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Automobilismo Fórmula 1

George Russell recorreu a um estilo de pilotagem “incomum” para vencer o GP da Áustria

George Russell afirmou que ainda está em processo de adaptação ao carro da Mercedes para a temporada de 2026 da Fórmula 1 e revelou que precisou adotar um estilo de pilotagem que classificou como “incomum” para conquistar a vitória no GP da Áustria.

O piloto conquistou a pole position no sábado e conseguiu converter o primeiro lugar no grid em sua segunda vitória da temporada no domingo. O resultado representa um passo importante em sua tentativa de reduzir a vantagem do líder do campeonato, Kimi Antonelli.

Com o italiano terminando a prova na terceira colocação, Russell segue agora para a corrida em Silverstone, disputada diante de sua torcida, com uma diferença de 40 pontos em relação ao companheiro de equipe na classificação do campeonato.

Apesar do triunfo, a corrida esteve longe de ser tranquila. Durante boa parte da prova, Russell precisou lidar com a pressão constante exercida por Max Verstappen, da Red Bull. Além disso, Antonelli demonstrou ter um ritmo ligeiramente superior em determinados momentos da corrida, aumentando ainda mais o desafio enfrentado pelo piloto da Mercedes.

Depois de sofrer uma sequência de derrotas marcantes para Antonelli nas últimas etapas e ainda abandonar a liderança do Grande Prêmio do Canadá devido a uma falha na unidade de potência, Russell considera que a pole conquistada em Barcelona e o desempenho apresentado na Áustria foram fundamentais para recuperar sua confiança.

Segundo ele, os momentos difíceis também representam importantes testes do ponto de vista psicológico. “As corridas difíceis realmente colocam você à prova psicologicamente, e estes dois últimos fins de semana foram extremamente importantes para me lembrar de que sou capaz de fazer isso”, afirmou.

Russell também reconheceu que atravessou um período complicado, marcado tanto por corridas em que diversos fatores pareciam jogar contra ele quanto por desempenhos abaixo do esperado.

A recuperação da confiança diante de um companheiro em grande fase

O piloto destacou que divide a garagem com um companheiro de equipe que vem apresentando atuações de altíssimo nível praticamente todas as semanas.

Segundo Russell, isso naturalmente aumenta o desafio interno, exigindo ainda mais consistência para competir em igualdade de condições. “Tenho um companheiro de equipe realmente incrível ao meu lado, que semana após semana vem apresentando desempenhos bastante espetaculares”, declarou.

Ele explicou que chegou às etapas do Canadá e de Barcelona atravessando um momento de baixa confiança, o que exigiu grande capacidade de reação para conseguir voltar a apresentar resultados competitivos. “Para mim, chegando ao Canadá e depois a Barcelona vindo de um momento bastante difícil, precisei de muita resiliência para conseguir me recuperar e voltar a entregar boas performances.”

Por isso, Russell considera especialmente importante o fato de ter conquistado as duas últimas pole positions e, posteriormente, a vitória na Áustria.

Na avaliação do britânico, o resultado ganha ainda mais valor por ter sido alcançado em um circuito que, segundo ele próprio, não está entre aqueles que melhor combinam com suas características como piloto. “Conquistar as duas últimas poles e vencer aqui neste fim de semana, especialmente em uma pista que não considero tão adequada ao meu estilo, me deixa realmente muito orgulhoso”, afirmou.

Mesmo com esse desempenho, Russell deixou claro que a vitória não significa que já tenha dominado completamente o comportamento do carro desenvolvido pela Mercedes para o novo regulamento técnico de 2026.

A adaptação ao novo carro ainda está em andamento

Russell reconheceu que continua trabalhando para entender completamente o novo carro e extrair todo o potencial do conjunto desenvolvido pela Mercedes após a grande mudança de regulamento introduzida para esta temporada.

Segundo ele, sua confiança em relação às próprias capacidades permanece elevada, mas isso não significa que todas as variáveis envolvidas no desempenho do carro estejam completamente sob controle. “Tenho muita confiança em mim mesmo, sabendo que sou capaz de fazer isso. Tenho menos confiança em conseguir alinhar perfeitamente tudo com o carro, o acerto e os pneus, porque tudo tem sido muito instável para mim”, admitiu.

O piloto explicou que ainda busca encontrar o equilíbrio ideal entre o comportamento do carro, as configurações escolhidas pela equipe e o funcionamento dos pneus em diferentes condições de pista. Na avaliação de Russell, essa dificuldade explica a oscilação de desempenho vivida ao longo da temporada.

Mesmo com uma Mercedes capaz de vencer corridas, ele considera que ainda está reconstruindo o entendimento necessário para explorar todo o potencial do equipamento de forma consistente. Essa fase de adaptação exige mudanças tanto na preparação quanto na maneira de conduzir o carro durante as corridas.

O estilo de pilotagem “incomum” que ajudou a administrar os pneus

Durante o GP da Áustria, disputado sob temperaturas muito elevadas no Red Bull Ring, Russell decidiu alterar significativamente sua forma habitual de pilotar para conseguir preservar os pneus.

Segundo ele, a abordagem utilizada anteriormente provavelmente não teria funcionado nas condições encontradas durante a corrida. “O time fez um trabalho realmente incrível ao encontrar respostas concretas sobre por que nosso desempenho não estava sendo bom”, explicou.

Russell afirmou que a equipe conseguiu identificar claramente qual era o problema e também visualizar possíveis soluções. Além disso, uma análise de dados históricos revelou tendências semelhantes às enfrentadas atualmente, embora essas características tenham se tornado ainda mais evidentes com o novo carro de 2026. Chegando a este fim de semana, talvez minha abordagem anterior tivesse me prejudicado bastante em uma pista como esta.“, contou o piloto. 

Foi justamente por isso que decidiu modificar sua pilotagem de maneira significativa. “Pilotei a corrida de uma forma muito diferente e, para ser sincero, bastante incomum para administrar os pneus, e isso funcionou muito bem.”

Russell também comparou sua situação atual com a vivida na temporada passada. Segundo ele, em 2025 possuía pleno entendimento sobre como administrar os pneus em praticamente qualquer condição, fosse em pistas quentes ou frias, com asfalto liso ou mais abrasivo.

Neste ano, porém, sente que esse conhecimento ainda não foi totalmente reconstruído em função das características do novo carro. “No ano passado eu realmente sabia como cuidar dos pneus em pistas quentes, frias, superfícies lisas e superfícies ásperas. Este ano, sinceramente, ainda não sei. Então estou reconstruindo esse conhecimento.”, afirmou Russell. 

Para o piloto inglês, essa evolução faz parte do processo natural de adaptação ao novo regulamento técnico e representa um dos principais desafios enfrentados pelos pilotos nesta temporada da F1.

(Foto: Mercedes AMG Petrona F1 Team)