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Copa do Mundo

Inglaterra segue favorita, mas empate contra Gana expõe desafios para o restante da Copa

A Inglaterra chegou à Copa do Mundo de 2026 cercada por expectativas. A vitória por 4 a 2 sobre a Croácia na estreia reforçou o status de uma das principais candidatas ao título e alimentou a esperança de encerrar um jejum que já dura desde 1966. No entanto, o empate sem gols diante de Gana na segunda rodada mostrou que a caminhada até o troféu será mais complicada do que muitos imaginavam.

O resultado não coloca a classificação inglesa em risco. A equipe lidera o Grupo L e continua dependendo apenas de si para avançar em primeiro lugar. Ainda assim, a partida serviu como um importante teste de realidade para o time comandado por Thomas Tuchel. Se contra a Croácia a Inglaterra encontrou espaços e conseguiu explorar sua força ofensiva, diante de uma defesa organizada e posicionada em bloco baixo as dificuldades apareceram de forma evidente.

O confronto mostrou uma equipe dominante na posse de bola, mas com poucas soluções para desmontar uma estrutura defensiva compacta. Mais do que o empate, a forma como ele aconteceu levantou questionamentos importantes para o restante da competição.

A posse de bola não foi suficiente

Inglaterra Gordon Rice
Foto: Divulgação/England

Uma das principais conclusões da partida foi que a Inglaterra ainda busca alternativas para enfrentar adversários que priorizam a defesa.

Gana adotou uma postura extremamente conservadora. A equipe treinada por Carlos Queiroz recuou suas linhas, protegeu a entrada da área e permitiu que a Inglaterra tivesse a bola. O resultado foi uma posse de 78,2% para os ingleses, um número impressionante para um jogo de Copa do Mundo.

Porém, controlar a posse não significa necessariamente controlar as oportunidades.

Durante boa parte da partida, a Inglaterra circulou a bola de um lado para o outro sem conseguir encontrar espaços para infiltrações. O sistema defensivo ganês permaneceu compacto e obrigou os ingleses a recorrerem constantemente às jogadas pelos lados do campo.

Foi justamente nesse aspecto que surgiram algumas das principais críticas após o jogo. A equipe precisava de jogadores capazes de decidir individualmente, quebrar linhas com dribles ou criar superioridade numérica. Entretanto, os pontas ingleses tiveram dificuldades para cumprir essa função.

A entrada de Bukayo Saka no segundo tempo trouxe mais dinamismo ao ataque. O jogador do Arsenal conseguiu gerar perigo e obrigou o goleiro Benjamin Asare a fazer uma importante defesa. Sua atuação reforçou a percepção de que pode recuperar rapidamente a condição de titular absoluto na ponta direita.

Marcus Rashford também aparece como um candidato natural para assumir uma das vagas pelos lados, principalmente diante das dificuldades encontradas por Anthony Gordon e outros atacantes na construção das jogadas.

O desafio contra defesas fechadas

Kane inglaterra copa do mundo
Foto: FIFA

Se a estreia contra a Croácia mostrou uma Inglaterra perigosa em transições e ataques rápidos, o jogo contra Gana evidenciou uma limitação que pode se tornar relevante nas fases eliminatórias.

Quando enfrentou uma equipe que defendia próxima da própria área, a seleção inglesa encontrou poucas maneiras de acelerar a circulação da bola e criar espaços.

O próprio Carlos Queiroz destacou esse aspecto após a partida ao afirmar que a Inglaterra estava “sem soluções”. Embora a declaração tenha sido provocativa, ela encontrou respaldo no que foi visto dentro de campo.

A equipe criou poucas oportunidades claras durante a maior parte dos 90 minutos e precisou aumentar o ritmo apenas nos instantes finais. Mesmo assim, ainda esteve perto de marcar. Nico O’Reilly acertou a trave em uma cabeçada e Marc Guehi teve uma tentativa salva praticamente sobre a linha.

Esses lances mostram que a Inglaterra produziu volume ofensivo, mas também evidenciam que as melhores oportunidades surgiram mais pela insistência do que pela construção organizada das jogadas.

Wayne Rooney destacou esse problema após o empate. Para o ex-capitão inglês, Tuchel precisará fazer ajustes importantes antes da partida contra o Panamá. Rooney acredita que a equipe poderia ter explorado ainda mais os cruzamentos diante de uma defesa tão recuada.

A defesa ainda gera preocupações

konsa x gana inglaterra copa do mundo
Foto: FIFA

Apesar de o empate sem gols indicar solidez defensiva, a Inglaterra também deixou sinais de alerta sem a bola.

Gana criou menos oportunidades, mas quando conseguiu escapar em contra-ataques gerou momentos de tensão para a defesa inglesa. Em alguns lances, a equipe mostrou dificuldades para controlar as transições rápidas dos africanos.

O momento mais polêmico da partida aconteceu justamente em uma dessas jogadas. Prince Kwabena Adu invadiu a área e caiu após contato com Ezri Konsa. Inicialmente, o lance pareceu um desarme limpo. Porém, as imagens da repetição geraram dúvidas e alimentaram a reclamação dos ganeses.

Carlos Queiroz ironizou a decisão da arbitragem ao afirmar que “o VAR foi tomar um café”. A declaração resume o sentimento de que Gana poderia ter recebido um pênalti nos minutos finais.

Independentemente da interpretação do lance, a situação reforçou uma preocupação já existente. Contra seleções mais qualificadas ofensivamente, como França, Espanha, Portugal, Brasil ou Argentina, erros defensivos tendem a ser punidos com muito mais frequência.

O ex-goleiro Joe Hart resumiu bem essa sensação ao afirmar que a atuação contra Gana provavelmente não será suficiente para intimidar as outras favoritas ao título.

Mesmo assim, o cenário para a Inglaterra continua positivo. O empate não altera significativamente sua situação no grupo e a classificação segue muito próxima. O que mudou foi a percepção sobre o estágio atual da equipe. A vitória contra a Croácia mostrou o potencial máximo dos ingleses. O empate contra Gana revelou suas limitações.

Em torneios como a Copa do Mundo, entender e corrigir essas limitações pode ser tão importante quanto celebrar as vitórias. E talvez esse tenha sido o principal aprendizado da Inglaterra na segunda rodada.

(Foto de capa: Getty Images)

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Kaique