A Ferrari virou o principal assunto dos bastidores da Fórmula 1 na chegada da categoria às colinas da Estíria para o GP da Áustria deste fim de semana. A equipe italiana desembarca embalada pela primeira vitória da temporada, conquistada por Lewis Hamilton em Barcelona, e também levando sua primeira atualização da unidade de potência, acompanhada de um novo combustível desenvolvido em parceria com a Shell, na tentativa de seguir pressionando a Mercedes, que dita o ritmo do campeonato. Mas, além disso, havia várias outras histórias chamando atenção no paddock.
A vitória impressionante de Hamilton em Barcelona não representou apenas mais um passo na retomada do heptacampeão nesta temporada, mas também reforçou a ideia de que a Ferrari está pronta para lutar de verdade em 2026. Na Espanha, a escuderia acertou na preparação, na estratégia e no desempenho com um carro fortemente atualizado.
Ao chegar à Áustria, onde terminou em terceiro e quarto lugares no ano passado, atrás das duas McLaren, a Ferrari naturalmente evita empolgação exagerada. Ainda assim, nos bastidores, está claro que a equipe continua pressionando forte no desenvolvimento do carro para seguir viva na disputa.
Neste fim de semana, a escuderia introduz uma atualização na unidade de potência como parte da sua cota de ADUO de 2026, sigla para Additional Development and Upgrade Opportunities. O chefe dos motores, Enrico Gualtieri, descreveu a novidade como “relativamente pequena”, mas a expectativa é que ela ofereça um ganho de potência.
“Vir aqui com nosso primeiro passo do lado do motor é um pequeno passo, mas vamos aproveitá-lo”, disse Hamilton na quinta-feira, em uma longa conversa de quase 20 minutos com a imprensa televisiva. “É tudo uma questão de colocar um pé na frente do outro.”
A Ferrari também recebe um reforço do ponto de vista do combustível sustentável, com a Shell trazendo um produto atualizado para a etapa austríaca, em sintonia com a melhora aplicada à unidade de potência.
Hamilton mantém os pés no chão diante das conversas sobre uma possível disputa por um oitavo título mundial, o que seria um recorde, especialmente por causa da força demonstrada pela Mercedes até aqui. Ainda assim, ele não descartou essa possibilidade. “A Mercedes ainda é a equipe a ser batida. Eles venceram todo o resto e têm sido incríveis neste ano”, afirmou.
“Eles têm um ótimo carro, uma equipe fantástica, uma equipe campeã do mundo, então temos uma batalha real pela frente. Vai ser preciso o esforço de todos durante o restante do ano para sequer chegar perto de competir com eles, mas eu não acho que seja impossível.” contou Hamilton.
Seu companheiro Charles Leclerc também não pode ser descartado, já que receberá as mesmas atualizações na unidade de potência.
É verdade que ele não vive sua melhor sequência e abandonou os últimos dois Grandes Prêmios. Mas, em Barcelona, também teve um avanço importante em relação aos freios. O monegasco chegou a brincar com seus engenheiros depois do primeiro treino livre, dizendo que aquela havia sido a primeira sessão em algum tempo em que ele mal havia mencionado o assunto no rádio.
Leclerc já foi forte na Áustria em outras ocasiões, vencendo no circuito em 2022. Agora, com a sensação recuperada nos freios, seu foco está em ter um “fim de semana limpo” e, no mínimo, voltar ao pódio.
Red Bull aposta alto em sua corrida em casa
A Red Bull tem um retrospecto muito bom no Red Bull Ring, com quatro vitórias nas últimas oito edições do Grande Prêmio da Áustria. Mas a equipe chega à sua corrida em casa tendo perdido um pouco de terreno para Mercedes, Ferrari e McLaren.
Na tentativa de reagir, a equipe da fabricante de energéticos preparou uma atualização de peso para este fim de semana, focada em reduzir quilos e aproximar o carro do limite mínimo de peso.
Na última vez em que levou um grande pacote de atualizações, em Miami, a Red Bull conseguiu cortar a diferença para os rivais em vários décimos de segundo em termos de desempenho relativo. Por isso, a esperança é dar mais um passo semelhante agora.
Ao mesmo tempo, a equipe sabe que seus adversários também não estão parados. “Espero que, claro, seja um pouco melhor, é isso que estamos buscando”, disse o tetracampeão Max Verstappen. “Esperamos que isso traga um pouco mais de desempenho para o carro, e então veremos onde isso nos coloca em relação aos outros, mas essa tem sido a história da temporada.”
“Em uma semana, uma equipe traz atualizações, e na seguinte outra equipe faz o mesmo. Acho que é um processo normal.” , conclui Verstappen.
McLaren testa novidade; Mercedes busca um fim de semana limpo
A McLaren é a mais recente equipe a revelar uma asa do tipo “flip-flop”, conceito apresentado inicialmente pela Ferrari ainda nos testes de pré-temporada no Bahrein. No entanto, a equipe de Woking usará a novidade apenas nos treinos de sexta-feira, como parte de um teste.
Lando Norris deve utilizar a asa traseira “experimental” nas duas sessões de treinos livres da sexta, antes de ela ser retirada do carro para o restante do fim de semana. Os dados coletados serão analisados com vistas a uma possível utilização em corrida mais adiante na temporada.
A McLaren mostrou melhora de desempenho na Espanha e conquistou uma dobradinha na Áustria no ano passado. Embora não vá correr com a nova asa traseira, a equipe também trouxe algumas atualizações “menores”.
Mesmo assim, acredita que ainda existe uma diferença para as duas equipes da frente, Mercedes e Ferrari, e por isso não espera lutar pela vitória apenas em ritmo puro. “Ainda estamos bem atrás em desempenho”, disse Norris. “Acho que está claro que Ferrari e Mercedes ainda estão bem à frente. Tivemos sorte porque outros pilotos não maximizaram suas oportunidades ou porque algumas pessoas abandonaram, como aconteceu conosco ao longo de toda a temporada.”
“Ainda estamos bem atrás, mas talvez possamos estar em posição de aproveitar um pequeno erro de alguém à frente. Essa é a posição que podemos alcançar por enquanto. Precisamos garantir que isso se repita neste fim de semana.” , finaliza Norris.
Já a Mercedes segue como referência de 2026, mas vem enfrentando uma fase um pouco mais turbulenta. A equipe não conseguiu levar os dois carros até a bandeirada em nenhum dos últimos três fins de semana de Grande Prêmio, à medida que problemas de confiabilidade começaram a aparecer.
George Russell admitiu que a etapa da Espanha serviu como um “choque de realidade” em termos de desempenho. Ele destacou o ótimo chassi da Ferrari e o fato de que a equipe italiana, assim como a McLaren, conseguiu levar várias atualizações aerodinâmicas ao longo do ano, enquanto a Mercedes trouxe apenas uma até aqui.
Por outro lado, o Red Bull Ring é um circuito sensível à potência, e a sensação é de que a unidade de potência da Mercedes será forte neste fim de semana. Assim, se Russell, que pareceu recuperar o ritmo na Espanha, e o líder do campeonato Kimi Antonelli tiverem um carro confiável, a equipe pode novamente brigar na frente.
Antonelli acredita que a disputa no topo será muito apertada e, se esse for o cenário, a Mercedes será sensata na forma como administrará a corrida entre ele e Russell. Mas, se a luta ficar restrita aos dois companheiros de equipe, ele afirma que nada muda: ambos seguirão livres para disputar posição.
“Vai ser uma luta muito apertada com todas as outras equipes, porque a Ferrari está em grande forma, a Red Bull está trazendo grandes atualizações e o Max sempre foi muito forte aqui”, disse o jovem piloto.
“Além disso, a McLaren também tem estado lá em cima, então acho que vai ser tudo muito apertado, mas estou realmente ansioso.” contou Kimi.
“Como vamos correr? Acho que vai depender muito da situação. Se estivermos sob ameaça de outras equipes, vamos correr de uma forma diferente. Mas, se for apenas eu e ele [Russell], vamos poder disputar livremente.” finaliza Kimi.
Futuro de Alonso vira assunto no paddock
Na Aston Martin, o nome em pauta é Fernando Alonso. A equipe quer que o espanhol continue além do fim desta temporada, e tudo indica que isso deve acontecer. O que ainda não está claro é se ele seguirá ao volante ou se permanecerá ligado ao time em outra função. “Quero ganhar um campeonato mundial com a Aston Martin, dirigindo ou não”, disse Alonso. “Esse continua sendo o meu compromisso.”
A expectativa é que ele tome uma decisão sobre o próprio futuro durante o verão europeu, justamente no período em que a Aston Martin pretende estrear uma atualização significativa.
A equipe britânica optou por não desenvolver gradualmente o carro que estreou na primeira etapa, na Austrália, com pequenas modificações. Em vez disso, preferiu concentrar esforços em um carro bastante reformulado, essencialmente uma versão B do projeto atual. Ao mesmo tempo, a Honda trabalha em uma atualização própria, dentro da cota de ADUO, também prevista para ser introduzida durante o verão.
Ainda não está claro se qualquer uma dessas novidades estará pronta antes da pausa de verão ou se só aparecerá quando a temporada retornar, no fim de agosto, com a etapa da Holanda.
Foto: (Scuderia Ferrari)