arma estratégica capaz de mudar completamente a história de um confronto.

As pausas para hidratação e os novos acréscimos também influenciam

Gana vence Panamá
Foto: Cole Burston/AFP

A FIFA implementou pausas obrigatórias para hidratação durante os jogos realizados na América do Norte. Curiosamente, os períodos posteriores a essas interrupções têm registrado aumento na quantidade de gols.

Embora não seja possível afirmar que existe uma relação direta, as pausas oferecem aos treinadores a oportunidade de reorganizar suas equipes, corrigir posicionamentos e transmitir orientações táticas importantes.

Outro elemento que ajuda a explicar os números é a ampliação dos acréscimos.

Nas últimas décadas, era comum que uma partida tivesse apenas dois ou três minutos adicionais. Atualmente, os árbitros seguem orientações mais rigorosas para compensar substituições, atendimentos médicos, comemorações e interrupções.

Isso significa que os jogos frequentemente ultrapassam os 100 minutos de duração.

O exemplo mais marcante até agora aconteceu na vitória de Gana sobre o Panamá. Apesar de seis minutos de acréscimos inicialmente sinalizados, a partida ultrapassou os 101 minutos após novas paralisações. O gol decisivo de Caleb Yirenkyi, aos 95 minutos, tornou-se um dos símbolos dessa nova realidade.

Uma Copa que continua viva até o último segundo

Os primeiros jogos da Copa do Mundo de 2026 mostram que o apito final nunca esteve tão distante.

A combinação entre desgaste físico, substituições estratégicas, mudanças táticas, pausas para hidratação e acréscimos mais extensos criou um ambiente em que os minutos finais se tornaram mais perigosos do que nunca.

Os números comprovam isso. Quase um terço dos gols do torneio está sendo marcado após os 75 minutos, percentual muito superior ao registrado nas últimas edições.

Para os torcedores, a mensagem é simples: não vale a pena desligar a televisão antes do fim. Em uma Copa marcada por reviravoltas, reservas decisivos e partidas abertas até os últimos instantes, o momento mais importante do jogo pode estar justamente nos minutos finais.

(Foto de capa: Darrian Traynor/Getty Images)

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Kaique