A contratação de Elliot Anderson pelo Manchester City entrou para a história da Premier League. Comprado junto ao Nottingham Forest por 116 milhões de libras, o meio-campista se tornou a terceira transferência mais cara já realizada na competição.
O valor coloca Anderson atrás apenas de Alexander Isak, contratado pelo Liverpool por 125 milhões de libras, e de Florian Wirtz, também reforço dos Reds por 116,5 milhões de libras.
No entanto, um novo estudo mostra que a negociação muda completamente de posição quando as cifras do passado são comparadas com o poder financeiro que os clubes possuem atualmente.
Segundo um levantamento elaborado pelo especialista em finanças do futebol Kieran Maguire e pelo professor Jason Laws, Anderson deixa o topo da lista e passa a ocupar apenas a 31ª colocação entre as contratações mais caras da história da Premier League quando os valores antigos são ajustados.
Estudo compara poder de compra dos clubes ao longo da história
Normalmente, comparações entre transferências utilizam apenas a inflação tradicional para atualizar os valores pagos em diferentes épocas.
Os responsáveis pelo novo levantamento, porém, seguiram outro caminho.
Em vez de considerar apenas o aumento geral dos preços, o estudo leva em conta a evolução da capacidade financeira dos clubes ingleses, impulsionada principalmente pelo crescimento das receitas da Premier League.
Nas últimas três décadas, as receitas da competição aumentaram cerca de 3.500%, alterando completamente o mercado de transferências.
Por isso, o chamado Índice Laws-Maguire tenta mostrar quanto representariam hoje os investimentos feitos em diferentes momentos da história da liga.
Com esse cálculo, várias negociações antigas ganham muito mais peso do que aparentam quando observadas apenas pelo valor original.
Alan Shearer lidera ranking ajustado
O principal exemplo é Alan Shearer.
Em 1996, o Newcastle desembolsou 15 milhões de libras para contratar o atacante junto ao Blackburn Rovers.
Na época, o negócio chamou atenção pelo valor elevado, mas está muito distante das cifras atuais.
Quando o investimento é recalculado pelo Índice Laws-Maguire, porém, a transferência passa a valer impressionantes 237 milhões de libras.
Nenhuma outra contratação da história da Premier League supera esse número.
Na sequência aparecem dois reforços históricos do Manchester United.
Rio Ferdinand ocupa a segunda posição com sua chegada ao clube em 2002/03, cuja negociação de 33 milhões de libras equivale hoje a 199 milhões.
Logo atrás aparece Juan Sebastián Verón, contratado pelos Red Devils em 2001. Os 28 milhões de libras pagos na época corresponderiam atualmente a 179 milhões.

Antigos investimentos superam cifras atuais
O ranking ajustado continua dominado por negociações realizadas nas primeiras décadas da Premier League.
Stan Collymore aparece na quarta colocação. Os nove milhões de libras pagos pelo Liverpool ao Nottingham Forest em 1995 equivaleriam hoje a 177 milhões.
Fernando Torres fecha o top 5.
A transferência do atacante do Liverpool para o Chelsea, realizada por 50 milhões de libras, alcançaria atualmente o mesmo patamar de 177 milhões segundo o estudo.
Também aparecem entre os dez primeiros nomes históricos como Dennis Bergkamp, Andy Cole, Andriy Shevchenko, Dwight Yorke e Paul Pogba.
O levantamento mostra ainda a força do Manchester United no mercado durante esse período.
Metade dos dez primeiros colocados pertence ao clube de Old Trafford.
Rio Ferdinand, inclusive, aparece duas vezes entre os 15 maiores investimentos ajustados, já que sua transferência do West Ham para o Leeds também entra na lista.

Anderson e outros jogadores atuais aparecem em menor número
Entre os atletas que ainda atuam na Premier League, poucos aparecem nas primeiras posições do ranking.
Alexander Isak, dono da maior transferência nominal da história da competição, ocupa apenas o 15º lugar quando os valores são ajustados.
Jack Grealish, Moisés Caicedo e Enzo Fernández também aparecem entre os 20 primeiros.
Já Elliot Anderson, apesar de ter custado 116 milhões de libras ao Manchester City, cai para a 31ª posição.

O estudo reforça uma conclusão interessante.
Embora as cifras das transferências sejam cada vez maiores, o impacto financeiro de algumas negociações realizadas nas décadas de 1990 e 2000 foi proporcionalmente ainda mais significativo para os clubes da época.
Na prática, o Índice Laws-Maguire sugere que, em relação ao poder de compra disponível naquele momento, muitos dos investimentos históricos da Premier League foram ainda mais ousados do que as contratações milionárias vistas atualmente.
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