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Copa do Mundo

Lamine Yamal cresce no mata-mata e Espanha mostra que pode vencer sem depender apenas de sua maior estrela

Lamine Yamal chegou à Copa do Mundo cercado por uma expectativa difícil de ser colocada sobre qualquer jogador, ainda mais sobre um jovem de apenas 18 anos. Depois de se tornar uma das principais estrelas do futebol mundial, o atacante passou a ser tratado como o rosto da Espanha e um dos nomes capazes de decidir o torneio.

A cobrança era tão grande que até uma fase de grupos com apenas um gol foi suficiente para gerar questionamentos sobre seu desempenho.

Essa análise, no entanto, ignorava um detalhe importante. Yamal passou 50 dias se recuperando de uma lesão muscular na parte posterior da coxa e utilizou os primeiros jogos da Copa como parte de seu processo de recuperação competitiva. Na prática, enquanto outros jogadores chegaram ao torneio em ritmo normal, o atacante do Barcelona ainda tentava recuperar sua melhor condição física dentro das próprias partidas.

Diante da Áustria, na vitória espanhola por 3 a 0 pela fase de 16 avos de final, a situação foi diferente. Pela primeira vez na competição, o técnico Luis de la Fuente não precisou administrar fisicamente seu principal jogador. O resultado foi uma atuação que mostrou por que Yamal continua sendo tratado como um talento fora do comum, mesmo sem ter marcado.

Yamal domina o lado direito e dificulta a marcação da Áustria

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Foto: Florencia Tan Jun/Getty Images

Os números ajudam a explicar o impacto de Yamal na partida. O atacante finalizou seis vezes e obrigou o goleiro Alexander Schlager a realizar quatro grandes defesas. Quando finalmente conseguiu superá-lo, David Alaba apareceu em cima da linha para impedir o gol.

O duelo individual com Konrad Laimer também mostrou a superioridade técnica do espanhol. Apenas nos primeiros 34 minutos, Yamal passou a bola entre as pernas do lateral austríaco três vezes. Laimer, de 29 anos, é um jogador experiente, acostumado ao mais alto nível do futebol europeu e multicampeão alemão pelo Bayern de Munique. Mesmo assim, encontrou enormes dificuldades para acompanhar o jovem espanhol.

A atuação mostrou que a influência de Yamal não pode ser analisada apenas por gols e assistências. Sua presença modifica a maneira como o adversário ocupa o campo.

Quando a Espanha constrói uma jogada, a defesa rival naturalmente direciona mais jogadores para o lado direito, Yamal recebe a bola cercado, atrai coberturas e obriga a linha defensiva a se deslocar. Em muitos momentos, dois ou até três adversários ficam atentos ao mesmo jogador.

Essa concentração defensiva cria uma consequência importante. Quanto mais jogadores são utilizados para controlar Yamal, mais espaços aparecem em outras regiões.

Yamal chama atenção pelo lado direito enquanto os gols são construídos pelo lado oposto

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Foto: Maja Hitij – FIFA/FIFA via Getty Images

O dado mais importante da vitória por 3 a 0 talvez seja o fato de que todos os gols espanhóis nasceram pelo lado esquerdo.

Marc Cucurella avançou da lateral para participar diretamente das duas finalizações de Mikel Oyarzabal. Entre os dois gols do atacante, Álex Baena cruzou para Pedro Porro marcar de cabeça.

Essa distribuição ofensiva representa uma mudança importante para a Espanha. Yamal continuou sendo o jogador mais perigoso da equipe, finalizou seis vezes e criou problemas constantes para a defesa austríaca, mas o time não precisou depender exclusivamente dele para construir o resultado.

O crescimento do lado esquerdo também ganha importância por causa da situação de Nico Williams. O atacante foi um dos grandes nomes da Espanha na conquista da Eurocopa de 2024. Naquele torneio, marcou o dobro de gols de Yamal e balançou as redes justamente na final contra a Inglaterra.

Desde aquela competição, lesões e atuações irregulares impediram Williams de manter a mesma sequência. A má fase física voltou a aparecer nesta Copa do Mundo, deixando Luis de la Fuente sem uma das peças responsáveis pelo equilíbrio ofensivo da seleção.

Com Williams lesionado, Álex Baena manteve a posição na ponta esquerda e apresentou sua melhor atuação no Mundial diante da Áustria. Sua participação no gol de Pedro Porro mostrou que a Espanha pode encontrar outras fontes de criatividade enquanto espera a recuperação de um de seus principais atacantes.

A atuação de Cucurella reforçou essa possibilidade. O lateral avançou constantemente e teve participação direta nas jogadas que terminaram nos dois gols de Oyarzabal. Assim, enquanto a Áustria concentrava atenção em Yamal, a Espanha conseguia criar superioridade pelo outro lado.

A expectativa sobre um jogador de 18 anos continua fora do normal

A pressão sobre Yamal também precisa ser analisada de acordo com sua idade. O espanhol tem apenas 18 anos, mas já é colocado em discussões com jogadores que estão em fases completamente diferentes da carreira.

Kylian Mbappé tem 27 anos. Erling Haaland tem 25. Ainda assim, Yamal aparece ao lado dos dois em debates sobre protagonismo, artilharia e capacidade de decidir uma Copa do Mundo.

O próprio atacante já destacou que esses jogadores não pertencem à sua geração. A diferença de idade ajuda a mostrar como as expectativas sobre ele cresceram de maneira acelerada.

Existe ainda uma comparação inevitável com Lionel Messi. A história ganhou um significado especial porque Yamal era apenas um bebê quando participou de uma sessão de fotos para o calendário de 2008 do Barcelona e foi colocado nos braços do argentino. Agora, menos de duas décadas depois, é tratado como uma das principais estrelas do futebol mundial.

O que mais impressiona é a maneira como o jovem encara essa responsabilidade. Yamal reconhece que é o jogador que gera mais expectativa na seleção espanhola e também sabe que possui capacidade para mudar uma partida.

Sua definição sobre pressão resume bem sua personalidade. Para ele, a pressão aparece quando um jogador não consegue fazer aquilo que esperam dele. Como acredita que pode cumprir essa missão, não demonstra medo da cobrança.

A vitória sobre a Áustria deixou uma mensagem importante para o restante da Copa do Mundo. Yamal está recuperando seu melhor nível justamente quando começa a fase decisiva, mas a Espanha também parece ter entendido que sua maior força pode estar em não exigir que o jovem resolva tudo sozinho.

Se os adversários continuarem concentrando vários jogadores no lado direito, espaços surgirão em outras regiões.

Se a Espanha mantiver coragem para explorar esses espaços, poderá se tornar uma equipe mais imprevisível e difícil de defender.

Yamal não marcou diante da Áustria, mesmo depois de seis finalizações e quatro grandes defesas de Schlager.

Ainda assim, sua influência esteve presente durante toda a partida. Ao mesmo tempo, os três gols construídos pelo lado esquerdo mostraram que a atual campeã europeia pode encontrar diferentes caminhos para vencer.

Para uma seleção que sonha em repetir no cenário mundial o sucesso conquistado na Europa, esse equilíbrio pode ser tão importante quanto o talento extraordinário de seu jogador de 18 anos.

(Foto de capa: Justin Setterfield/Getty Images)

 

 

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Kaique