O empate por 3 a 3 entre Argélia e Áustria foi um dos jogos mais emocionantes da última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo. Em um confronto que terminou com as duas seleções classificadas às 16 avos de final, o placar mostrou equilíbrio, mas a forma como cada equipe construiu seu resultado revelou características bem diferentes. Enquanto a Áustria voltou a depender da qualidade coletiva e da experiência de seus principais jogadores, a Argélia encontrou no talento individual de seus craques a solução para permanecer viva no torneio.
Agora, com a Áustria tem pela frente a Espanha e a Argélia encarando a Suíça, ambas chegam ao mata-mata sabendo exatamente quais são seus pontos fortes e quais armas precisarão utilizar para continuar fazendo história na competição.
Alaba lidera uma geração austríaca capaz de decidir os grandes jogos

Muito se fala da segurança defensiva de David Alaba, mas contra a Argélia o zagueiro mostrou que sua influência vai muito além da última linha.
Foi dele o passe que abriu o caminho para o primeiro gol austríaco. Ainda no campo de defesa, Alaba enxergou a movimentação de Arnautovic e executou um lançamento preciso, quebrando completamente a linha defensiva adversária. O atacante dominou com liberdade e abriu o placar da partida.
A assistência foi apenas o reflexo de uma atuação extremamente qualificada com a bola nos pés.
Alaba terminou o confronto com 50 passes, sendo 20 deles no campo ofensivo. O mais impressionante é a precisão: acertou 19 desses 20 passes no setor de ataque, mostrando que, mesmo atuando como zagueiro, participa ativamente da construção ofensiva da equipe.
Além disso, tentou duas bolas longas durante todo o jogo e acertou ambas. Uma delas terminou diretamente na assistência para Arnautovic.
Esses números ajudam a explicar por que a Áustria consegue iniciar tantos ataques desde sua defesa. Alaba não apenas protege sua área, mas também acelera a transição ofensiva e encontra espaços que poucos defensores conseguem enxergar.
Mas ele não foi o único protagonista.
Laimer e Sabitzer também mostraram a importância dos jogadores mais experientes da seleção. O segundo gol austríaco resumiu perfeitamente essa qualidade técnica. Laimer encontrou um excelente passe para Sabitzer, que finalizou de primeira e recolocou a equipe em vantagem.
Já Arnautovic voltou a demonstrar uma característica que o acompanha durante toda a carreira: o posicionamento. O atacante atacou o espaço no momento certo para aproveitar o lançamento de Alaba e abrir o marcador.
O confronto deixou uma mensagem importante para a próxima fase.
Contra a Espanha, uma das grandes favoritas ao título mundial, a Áustria dificilmente terá muitas oportunidades para atacar. Quando elas aparecerem, será fundamental que seus principais jogadores repitam o nível apresentado diante da Argélia.
Alaba precisará continuar sendo o primeiro organizador da equipe. Laimer e Sabitzer terão enorme responsabilidade para controlar o meio-campo diante da qualidade espanhola. Já Arnautovic continuará sendo a principal referência para transformar poucas oportunidades em gols.
Se a Áustria quiser sonhar com uma classificação histórica, seus líderes precisarão novamente assumir o protagonismo.
A força da Argélia está na capacidade de seus craques resolverem o jogo

Se a Áustria mostrou um coletivo muito bem estruturado, a Argélia voltou a provar que seu maior diferencial está na qualidade individual de seus principais jogadores.
Ao longo da Copa do Mundo, a seleção africana ainda não apresentou o mesmo equilíbrio tático de outras equipes classificadas. Em alguns momentos encontra dificuldades para controlar a posse de bola e organizar suas ações ofensivas, mas consegue compensar essas limitações graças ao talento de atletas capazes de decidir partidas praticamente sozinhos.
O maior exemplo foi Mahrez.
O camisa 7 foi o grande nome do confronto ao marcar dois gols decisivos. Além da eficiência nas finalizações, mostrou novamente toda sua capacidade de conduzir a bola em espaços curtos, vencer marcadores no um contra um e provocar faltas próximas à área, criando oportunidades importantes em bolas paradas.
Os números reforçam sua eficiência. Mahrez acertou três finalizações no alvo e marcou dois gols, desempenho que evidencia sua tranquilidade para concluir as jogadas nos momentos mais decisivos.
Se Mahrez foi o responsável por concluir as jogadas, Aouar foi quem organizou praticamente todas elas.
No segundo gol, o meio-campista realizou uma excelente jogada individual pela esquerda, passou pela marcação e encontrou Mahrez completamente livre para empatar a partida.
Já no terceiro gol, quando a Argélia surpreendeu a Áustria nos acréscimos, foi novamente Aouar quem enxergou um passe que poucos jogadores seriam capazes de executar. Com uma bola quebrando completamente as linhas da defesa austríaca, deixou Mahrez cara a cara com o goleiro para marcar.
Belghali também teve papel importante.
O lateral mostrou personalidade ofensivamente, driblou um defensor e finalizou entre dois adversários para marcar um belo gol, demonstrando confiança e qualidade técnica.
Esses lances mostram uma característica marcante da Argélia nesta Copa do Mundo: quando o jogo coletivo encontra dificuldades, a equipe consegue sobreviver graças ao talento individual de seus principais jogadores.
Essa característica pode voltar a ser decisiva nas 16 avos de final.
A Suíça chega como uma seleção organizada, disciplinada defensivamente e acostumada a conceder poucos espaços aos adversários. Diante de um cenário assim, construir jogadas longas e envolver a defesa suíça pode ser uma tarefa complicada para a Argélia.
Por isso, o talento individual de Mahrez, Aouar e Belghali ganha ainda mais importância. Uma arrancada, um drible ou um passe rompendo linhas pode ser exatamente o diferencial necessário para quebrar uma defesa sólida e manter vivo o sonho argelino.
Se esses jogadores repetirem o nível apresentado diante da Áustria, a Argélia terá motivos para acreditar que uma classificação histórica para as oitavas de final é possível. Afinal, em torneios eliminatórios, muitas vezes basta um momento de inspiração para mudar completamente o destino de uma seleção.
(Foto de capa: FIFA)