Virgil van Dijk sabe que a Copa do Mundo entrou no momento em que não há mais espaço para erros. Se na fase de grupos o brilho costuma ficar com os atacantes e os muitos gols, no mata-mata a história costuma ser diferente. É justamente nesse cenário que o capitão da Holanda ganha ainda mais importância. Para Olivier Giroud, campeão mundial com a França em 2018, o zagueiro segue sendo um dos melhores defensores do planeta e pode ser o principal responsável por levar os holandeses a uma campanha histórica.
O experiente atacante francês acredita que nenhuma seleção conquista uma Copa do Mundo sem uma defesa sólida. Por isso, na visão de Giroud, Virgil van Dijk representa muito mais do que um simples zagueiro: ele é o líder técnico e emocional de uma equipe que sonha em voltar a disputar uma final de Mundial depois de 16 anos.
Virgil van Dijk lidera uma das defesas mais fortes da Copa
Até aqui, a Copa do Mundo chamou atenção pela quantidade de gols marcados. No entanto, para Giroud, a tendência é que esse cenário mude conforme a competição avança.
Segundo o atacante, os confrontos eliminatórios costumam ser mais equilibrados, com menos espaços e margem mínima para erros. Nessa situação, equipes organizadas defensivamente acabam levando vantagem.
É justamente por isso que Virgil van Dijk desperta tanta confiança. O capitão comanda uma linha defensiva que também conta com Denzel Dumfries, Jan Paul van Hecke e Micky van de Ven, jogadores que vivem boa fase e oferecem velocidade, força física e segurança.
Na avaliação de Giroud, poucas seleções apresentam um sistema defensivo tão consistente quanto o da Holanda.
Temporada no Liverpool não muda o tamanho de Virgil van Dijk
Embora o Liverpool tenha enfrentado dificuldades recentemente, Giroud acredita que isso não diminui a qualidade de Virgil van Dijk.
Para o francês, o rendimento abaixo do esperado do clube inglês teve influência direta na percepção sobre o zagueiro, mas individualmente ele continua sendo um dos defensores mais completos do futebol.
Além da imposição física, Virgil van Dijk segue impressionando pela leitura de jogo, tranquilidade com a bola nos pés e capacidade de organizar toda a linha defensiva.
Mesmo aos 34 anos, o holandês continua competindo em alto nível contra alguns dos melhores atacantes do mundo, mostrando que experiência também pode fazer a diferença em um torneio tão curto quanto a Copa do Mundo.
Giroud relembra grandes duelos contra Van Dijk
Os confrontos entre Giroud e Virgil van Dijk marcaram diversos jogos da Premier League nos últimos anos.
O francês revelou que o próprio defensor já o chamou de seu “carrasco” por causa dos gols marcados nesses encontros. Apesar da rivalidade, existe respeito mútuo entre os dois jogadores.
Inclusive, Giroud colocou Virgil van Dijk entre os três defensores mais difíceis que enfrentou em toda a carreira, ao lado de Sergio Ramos e Pepe.
O atacante ainda lembrou de uma fotografia bastante conhecida entre seus amigos, em que aparece levando vantagem em uma disputa física contra o holandês.
A imagem, segundo ele, faz sucesso justamente porque foge completamente do padrão.
Giroud brincou que talvez aquela tenha sido apenas uma vitória em dez confrontos diretos contra Virgil van Dijk, já que normalmente é o zagueiro quem leva a melhor nas divididas.
Virgil van Dijk virou o “irmão mais velho” da Holanda
Mais do que a qualidade técnica, Giroud destacou a liderança exercida por Virgil van Dijk dentro da seleção holandesa.
Para ele, o capitão funciona como um verdadeiro “irmão mais velho” do elenco, sendo responsável por orientar os companheiros e transmitir tranquilidade nos momentos de maior pressão.
Essa característica ganha ainda mais importância porque esta pode ser a última oportunidade de Van Dijk disputar uma Copa do Mundo em alto nível.
Com vasta experiência acumulada em grandes competições, o defensor entende perfeitamente o peso de vestir a braçadeira de capitão e sabe que boa parte das expectativas da Holanda passa diretamente por seu desempenho.
A última vez que a seleção holandesa chegou à decisão de um Mundial foi em 2010. Desde então, diferentes gerações tentaram recolocar o país entre os protagonistas do futebol internacional.
Agora, Virgil van Dijk lidera mais uma tentativa de quebrar esse jejum.
Giroud também elogia Antonio Rudiger
Outro defensor citado por Giroud foi Antonio Rudiger.
Companheiro do atacante nos tempos de Chelsea, o alemão recebeu elogios tanto pela qualidade quanto pela intensidade com que joga.
Giroud contou que enfrentar Rudiger até mesmo nos treinamentos era extremamente complicado, já que o zagueiro nunca deixava de disputar cada lance com muita força física e bastante provocação.
Na avaliação do francês, quando está totalmente recuperado fisicamente, Rudiger forma uma excelente dupla defensiva ao lado de Jonathan Tah.
O equilíbrio faz toda a diferença
Mesmo destacando nomes como Van Dijk e Rudiger, Giroud acredita que nenhuma defesa funciona isoladamente.
Segundo ele, o trabalho dos meio-campistas é essencial para proteger os zagueiros.
A Argentina foi utilizada como exemplo por causa da dedicação defensiva do setor de meio-campo, que permite a Lionel Messi preservar energia para criar jogadas ofensivas.
Na Holanda, Frenkie de Jong exerce papel semelhante ao ajudar constantemente Virgil van Dijk na proteção da defesa.
O Brasil também foi lembrado por Giroud graças ao equilíbrio proporcionado por Bruno Guimarães e Casemiro, dupla responsável por dar sustentação ao sistema defensivo.
O francês ainda recordou a campanha da França campeã em 2018, quando N’Golo Kanté, Paul Pogba e Blaise Matuidi formavam um meio-campo extremamente combativo e solidário.
Segundo ele, aquele equilíbrio foi determinante para o título mundial.
Virgil van Dijk chega ao mata-mata como protagonista
A Holanda talvez não apareça entre as favoritas absolutas para conquistar a Copa do Mundo, mas Giroud acredita que a seleção pode surpreender justamente pela consistência apresentada até aqui.
Grande parte dessa confiança está diretamente ligada à presença de Virgil van Dijk.
Seja pela liderança, pela experiência ou pela qualidade técnica, o capitão holandês continua sendo o principal nome da equipe quando o assunto é organização defensiva.
Agora, com o início do mata-mata, Virgil van Dijk terá a missão de mostrar mais uma vez por que é considerado um dos melhores zagueiros de sua geração. Se a Holanda conseguir voltar a disputar uma final de Copa do Mundo depois de tanto tempo, dificilmente isso acontecerá sem que seu camisa 4 tenha protagonizado mais uma atuação digna da fama que construiu ao longo da carreira.
Foto: Reuters