Kevin De Bruyne chegou à Copa do Mundo como uma das principais esperanças da Bélgica, mas os primeiros jogos da competição transformaram a expectativa em preocupação. Depois dos empates diante de Egito e Irã, o meio-campista passou a ser um dos personagens mais criticados pela imprensa e pelos torcedores, que enxergam no camisa 10 um símbolo do momento complicado vivido pelos Diabos Vermelhos.
A seleção comandada por Rudi García entrou no torneio cercada por dúvidas, mas ainda acreditava que a experiência de seus veteranos poderia fazer a diferença nos momentos decisivos. No entanto, o desempenho abaixo do esperado nas duas primeiras partidas aumentou a pressão sobre o grupo e colocou a Bélgica em situação delicada na briga pela classificação.
Agora, o confronto contra a Nova Zelândia ganhou contornos de decisão. Mais do que conquistar os três pontos, os belgas precisam mostrar sinais de recuperação para afastar o clima de crise que tomou conta do país nos últimos dias.
De Bruyne deixa de ser solução e vira problema para os torcedores
Durante mais de uma década, Kevin De Bruyne foi o maestro da geração mais talentosa da história da Bélgica. Seus passes precisos, sua inteligência para criar jogadas e sua capacidade de decidir partidas fizeram dele um dos melhores meio-campistas do futebol mundial.
Por isso, não surpreende que as críticas estejam concentradas justamente no jogador que durante anos acostumou os torcedores a resolver problemas.
Contra o Egito, De Bruyne teve participação discreta e seu lance mais perigoso foi uma bola na trave. Já diante do Irã, voltou a encontrar dificuldades para comandar o setor criativo da equipe. O resultado foi uma atuação considerada frustrante por grande parte da imprensa local.
A sensação entre muitos analistas é que o craque não consegue mais exercer a mesma influência de outros tempos. Aos 35 anos, o jogador parece sentir os efeitos naturais do desgaste de uma carreira construída em alto nível por quase duas décadas.
A mudança para o Napoli após deixar o Manchester City também contribuiu para aumentar os questionamentos. Embora ainda seja um atleta de enorme qualidade técnica, o desempenho recente reforçou a impressão de que o belga está vivendo a reta final de sua trajetória como protagonista no futebol internacional.
Fantasmas do passado voltam a assombrar a Bélgica
O problema para De Bruyne é que as críticas atuais não se limitam apenas aos resultados desta Copa do Mundo.
Muitos comentaristas belgas têm feito comparações com os últimos grandes torneios disputados pela seleção. A eliminação precoce na Copa do Mundo de 2022 ainda é uma ferida aberta para os torcedores, que jamais imaginaram ver uma geração tão talentosa cair ainda na fase de grupos.
Na Eurocopa de 2024, a situação também ficou longe das expectativas. Mais uma vez, a Bélgica mostrou momentos de qualidade, mas não conseguiu transformar potencial em resultados.
Essas lembranças voltaram à tona após os empates diante de Egito e Irã. Para parte da opinião pública, a equipe segue repetindo os mesmos erros: muito talento individual, pouca eficiência coletiva e dificuldade para reagir quando a pressão aumenta.
Naturalmente, De Bruyne acaba carregando boa parte desse peso. Afinal, ele é o principal rosto da chamada geração dourada e um dos jogadores mais importantes da história do futebol belga.
Lukaku também entra na mira das críticas
Se De Bruyne é o principal alvo das cobranças, Romelu Lukaku não está muito atrás.
Maior artilheiro da história da seleção, o atacante também vem sendo questionado pela falta de impacto nas partidas disputadas até agora. Os torcedores esperam mais presença ofensiva, mais liderança e, principalmente, mais gols.
Por muitos anos, a parceria entre Lukaku e De Bruyne foi responsável pelos melhores momentos da Bélgica em competições internacionais. Hoje, porém, a dupla vive uma situação bem diferente.
Em vez de carregar a equipe nas costas, os dois veteranos tentam provar que ainda podem liderar um grupo que parece cada vez mais dependente de uma renovação.
A partida contra a Nova Zelândia pode representar uma oportunidade importante para ambos responderem às críticas dentro de campo.
Ataque produz, mas a bola não entra
Um dos aspectos mais preocupantes para os belgas tem sido a falta de eficiência ofensiva.
Contra o Irã, a equipe finalizou 23 vezes, controlou boa parte das ações da partida e criou oportunidades suficientes para sair com a vitória. Ainda assim, terminou o jogo sem balançar as redes.
O desempenho gerou uma onda de críticas e comentários irônicos nas redes sociais e nos programas esportivos do país.
Entre as reações mais comentadas esteve a de Zlatan Ibrahimovic, atualmente analista de televisão. Sem economizar no sarcasmo, o ex-atacante resumiu a atuação belga com uma frase que rapidamente repercutiu entre os torcedores.
Segundo Ibrahimovic, ele quase dormiu durante o primeiro tempo da partida contra o Irã e acabou dormindo no segundo.
A declaração pode ter sido exagerada, mas ilustra o sentimento de frustração em torno de uma seleção que cria situações de perigo, mas não consegue transformá-las em gols.
Doku retorna e traz esperança para a Bélgica
Em meio ao cenário de preocupação, uma notícia positiva trouxe algum alívio ao elenco.
Jérémy Doku retornou à concentração após acompanhar o nascimento de seu filho. O atacante realizou uma viagem rápida e já voltou a ficar à disposição da comissão técnica para a sequência da Copa do Mundo.
A expectativa é que sua velocidade e capacidade de quebrar linhas ofereçam uma alternativa para um setor ofensivo que tem encontrado dificuldades para desequilibrar os adversários.
Doku é visto como uma das principais armas da nova geração belga e pode desempenhar papel fundamental justamente no momento em que os veteranos atravessam uma fase de questionamentos.
Última chance da Bélgica de De Bruyne para reagir
A Bélgica de De Bruyne sabe que não pode mais desperdiçar oportunidades. Os dois empates anteriores reduziram a margem de erro e transformaram o duelo contra a Nova Zelândia em uma verdadeira final.
Mais do que garantir a classificação, os Diabos Vermelhos precisam recuperar a confiança e mostrar que ainda possuem condições de competir com as principais seleções do torneio. E poucas histórias serão observadas com tanta atenção quanto a de Kevin De Bruyne.
Possivelmente disputando sua última Copa do Mundo, o meia tem diante de si a oportunidade de responder às críticas e mudar a narrativa construída nas últimas semanas. O craque já foi o grande símbolo dos melhores momentos da Bélgica. Agora, em um dos capítulos mais desafiadores de sua carreira internacional, terá a missão de provar que ainda pode ser o jogador capaz de conduzir os Diabos Vermelhos quando eles mais precisam.
Foto: FIFA


