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Pedri recebe críticas de ex-técnico do Barcelona, que aponta erro da Espanha na Copa do Mundo

Pedri chegou à Copa do Mundo cercado de expectativas após mais uma temporada de alto nível pelo Barcelona. No entanto, o meio-campista ainda não conseguiu repetir pela seleção espanhola o futebol que o transformou em uma das principais referências do clube catalão. Para Quique Setién, ex-treinador do Barça, o problema está longe de ser individual: a Espanha simplesmente não está utilizando Pedri da maneira correta.

A seleção comandada por Luis de la Fuente iniciou sua campanha no Mundial sem convencer completamente. O empate diante de Cabo Verde e a vitória apertada sobre o Uruguai levantaram dúvidas sobre o desempenho coletivo, e o rendimento de Pedri acabou entrando no centro das discussões.

Segundo Setién, o camisa 8 encontra muito mais facilidade para desenvolver seu jogo no Barcelona do que na seleção espanhola, principalmente pela maneira como seus companheiros entendem seus movimentos dentro de campo.

Pedri sente diferença entre Barcelona e Espanha

Na visão de Quique Setién, existe uma diferença importante entre o ambiente encontrado por Pedri no Barcelona e o que ele vive atualmente com a Espanha.

O treinador acredita que o meia construiu uma conexão quase automática com seus companheiros no clube catalão. Os jogadores entendem quando acelerar uma jogada, quando diminuir o ritmo e quais espaços Pedri costuma atacar para organizar as ações ofensivas.

Na seleção, porém, esse entrosamento ainda não aparece.

Para Setién, a comunicação futebolística, aquela que acontece sem necessidade de palavras — funciona de maneira muito mais natural no Barcelona. Isso acaba dificultando a vida de Pedri, que depende justamente de movimentações coordenadas para controlar o ritmo da partida.

Função mais avançada diminuiu influência de Pedri

Outro ponto destacado pelo ex-comandante do Barcelona foi a posição ocupada por Pedri durante a fase de grupos.

Na estreia, diante de Cabo Verde, o meia atuou praticamente como um camisa 10, jogando próximo aos atacantes. Segundo Setién, essa escolha limitou bastante sua participação, principalmente porque o adversário adotou uma postura extremamente defensiva.

Sem espaço para receber entre as linhas, Pedri acabou tocando poucas vezes na bola e participou menos da construção das jogadas.

Posteriormente, quando voltou a atuar mais próximo da base da criação, conseguiu aparecer com maior frequência e controlar melhor a circulação da equipe.

Mesmo assim, as dúvidas voltaram a surgir na partida contra o Uruguai.

Com o placar ainda indefinido, Luis de la Fuente optou por substituir Pedri aos 60 minutos, decisão que aumentou ainda mais os questionamentos sobre o papel do meio-campista dentro da seleção.

Setién aponta dificuldades dos companheiros

As observações do treinador não ficaram restritas apenas a Pedri.

Setién também acredita que outros jogadores da Espanha encontram dificuldades para executar o modelo de jogo necessário quando enfrentam adversários fechados.

Segundo ele, atletas como Rodri e Fabián Ruiz possuem enorme qualidade, mas nem sempre conseguem encontrar passes verticais em espaços tão reduzidos.

Quando os rivais recuam praticamente todos os jogadores atrás da linha da bola, a precisão se torna fundamental para desmontar o sistema defensivo.

Na avaliação do treinador, essa falta de sintonia acaba prejudicando diretamente Pedri, que depende justamente dessas conexões rápidas para acelerar o jogo.

Laterais também foram alvo de análise

Setién ainda comentou o desempenho dos laterais espanhóis.

Para ele, tanto Marcos Llorente quanto Marc Cucurella chegam com frequência ao ataque, mas ainda demonstram dificuldade para interpretar determinados movimentos ofensivos exigidos pelo sistema da seleção.

O ex-técnico do Barcelona explicou que ambos atuam de maneiras diferentes em seus respectivos clubes, o que naturalmente interfere na adaptação à Espanha.

Segundo ele, esse tipo de mecanismo coletivo não pode ser assimilado da noite para o dia.

É justamente por isso que Pedri, acostumado a um modelo muito específico no Barcelona, acaba sentindo a diferença quando veste a camisa da seleção.

Barcelona encontrou a melhor versão de Pedri

Se existe uma certeza para Setién, é que o Barcelona já descobriu como extrair o máximo do futebol de Pedri.

Sob o comando de Hansi Flick, o meio-campista atua constantemente próximo da origem das jogadas, participando da construção desde os primeiros passes.

Quanto mais vezes Pedri toca na bola, maior costuma ser sua influência sobre a partida.

O espanhol não é um jogador que vive apenas de arrancadas ou de uma jogada decisiva isolada.

Sua principal característica está justamente na capacidade de conectar setores do campo, acelerar o jogo no momento certo e oferecer sempre uma opção de passe aos companheiros.

Quando passa muitos minutos distante da bola, naturalmente perde protagonismo.

Mata-mata pode mudar cenário de Pedri

Agora, a Espanha inicia a fase eliminatória da Copa do Mundo enfrentando a Áustria nos 32 avos de final.

Caso queira seguir sonhando com o segundo título mundial de sua história, a equipe precisará encontrar uma maneira de recolocar Pedri no centro das ações ofensivas.

A expectativa é que Luis de la Fuente faça alguns ajustes táticos para aproveitar melhor as características do camisa 8, especialmente em partidas nas quais a seleção terá menos espaço para criar.

O Barcelona já mostrou ao longo das últimas temporadas que Pedri cresce quando participa constantemente da construção das jogadas.

Se a Espanha conseguir reproduzir esse cenário, aumentará significativamente suas chances de avançar no torneio.

Pedri pode ser o diferencial da Espanha

Mesmo sem repetir até agora o brilho apresentado no Barcelona, Pedri continua sendo um dos jogadores mais talentosos da seleção espanhola.

As críticas feitas por Quique Setién não representam uma desconfiança sobre a qualidade do meia, mas sim um alerta sobre a forma como ele está sendo utilizado.

Em um mata-mata de Copa do Mundo, onde os detalhes costumam decidir classificações e eliminações, colocar Pedri nas condições ideais pode ser justamente o fator que separa uma campanha comum de uma trajetória capaz de levar a Espanha novamente à disputa pelo título mundial.

Afinal, quando Pedri consegue assumir o controle do meio-campo, poucas seleções no mundo conseguem impedir que seu talento faça a diferença.

Foto: Florencia Tan Jun/Getty Images