Estados Unidos, Copa do Mundo. Foto: Andre Penner/AP Photo
Futebol Copa do Mundo

Estados Unidos tentam repetir feito raro em mata-mata da Copa do Mundo; confira

Toda seleção constrói sua história em Copas do Mundo com momentos que definem gerações.

Para os Estados Unidos, o mata-mata sempre foi um território de esperança, aprendizado e algumas dores difíceis de esquecer.

Apesar do crescimento do futebol no país nas últimas décadas, o retrospecto eliminatório da seleção masculina ainda mostra um caminho longo até competir regularmente entre os gigantes do esporte.

Antes do duelo contra a Bósnia-Herzegovina na fase eliminatória da Copa do Mundo de 2026, vale revisitar como foram as campanhas americanas nos jogos de mata-mata — entre classificações históricas, eliminações marcantes e oportunidades que ficaram pelo caminho.

2002 segue como a única vitória dos EUA em mata-mata moderno

Quando se fala em sucesso americano em fases eliminatórias de Copa, um ano aparece imediatamente.

Foi naquele Mundial, disputado na Coreia do Sul e no Japão, que os Estados Unidos conquistaram sua única vitória em mata-mata da era moderna.

A classificação veio diante do maior rival regional.

Contra o México, os americanos venceram por 2 a 0 em um jogo que ganhou status quase mítico entre os torcedores e ficou eternizado como “Dos a Cero”.

Brian McBride abriu o placar cedo e Landon Donovan ampliou no segundo tempo.

Mais do que avançar às quartas, aquela vitória simbolizou uma mudança de percepção dentro da Concacaf.

Pela primeira vez, os Estados Unidos pareciam capazes de disputar espaço de igual para igual com o futebol mexicano.

Quartas de 2002 ainda representam o grande “e se?” da história recente

Depois de eliminar o México, os Estados Unidos encararam a Alemanha.

E talvez tenha sido ali que surgiu a maior oportunidade perdida da história recente da seleção.

Apesar da derrota por 1 a 0, o time fez uma partida competitiva.

Teve mais posse de bola, criou oportunidades e conseguiu pressionar uma seleção que posteriormente chegaria até a final do torneio.

Michael Ballack marcou o único gol.

Mas o desempenho deixou uma sensação que acompanhou o futebol americano por anos: a de que competir entre os melhores talvez fosse possível.

Com uma eventual classificação, o caminho seguinte teria uma semifinal contra a Coreia do Sul.

Até hoje, muitos enxergam aquela campanha como a chance mais realista de alcançar uma final de Copa.

Tim Howard transformou derrota em capítulo histórico em 2014

Se 2002 trouxe esperança, 2014 entregou resistência.

Depois de sobreviver ao chamado “grupo da morte”, com Alemanha, Portugal e Gana, os Estados Unidos enfrentaram a Bélgica nas oitavas.

A partida ficou marcada por uma atuação histórica de Tim Howard.

O goleiro realizou 15 defesas — marca que virou referência em Copas do Mundo.

Durante vários momentos, parecia que apenas ele mantinha os americanos vivos no jogo.

A Bélgica finalizou de todos os lados e criou volume ofensivo enorme.

Mesmo assim, os EUA resistiram até a prorrogação.

Kevin De Bruyne e Romelu Lukaku marcaram para os europeus, enquanto Julian Green descontou.

Ainda houve chances de empate.

Mas a eliminação acabou chegando.

Gana e Holanda aumentaram lista de frustrações

Em 2010, os Estados Unidos chegaram ao mata-mata depois de uma campanha sólida na fase de grupos.

A classificação teve como ponto alto o gol dramático de Landon Donovan nos acréscimos contra a Argélia.

Nas oitavas, porém, veio um velho conhecido.

Gana abriu o placar cedo, Donovan empatou de pênalti, mas Asamoah Gyan decidiu na prorrogação e eliminou os americanos.

Doze anos depois, em 2022, o roteiro se repetiu com uma eliminação diante de uma seleção europeia.

A Holanda venceu por 3 a 1 em um jogo que mostrou uma diferença importante de eficiência.

Os Estados Unidos tiveram posse, criaram momentos de pressão e finalizaram bastante.

Mas os holandeses foram mais letais.

Foi um lembrete claro de como o detalhe costuma separar seleções competitivas das realmente candidatas ao título.

A história começou antes — e incluiu uma semifinal esquecida

Curiosamente, o melhor resultado da história americana em Copas aconteceu ainda em 1930.

Na primeira edição do torneio, os Estados Unidos chegaram até a semifinal.

Mas o contexto era completamente diferente.

O futebol internacional ainda estava se organizando, poucas seleções participaram e o formato era distante do atual.

Na semifinal, derrota dura por 6 a 1 para a Argentina.

Mesmo assim, o resultado permanece registrado como a campanha mais profunda da seleção no torneio.

2026 oferece nova chance de mudar essa história

Ao todo, os Estados Unidos disputaram apenas sete jogos de mata-mata em Copas do Mundo.

Conquistaram uma vitória.

Viveram campanhas competitivas, tiveram momentos memoráveis e colecionaram alguns dos maiores “e se?” da própria história.

Pochettino - Estados Unidos
Créditos da foto: Getty Images Sport.

Agora, diante da Bósnia-Herzegovina, surge mais uma oportunidade.

Uma vitória não mudaria apenas a campanha atual.

Seria também um passo importante para uma seleção que há mais de duas décadas busca repetir — e finalmente superar — o que construiu em 2002.

Foto: Andre Penner/AP Photo