Quando se fala na Espanha como candidata ao título da Copa do Mundo, o primeiro nome que aparece quase sempre é o de Lamine Yamal. O jovem virou símbolo da nova geração espanhola e concentra boa parte das expectativas em torno da seleção comandada por Luis de la Fuente. Mas reduzir a campanha espanhola apenas ao talento do atacante seria ignorar um dos principais pontos fortes desta equipe. Em um torneio longo, desgastante e ainda maior por causa do novo formato, nenhuma seleção chega longe dependendo de apenas um jogador.
São mais partidas, possibilidade de prorrogação nas fases eliminatórias, viagens constantes e desgaste físico acumulado. Por isso, além do brilho de Yamal, a Espanha acredita que sua maior arma está justamente no elenco.
Na conquista da Eurocopa de 2024, Luis de la Fuente utilizou todos os jogadores de linha disponíveis durante os sete jogos da campanha. A ideia segue sendo a mesma na Copa do Mundo: ter um grupo preparado para responder quando for necessário. Em competições desse porte, muitas vezes o jogador decisivo não é necessariamente o protagonista esperado, mas alguém que aproveita o momento certo para aparecer.
Oyarzabal mostra que Espanha tem soluções além da principal estrela
Se existe um exemplo recente que resume bem essa filosofia espanhola, ele atende pelo nome de Mikel Oyarzabal. Na Euro de 2024, o atacante teve um papel diferente do protagonismo tradicional. Participou de todos os jogos, mas começou como titular apenas uma vez antes da final. Mesmo assim, foi justamente dele o gol que decidiu o título diante da Inglaterra — e aquele foi seu único gol em toda a competição.
Desde então, Oyarzabal continuou acumulando atuações importantes pela seleção. Mesmo sem receber o mesmo reconhecimento internacional de atacantes como Mbappé ou Harry Kane, o jogador chega respaldado por uma boa temporada na Real Sociedad e por um histórico extremamente eficiente com a camisa da Espanha. Existe quem diga que falta à equipe um camisa 9 de elite absoluta, mas internamente a percepção parece diferente. Oyarzabal oferece exatamente aquilo que a comissão técnica procura: presença em jogos grandes, inteligência tática e capacidade de decidir quando o momento exige.

Versatilidade ofensiva amplia as opções de Luis de la Fuente
Uma das mudanças mais importantes na carreira de Oyarzabal aconteceu nos últimos anos. Durante boa parte da trajetória, ele atuou aberto pelos lados do campo. Agora, passou a exercer uma função mais centralizada, atuando como referência ofensiva sem perder mobilidade. Esse ajuste permite que ele ataque profundidade, recue para participar da construção e também apareça pelos corredores quando necessário.
Essa movimentação ganha ainda mais importância porque muitas equipes acabam direcionando atenção extra para Lamine Yamal. Com isso, surgem espaços que jogadores inteligentes conseguem aproveitar. Na vitória contra a Arábia Saudita, Oyarzabal deu mais um exemplo disso ao participar diretamente dos gols ainda no primeiro tempo, terminando a partida com dois gols e uma assistência e reforçando que a Espanha possui alternativas ofensivas além da sua principal estrela.
Além dele, a Espanha ainda conta com opções diferentes para o ataque. Ferran Torres continua sendo uma peça valorizada pela comissão técnica, mesmo sem ter sido tão eficiente nas finalizações quando entrou naquela partida. Já Borja Iglesias oferece um perfil completamente diferente: menos conhecido internacionalmente, mas com características físicas que podem ser úteis em jogos específicos do mata-mata, principalmente para disputar espaço com zagueiros e oferecer jogo direto.
Sistema defensivo reforça candidatura espanhola ao título
Tradicionalmente, quando se fala em Espanha, o destaque costuma ficar com posse de bola e qualidade ofensiva. Mas um dos sinais mais fortes deste time está justamente na defesa. Até aqui, a seleção ainda não sofreu gols no torneio e transmite uma sensação de controle que vai além dos resultados.
Claro que desafios maiores virão pela frente, mas existe confiança de que a estrutura defensiva seja forte o suficiente para sustentar uma campanha longa. No gol, Unai Simón continua sendo peça central. A experiência acumulada em grandes competições e a liderança dentro do elenco ajudam a explicar por que ele segue como titular mesmo diante da concorrência de nomes importantes.
Na linha defensiva, Aymeric Laporte aparece como outra figura importante, enquanto Rodri continua sendo um dos pilares do funcionamento coletivo. Sua influência vai além da marcação: o volante controla ritmo, organiza a saída de bola e conecta defesa e ataque praticamente o tempo inteiro. Muito da segurança defensiva espanhola passa diretamente pela capacidade de manter a posse e impedir que os adversários tenham espaço para acelerar.
Pressão alta continua sendo marca registrada da seleção
Uma característica que continua definindo o estilo da Espanha é a intensidade na recuperação da posse. Quanto mais tempo controla o jogo, mais confortável o time se sente. Contra Cabo Verde, houve momentos em que a equipe precisou recorrer mais às faltas para interromper transições e perdeu parte da fluidez. Já diante da Arábia Saudita, o cenário foi diferente.
A Espanha recuperou a bola mais perto da área adversária e conseguiu reduzir espaços para contra-ataques. Esse comportamento exige risco porque coloca muitos jogadores no campo ofensivo, mas também explica boa parte da superioridade espanhola até aqui. Quando a pressão funciona, o time consegue transformar recuperação de bola em ataque rapidamente.
Grupo unido e confiança no treinador fortalecem a Espanha
Outro ponto considerado decisivo dentro da seleção é a relação entre elenco e comissão técnica. Boa parte dos jogadores trabalha com Luis de la Fuente desde as categorias de base da Espanha, criando um ambiente de confiança que pode fazer diferença em momentos difíceis.
Ao longo de uma Copa do Mundo, nenhuma equipe consegue manter nível máximo em todos os jogos e o empate contra Cabo Verde serviu como exemplo disso. O importante para os espanhóis foi a reação imediata na partida seguinte. Existe a sensação de que o grupo ainda está evoluindo. A conquista da Euro trouxe confiança, mas o entendimento interno é que a equipe continua crescendo técnica e fisicamente.
Alguns jogadores chegaram ao torneio ainda recuperando ritmo ideal, entre eles o próprio Lamine Yamal. A Espanha reconhece que é melhor com ele em campo, mas também acredita que, para levantar a taça, será preciso muito mais do que depender de uma única estrela.
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