belgica x eua copa
Copa do Mundo

Estados Unidos se despedem da Copa com goleada, erros defensivos e dúvidas sobre o futuro

O sonho americano terminou de uma maneira muito diferente daquela imaginada nas horas que antecederam o confronto com a Bélgica. Depois de uma campanha que aproximou a seleção de sua torcida e aumentou a confiança no país, os Estados Unidos foram derrotados por 4 a 1 e se despediram da Copa do Mundo nas oitavas de final.

A eliminação encerrou dias turbulentos para a equipe de Mauricio Pochettino. O caso envolvendo Folarin Balogun dominou as discussões antes da partida, mas, quando a bola rolou, foram os próprios erros americanos que decidiram o confronto.

O caso Balogun mudou o ambiente antes da partida

balogun copa EUA
Foto: REUTERS

Os Estados Unidos chegaram às oitavas vivendo um momento de grande confiança. A equipe havia abandonado a postura de azarão e apresentado um futebol ofensivo durante a competição, criando uma sensação de que poderia chegar ainda mais longe.

A torcida comprou essa ideia.

Antes do jogo contra a Bélgica, havia confiança entre os americanos reunidos nos arredores do estádio de Seattle. Um torcedor chegou a afirmar que os Estados Unidos seriam campeões mundiais, uma declaração que representava bem o crescimento da expectativa durante a campanha.

Boa parte dessa confiança também estava relacionada à presença de Balogun.

O atacante havia marcado três gols na Copa e chegava como o artilheiro da seleção, mas deveria estar suspenso após receber um cartão vermelho direto contra a Bósnia e Herzegovina. A Fifa decidiu suspender por 12 meses a punição automática de uma partida e liberou o jogador.

A decisão provocou críticas da Bélgica, da Uefa e até de Thomas Tuchel, técnico da Inglaterra. A discussão chegou ao governo americano, com Donald Trump afirmando que havia pedido à Fifa uma revisão do caso porque não considerava o lance uma falta.

Balogun passou a ocupar o centro das atenções.

Pochettino negou que a polêmica tenha afetado o desempenho da equipe. Para o treinador, o atacante estava disponível porque a Fifa havia permitido sua participação, e sua função era simplesmente escolher o time.

O próprio jogador também evitou alimentar a discussão. Balogun afirmou que aceitou o cartão vermelho quando foi expulso e depois aceitou a decisão que permitiu sua participação nas oitavas.

Dentro de campo, não conseguiu causar o impacto esperado.

Depois de três gols na competição, o atacante encontrou dificuldades contra a Bélgica e não foi capaz de impedir a eliminação. O técnico belga Rudi Garcia revelou que Balogun o procurou depois da partida e ouviu que não era o culpado pela polêmica.

A derrota não pode ser explicada pelo caso disciplinar. O maior problema dos Estados Unidos estava em outra parte do campo.

Erros defensivos transformaram a eliminação em goleada

Eua x Belgica
Foto: FIFA

A seleção americana perdeu por 4 a 1, sua maior derrota desde 1990.

O placar pesado foi consequência de uma atuação marcada por falhas defensivas que a Bélgica soube aproveitar.

Charles De Ketelaere apareceu livre dentro da área para marcar o primeiro gol. O problema voltou a acontecer pouco depois de os Estados Unidos conseguirem o empate.

A reação poderia ter mudado a partida.

Em vez disso, a defesa americana permitiu que De Ketelaere superasse dois marcadores e marcasse de cabeça quase imediatamente. O gol teve um impacto enorme porque impediu que a equipe aproveitasse o melhor momento emocional da noite.

O terceiro foi ainda mais grave.

O goleiro Matt Freese saiu de sua área para tentar controlar a bola, hesitou e foi desarmado por De Ketelaere. Hans Vanaken aproveitou o gol desprotegido e finalizou de fora da área para fazer 3 a 1.

A partir daquele momento, o ambiente mudou completamente.

A torcida americana, que havia criado uma atmosfera vibrante durante a campanha, perdeu a confiança. Alguns torcedores começaram a deixar o estádio nos dez minutos finais, e o quarto gol, marcado por Romelu Lukaku nos acréscimos, aumentou ainda mais o movimento de saída.

Os números e a forma como os gols aconteceram mostram que o problema não esteve na falta de oportunidades ofensivas ou apenas na atuação de Balogun.

Os Estados Unidos não conseguiram competir defensivamente no nível necessário.

Pochettino reconheceu isso ao afirmar que sua equipe nunca conseguiu entrar verdadeiramente na partida. Nem mesmo o gol de empate foi suficiente para mudar o cenário, porque a Bélgica voltou a marcar logo na sequência.

A análise do treinador combina com a sensação dos torcedores.

Um deles afirmou que faltou vontade para disputar a bola. Outro destacou a quantidade de erros não forçados e reconheceu que a Bélgica soube jogar exatamente da maneira necessária para silenciar o estádio.

Uma campanha que havia sido construída sobre confiança terminou com uma equipe irreconhecível em seu momento mais importante.

A Copa termina, mas deixa um legado e uma grande dúvida

Mauricio Pochettino, EUA, Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Getty Images
Mauricio Pochettino, EUA, Copa do Mundo. Foto: Reprodução/Getty Images

A eliminação nas oitavas não apaga completamente o impacto da Copa do Mundo nos Estados Unidos.

Antes do início do torneio, a preparação havia sido considerada pouco empolgante. A competição mudou esse cenário.

Fan zones e bares ficaram lotados, camisas da seleção apareceram por todo o país e a campanha da equipe aumentou o interesse do público. O estilo ofensivo apresentado durante boa parte do torneio também ajudou a criar uma conexão com os torcedores.

Os Estados Unidos acabaram seguindo o mesmo caminho dos outros coanfitriões.

Canadá, México e Estados Unidos foram eliminados nas oitavas de final.

Para Tyler Adams, a goleada não deve representar tudo o que a equipe tentou construir. O meio campista reconheceu que a seleção não chegou tão longe quanto desejava, mas destacou que inspirar crianças durante a campanha também pode ser considerado uma conquista.

Esse talvez seja o maior desafio para o futebol americano a partir de agora.

A Copa conseguiu colocar o esporte no centro das conversas do país durante algumas semanas. A questão é saber quanto desse interesse permanecerá depois da eliminação.

Os próprios torcedores reconhecem que ainda existe uma distância considerável para que os Estados Unidos tenham uma cultura futebolística tão consolidada quanto outras grandes nações. Um deles resumiu que o país ainda tem muito terreno para recuperar.

A outra grande dúvida envolve Pochettino.

O contrato do treinador termina ao final da Copa do Mundo. Depois da eliminação, ele afirmou que pretende descansar, pensar e conversar com a federação antes de decidir seu futuro.

Sua passagem deixa sentimentos diferentes.

Por um lado, Pochettino conseguiu mudar a mentalidade da equipe, criou um estilo mais ofensivo e ajudou a seleção a conquistar a torcida durante a Copa. Por outro, o torneio terminou com a maior derrota americana em 36 anos e uma atuação muito abaixo do esperado justamente no mata mata.

Os Estados Unidos queriam transformar a Copa disputada em casa no início de uma nova era.

Conseguiram despertar o interesse do país, lotar espaços públicos e fazer sua torcida acreditar. A goleada contra a Bélgica mostrou que ainda existe uma distância entre acreditar que é possível competir com as grandes seleções e realmente estar preparado para vencê-las.

Agora, a principal missão será impedir que o entusiasmo construído durante a Copa termine junto com a campanha da seleção.

(Foto de capa: FIFA)

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Kaique