Jesse Marsch - Copa do Mundo
Futebol Copa do Mundo

Jesse Marsch mostra que os Estados Unidos podem ter perdido uma grande oportunidade

Enquanto o Canadá segue fazendo história na Copa do Mundo, Jesse Marsch também vê seu trabalho ganhar cada vez mais reconhecimento. Após vencer a África do Sul nos 16 avos de final, a seleção canadense garantiu vaga nas oitavas e manteve viva a campanha mais importante de sua história no torneio. O desempenho reforça a evolução da equipe nos últimos anos e coloca o treinador como um dos principais responsáveis por essa transformação.

Naturalmente, esse cenário também faz crescer uma discussão sobre os Estados Unidos. Antes de assumir o Canadá, Jesse Marsch esteve muito perto de comandar a seleção norte-americana, mas a oportunidade nunca se concretizou. Agora, enquanto conduz os canadenses ao melhor momento de sua história em Copas do Mundo, o treinador parece completamente identificado com o projeto que encontrou do outro lado da fronteira.

Jesse Marsch virou a página dos Estados Unidos

Antes de assumir o Canadá, Marsch esteve perto de comandar a seleção dos Estados Unidos. O treinador chegou a desejar o cargo e, em determinado momento, acreditou que poderia assumir a equipe. Porém, a federação norte-americana decidiu seguir outro caminho. Primeiro manteve Gregg Berhalter e, posteriormente, entregou o projeto para Mauricio Pochettino.

Hoje, a situação é completamente diferente. Após a classificação sobre a África do Sul, Marsch foi questionado sobre a seleção dos Estados Unidos e praticamente descartou qualquer ligação com o assunto. O treinador afirmou que continua orgulhoso de ser americano, mas destacou que se identifica muito com os valores e as características do povo canadense.

Na prática, fica a sensação de que aquela oportunidade ficou no passado. Mais do que trabalhar no Canadá, Jesse Marsch criou uma relação muito forte com a seleção, com os jogadores e com o próprio país. Seu jeito intenso, emocional e bastante participativo pode até gerar críticas, principalmente de quem considera algumas atitudes exageradas. Porém, internamente, esse perfil parece ter aproximado ainda mais o grupo.

O Canadá passou a jogar com muito mais confiança, intensidade e personalidade. Para uma seleção que ainda busca escrever capítulos importantes no futebol mundial, essa mudança pesa bastante. Jesse Marsch conseguiu fazer o elenco acreditar que poderia competir em alto nível e enfrentar qualquer adversário da Copa do Mundo.

Essa identificação também aparece quando o treinador fala sobre o futuro. Marsch já deixou claro que pretende seguir no comando da seleção canadense até o fim do ciclo da Copa do Mundo de 2030. Ou seja, não se trata apenas de um bom momento. Existe um projeto de longo prazo sendo construído.

Trabalho de Jesse Marsch reforça discussão sobre escolha dos Estados Unidos

A campanha desta Copa ajuda a mostrar o tamanho do trabalho desenvolvido por Marsch. Antes mesmo do Mundial, o treinador já havia conduzido o Canadá a uma semifinal de Copa América e colocado a seleção entre as 30 melhores do ranking da FIFA. Agora, com a vaga nas oitavas garantida, a equipe confirma que essa evolução não aconteceu por acaso.

O Canadá nunca havia alcançado um desempenho tão expressivo em Copas do Mundo. Sendo assim, cada fase superada representa um novo passo para uma seleção que, durante muito tempo, aparecia apenas como coadjuvante nas grandes competições internacionais. Muito desse crescimento passa pela forma como Marsch montou a equipe. O Canadá se tornou um time intenso, organizado e que sabe aproveitar bem as características dos seus principais jogadores. Além disso, o treinador conseguiu ampliar as opções do elenco e criar uma identidade bastante clara dentro de campo.

É justamente nesse ponto que surge a comparação com os Estados Unidos. Afinal, Jesse Marsch conhece muito bem o futebol da América do Norte, entende o perfil dos jogadores da região e mostrou rapidamente que consegue criar uma conexão forte com seus elencos. Neste cenário, é natural imaginar que ele também poderia ter desenvolvido um trabalho importante na seleção norte-americana.

Ao mesmo tempo, também é preciso reconhecer que esse possível erro dos Estados Unidos acaba sendo amenizado pelo trabalho de Mauricio Pochettino. O treinador argentino conseguiu fazer a seleção crescer ao longo da Copa do Mundo e os norte-americanos também seguem vivos na competição. Portanto, não dá para dizer que a escolha foi um fracasso.

A grande diferença está no longo prazo. Enquanto Pochettino já demonstrou que ainda pensa em voltar ao futebol de clubes e mantém indefinido o próprio futuro na seleção, Jesse Marsch já sinalizou que deseja permanecer no Canadá até 2030. Isso mostra o quanto ele acredita no projeto que ajudou a construir.

No fim das contas, a campanha canadense acaba fortalecendo ainda mais o nome de Jesse Marsch. O treinador que um dia esteve perto de comandar os Estados Unidos agora vive o melhor momento da história do Canadá em Copas do Mundo e parece completamente comprometido com esse projeto. Assim, se antes existia a possibilidade de vê-lo assumir a seleção norte-americana no futuro, hoje esse cenário parece muito mais distante. Enquanto os Estados Unidos seguem seu caminho com Pochettino, Marsch deixa claro que encontrou no Canadá o lugar onde pretende escrever os próximos capítulos de sua carreira.

Créditos da foto de capa: Getty Images Sport.