Portugal, Copa do Mundo 2026. Foto: Ronaldo Schemidt/AFP
Copa do Mundo

Portugal chega ao mata-mata cercado de dúvidas após atuação apagada contra a Colômbia

Portugal entrou na Copa do Mundo carregando o rótulo de um dos grandes favoritos ao título. Com um elenco repleto de jogadores que atuam nos principais clubes da Europa, a expectativa era de uma campanha dominante na fase de grupos. No entanto, o empate sem gols diante da Colômbia, na última rodada do Grupo K, mudou parte dessa percepção. Apesar da classificação para as 16 avos de final, a equipe de Roberto Martínez terminou a primeira fase cercada de dúvidas e agora terá pela frente um dos confrontos mais difíceis do mata-mata: a Croácia.

O resultado mostrou que Portugal ainda está distante do futebol esperado de uma seleção candidata ao título. Durante boa parte da partida, quem controlou as ações foi a Colômbia, que criou oportunidades suficientes para vencer o confronto, mas desperdiçou todas elas. A atuação portuguesa acabou sendo sustentada principalmente por Diogo Costa, que evitou uma derrota com intervenções importantes.

Portugal dependeu do goleiro e mostrou dificuldades contra uma seleção de alto nível

Diego Costa portugal
Foto: FIFA

O empate sem gols esconde um jogo bastante desigual.

A Colômbia terminou a partida com 26 finalizações, exatamente o dobro das 13 registradas por Portugal. Além disso, obrigou Diogo Costa a realizar diversas defesas importantes e ainda viu uma bola ser salva praticamente em cima da linha. Enquanto isso, Portugal conseguiu acertar apenas duas finalizações na direção do gol colombiano durante os 90 minutos.

Muito foi falado sobre o forte calor em Miami como justificativa para o desempenho abaixo do esperado. As altas temperaturas realmente dificultaram o ritmo da partida, mas esse argumento perde força quando se observa o outro lado do campo. A Colômbia enfrentou exatamente as mesmas condições climáticas e, ainda assim, foi mais intensa, pressionou durante praticamente todo o jogo e criou muito mais oportunidades.

A estratégia adotada por Roberto Martínez também gerou questionamentos. A intenção era controlar a posse de bola e diminuir o ritmo da partida, mas o efeito foi justamente o contrário. Portugal passou grande parte do confronto defendendo e permitiu que a Colômbia comandasse as ações ofensivas.

A seleção encerrou a fase de grupos invicta, mas sua única atuação realmente convincente aconteceu diante do Uzbequistão. Contra adversários de maior qualidade, o rendimento caiu de forma significativa, levantando dúvidas sobre até onde essa equipe pode chegar.

Agora o desafio será muito maior. A Croácia costuma crescer em competições eliminatórias, possui uma equipe experiente e dificilmente oferece os espaços que Portugal encontrou em sua melhor atuação na fase de grupos.

Cristiano Ronaldo ainda desperta confiança, mas o desafio aumenta no mata-mata

Cristiano Ronaldo Portugal
Foto: Rico Brouwer/Soccrates/Getty Images

A campanha de Cristiano Ronaldo também resume bem os altos e baixos portugueses.

Na estreia diante da RD Congo, teve participação discreta e saiu sem marcar. No segundo jogo, respondeu com dois gols contra o Uzbequistão e entrou para a história como o primeiro jogador a marcar em seis edições diferentes da Copa do Mundo.

Contra a Colômbia, porém, voltou a encontrar dificuldades.

Enfrentando uma defesa organizada, Ronaldo praticamente não conseguiu criar oportunidades claras durante toda a partida. Aos 40 anos, é natural que um atacante encontre mais obstáculos diante de sistemas defensivos de alto nível, especialmente em uma competição tão exigente quanto a Copa do Mundo.

Mesmo assim, nada indica que Roberto Martínez pretenda alterar seus planos. O treinador já demonstrou total confiança no camisa 7 e deve mantê-lo como titular durante toda a fase eliminatória.

O problema é que, daqui para frente, os desafios aumentam. O mata-mata não oferece adversários com as fragilidades defensivas do Uzbequistão. A tendência é que Portugal enfrente equipes organizadas, experientes e capazes de neutralizar seus principais jogadores, exatamente como fez a Colômbia.

Enquanto Portugal preocupa, Colômbia e RD Congo saem fortalecidas

Se Portugal deixou Miami pressionado, a Colômbia saiu muito fortalecida.

A equipe comandada por Néstor Lorenzo terminou na liderança do Grupo K e apresentou um futebol consistente durante toda a fase de grupos. James Rodríguez comandou o meio-campo com a experiência de quem disputa sua terceira Copa do Mundo, enquanto Luis Díaz foi uma ameaça constante pelo lado esquerdo.

O único ponto que ainda preocupa é a eficiência ofensiva. Apesar das 26 finalizações contra Portugal, a seleção não conseguiu balançar as redes. Em confrontos eliminatórios, desperdiçar tantas oportunidades pode custar caro.

Mesmo assim, terminar na liderança do grupo proporcionou um caminho teoricamente mais acessível nas 16 avos de final.

Outra seleção que deixou a rodada com motivos para comemorar foi a RD Congo.

A vitória por 3 a 1 sobre o Uzbequistão garantiu aos africanos uma vaga entre os melhores terceiros colocados, assegurando a primeira classificação da história do país para a fase eliminatória de uma Copa do Mundo. De volta ao torneio após mais de cinco décadas, a última participação havia sido em 1974, quando ainda competia como Zaire, os Leopardos escreveram um dos capítulos mais marcantes desta edição.

Enquanto Colômbia e RD Congo chegam ao mata-mata impulsionadas pelo desempenho na fase de grupos, Portugal vive um cenário diferente. A classificação foi conquistada, mas as atuações deixaram dúvidas importantes. O confronto contra a Croácia será a primeira grande oportunidade para mostrar que a equipe realmente tem condições de justificar o status de candidata ao título mundial.

(Foto de capa: Ronaldo Schemidt/AFP)

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Kaique