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EUA deixam empolgação da fase de grupos para trás e tratam mata-mata da Copa como teste definitivo

Os EUA fizeram uma fase de grupos de Copa do Mundo capaz de empolgar qualquer torcedor. A equipe garantiu a liderança da chave com antecedência, marcou oito gols, um recorde da seleção em uma única edição do torneio e criou um ambiente de enorme confiança dentro e fora de campo. Mas, internamente, o discurso é bem diferente da euforia vista nas arquibancadas.

No entendimento dos jogadores, nada do que foi construído até aqui terá peso se os EUA não conseguirem finalmente dar um passo além no mata-mata. O primeiro desafio será diante da Bósnia e Herzegovina, na quarta-feira, pela inédita fase de 32 avos de final criada após a expansão da Copa para 48 seleções.

Para o atacante Folarin Balogun, a avaliação é simples: uma boa campanha na fase de grupos não basta.

“Não sou alguém que vai olhar para trás e pensar que fizemos um bom trabalho. Essa não é minha mentalidade. Estou pensando apenas em quarta-feira e em vencer”, afirmou o camisa 9.

Boa campanha ainda não apaga histórico complicado

Apesar da evolução apresentada nos últimos anos, os EUA ainda carregam um retrospecto modesto quando o assunto é mata-mata de Copa do Mundo.

Em quase um século de história da competição, os EUA venceram apenas um confronto eliminatório. A classificação aconteceu em 2002, quando derrotaram o México nas oitavas de final da Copa disputada na Coreia do Sul e no Japão.

Depois disso, vieram eliminações que deixaram a sensação de oportunidade desperdiçada.

Em 2010, a equipe caiu para Gana na prorrogação. Quatro anos depois, fez jogo histórico contra a Bélgica, mas acabou derrotada também no tempo extra, muito por conta da atuação inspirada do goleiro Tim Howard, que evitou uma goleada. Já em 2022, os EUA voltaram às oitavas, mas não conseguiram superar a Holanda.

Agora, com o novo formato da Copa do Mundo, existe uma etapa a mais antes das oitavas. A Bósnia aparece como um adversário teoricamente mais acessível do que os rivais enfrentados em campanhas anteriores, mas ainda representa outro desafio europeu.

E justamente contra seleções do continente o retrospecto dos EUA preocupa.

Desde 1990, os EUA venceram apenas um jogo contra europeus em Copas do Mundo: o surpreendente triunfo sobre Portugal na estreia do Mundial de 2002. Desde então, a equipe acumula 13 partidas consecutivas sem vitória diante de seleções da Europa.

Fator casa aumenta a expectativa dos EUA

Desta vez, porém, o contexto é bastante diferente.

Além de atuar em casa, os EUA chegam embalados pela confiança construída durante a fase de grupos e por um elenco muito mais experiente do que o que disputou a Copa de quatro anos atrás.

Na edição anterior, apenas um jogador havia participado de um Mundial antes. Agora, praticamente metade do grupo já conhece a pressão de disputar a principal competição do futebol.

O lateral Sergiño Dest acredita que essa experiência pode fazer diferença justamente nos momentos decisivos.

“Estamos todos um pouco mais velhos. Temos jogadores muito mais experientes neste momento. Também chegaram atletas novos, mas sinto que todos estão muito confiantes. Ganhar os dois primeiros jogos e terminar em primeiro no grupo aumenta ainda mais essa confiança. Temos muita convicção de que podemos conseguir”, destacou.

Caso eliminem a Bósnia, os EUA enfrentarão nas oitavas de final o vencedor do duelo entre Bélgica e Senegal.

Mauricio Pochettino conseguiu preservar os titulares

Outro ponto considerado importante para o mata-mata foi o planejamento feito pelo técnico Mauricio Pochettino.

Como a liderança do Grupo D foi confirmada ainda antes da última rodada, o treinador aproveitou o confronto contra a Turquia para poupar boa parte dos titulares.

O resultado foi uma equipe dos EUA que chega mais descansada para o primeiro jogo eliminatório.

O volante Weston McKennie foi o único atleta a iniciar os três compromissos da fase de grupos. Ao todo, apenas sete jogadores participaram das três partidas, enquanto praticamente todo o elenco recebeu minutos importantes.

Essa estratégia também ajudou a reduzir o desgaste físico em um calendário extremamente apertado, algo que costuma fazer diferença conforme a competição avança.

Pulisic volta a ganhar força

A principal notícia positiva para os EUA atende pelo nome de Christian Pulisic.

Principal estrela da equipe, o atacante não começou como titular desde a goleada por 4 a 1 sobre o Paraguai, na estreia, por causa de um problema na panturrilha.

Mesmo assim, mostrou que está recuperando ritmo ao entrar durante o segundo tempo contra a Turquia. Em pouco mais de meia hora em campo, foi um dos jogadores mais perigosos da equipe, criando oportunidades e participando das principais jogadas ofensivas.

A expectativa é que ele retorne ao time titular justamente no momento mais importante da campanha.

Departamento médico ainda monitora alguns nomes

Nem tudo, porém, são boas notícias.

O zagueiro Auston Trusty sofreu uma lesão no tornozelo esquerdo durante o confronto contra a Turquia e segue sendo acompanhado pelo departamento médico.

Outro que preocupa é o volante Cristian Roldan, que continua tratando uma lesão no quadríceps e sequer treinou normalmente durante a última semana.

Já o defensor Mark McKenzie foi preservado de uma atividade por conta de uma irritação no pé, embora a comissão técnica espere contar normalmente com ele na sequência da preparação.

Enquanto isso, Chris Richards, Tim Ream e Alex Freeman seguem como as principais opções da defesa.

Confiança existe, mas clima agora é de decisão

Se durante a fase de grupos o ambiente era leve e descontraído, o elenco admite que o clima mudou completamente.

A proximidade do mata-mata trouxe naturalmente outro nível de concentração. Afinal, agora não existe margem para erro: perdeu, está eliminado.

Balogun resumiu bem essa mudança de postura dentro do grupo.

“Sinto a diferença na atmosfera. Agora é futebol de mata-mata. Se perder, você vai para casa. Isso muda minha mentalidade também. Não significa que eu não levava os jogos anteriores a sério, mas agora você entra em outro nível, porque quer ainda mais. Eu não quero que essa jornada termine.”

Os EUA sabem que fizeram uma excelente primeira fase e devolveram o entusiasmo ao torcedor, que voltou a acreditar em uma campanha histórica jogando em casa. No entanto, dentro do elenco, ninguém quer ser lembrado apenas pelo bom desempenho na fase de grupos.

O verdadeiro teste começa agora. Se os Estados Unidos pretendem provar que pertencem ao grupo das principais forças do futebol mundial, chegou o momento de transformar promessa em resultado. Afinal, em Copa do Mundo, a memória costuma guardar muito mais quem vence o mata-mata do que quem brilhou apenas nos primeiros capítulos da competição.

Foto: Jamie Squire via Getty Images