A caminhada dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 2026 chegou ao fim. Após uma campanha que começou de forma animadora e parecia indicar que a equipe poderia finalmente dar um passo importante no cenário internacional, a seleção acabou sendo eliminada pela Bélgica nas oitavas de final, em uma derrota por 4 a 1 que expôs problemas vistos ao longo do ciclo de Mauricio Pochettino.
O treinador argentino chegou ao torneio pressionado. Antes da Copa, acumulava críticas pelo desempenho da equipe e pelas dificuldades para encontrar um padrão de jogo convincente. No entanto, a boa campanha na fase de grupos mudou o ambiente. Os Estados Unidos cresceram de rendimento, passaram a transmitir mais confiança e fizeram com que muitos acreditassem que o trabalho finalmente havia encontrado o caminho certo.
A eliminação, porém, fez boa parte dessas dúvidas voltarem. Contra a Bélgica, a seleção americana apresentou um desempenho muito abaixo do esperado justamente no jogo mais importante da competição. Além das dificuldades coletivas, decisões de Pochettino também passaram a ser questionadas, enquanto a fragilidade defensiva voltou a aparecer em um momento decisivo.
Pochettino volta a ser questionado após escolhas no comando dos Estados Unidos
Durante boa parte da Copa, Mauricio Pochettino recebeu elogios pela evolução da equipe. Os Estados Unidos mostraram um futebol mais organizado e conseguiram controlar partidas importantes, deixando para trás parte da pressão que cercava o treinador desde sua chegada. Diante da Bélgica, porém, o cenário foi completamente diferente.
O meio-campo, que vinha funcionando bem ao longo do torneio, perdeu intensidade diante de um adversário mais forte tecnicamente. A equipe encontrou dificuldades para controlar a posse de bola e deixou muitos espaços, permitindo que a Bélgica criasse oportunidades com frequência. Ao mesmo tempo, algumas decisões do treinador passaram a ser alvo de críticas. A montagem do setor central não conseguiu oferecer o equilíbrio necessário, enquanto as alternativas utilizadas durante a partida também não surtiram efeito para mudar o panorama do confronto.
Se os problemas no meio já eram evidentes, a defesa voltou a preocupar ainda mais. Durante praticamente todo o jogo, os Estados Unidos encontraram dificuldades para conter os ataques belgas. A linha defensiva sofreu com erros individuais, falta de cobertura e pouca consistência diante da pressão adversária.
A atuação também reacendeu um debate que acompanha a seleção americana há alguns anos: a dificuldade para encontrar um sistema defensivo realmente confiável. Mesmo contando com jogadores experientes, a equipe voltou a sofrer quando enfrentou um adversário de alto nível, deixando a impressão de que ainda existe uma distância importante para competir com as principais seleções do mundo.
Pulisic vive noite difícil e principais nomes dos Estados Unidos passam em branco
Se coletivamente os Estados Unidos ficaram abaixo do esperado, individualmente o cenário também foi preocupante. Os principais jogadores da equipe não conseguiram assumir o protagonismo no momento em que a seleção mais precisava. Neste cenário, o maior exemplo foi Christian Pulisic.
Principal referência técnica do elenco, o camisa 10 não conseguiu criar perigo durante a partida, teve dificuldades para superar a marcação belga e pouco participou das ações ofensivas da equipe. Para piorar, o atacante ainda deixou o gramado lesionado, encerrando de forma frustrante sua participação na Copa do Mundo.
O momento do jogador também chama atenção. Apesar de seguir sendo um dos maiores nomes da história recente da seleção americana, Pulisic atravessa uma fase de baixa, tanto pela equipe nacional quanto em sua sequência recente no futebol de clubes. A eliminação acabou ampliando ainda mais os questionamentos sobre seu desempenho.
Ele, no entanto, esteve longe de ser o único a render abaixo do esperado. Weston McKennie teve dificuldades na construção das jogadas, errou passes importantes e venceu poucos duelos ao longo da partida. Sergiño Dest também não conseguiu repetir o bom nível mostrado em outros momentos da competição, enquanto vários jogadores importantes passaram praticamente despercebidos durante os 90 minutos.
No fim das contas, os Estados Unidos encerram a Copa do Mundo com sentimentos bastante diferentes dos que existiam após a fase de grupos. A equipe mostrou evolução em relação ao momento vivido antes do torneio e conseguiu reduzir a pressão sobre Mauricio Pochettino durante parte da competição.
Entretanto, a derrota para a Bélgica deixou claro que alguns problemas continuam presentes. As dificuldades defensivas voltaram a aparecer diante de um adversário de alto nível, decisões do treinador passaram novamente a ser questionadas e as principais estrelas da equipe não conseguiram fazer a diferença quando isso era mais necessário.
A geração americana continua reunindo jogadores talentosos e ainda pode ter um futuro importante. Porém, a eliminação mostrou que apenas o talento ofensivo talvez não seja suficiente. Para competir de igual para igual com as principais seleções do mundo, os Estados Unidos precisarão encontrar mais equilíbrio coletivo, fortalecer o sistema defensivo e fazer com que seus principais nomes apareçam justamente nos jogos que realmente definem uma Copa do Mundo.
Créditos da foto de capa: AFP.