Nesta terça-feira (7), a Argentina venceu o Egito por 3 a 2, em duelo válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Em uma partida bastante movimentada, a equipe argentina chegou a ficar em situação muito complicada, viu o adversário abrir 2 a 0 e precisou de uma reação histórica para seguir viva no torneio.
O grande nome da partida foi Lionel Messi. Mesmo desperdiçando um pênalti na primeira etapa, o camisa 10 foi o dono do jogo. A Argentina passou por seus pés nos principais momentos ofensivos, cresceu quando ele apareceu mais perto da área e encontrou a virada justamente quando Messi assumiu de vez a responsabilidade.
Egito executou bem sua estratégia e assustou a Argentina
O começo da partida já mostrou que o Egito não seria apenas um adversário disposto a apenas se defender. Aos 14 minutos, a equipe abriu o placar em uma jogada bem trabalhada de escanteio. Após cobrança curta, Ashour recebeu na sequência da troca de passes e rolou para Attia, que cruzou de primeira. Ibrahim apareceu bem pelo alto e cabeceou para colocar os egípcios em vantagem.
A Argentina tentou responder rapidamente. Aos 19 minutos, Messi iniciou a construção da jogada, tocou para Enzo Fernández e lançou Tagliafico. O lateral foi derrubado dentro da área, e a arbitragem marcou pênalti. Era a grande chance para a Argentina empatar ainda no começo do jogo. No entanto, Messi cobrou e viu Shobeir cair para o lado esquerdo para fazer a defesa.
O pênalti perdido poderia ter tirado a Argentina do jogo, mas a equipe seguiu criando. Aos 27 minutos, Mac Allister apareceu cabeceando com muito perigo após cruzamento para a área, mas Shobeir fez outra grande defesa. Pouco depois, aos 30, Messi cobrou uma falta de muito longe, acertando a bola com curva pelo lado da barreira. O goleiro egípcio pulou, chegou a recolher o braço apostando que a finalização não entraria, e a bola explodiu na trave.
Ainda na primeira etapa, a Argentina voltou a chegar com força. Paredes fez uma inversão incrível de bola para Tagliafico, que apareceu com liberdade e cruzou muito bem. Julián Álvarez chegou batendo no meio da área, mas Shobeir fez mais uma defesa fantástica.
Mesmo atrás no placar, a Argentina terminou o primeiro tempo com mais volume. Foram sete chutes contra dois do Egito, três finalizações no alvo contra uma e 59% de posse de bola. A equipe também trocou 302 passes, contra 198 dos egípcios. O cenário mostrava uma seleção argentina mais presente no campo ofensivo, mas também deixava claro que o Egito sabia exatamente o que queria no jogo.
Messi liderou a virada histórica da Argentina
Na volta do intervalo, a Argentina tentou manter o controle da partida. Logo no primeiro minuto, Messi ajeitou na entrada da área e De Paul finalizou fraco, facilitando a defesa de Shobeir. Só que, aos poucos, esse domínio argentino passou a ser um pouco falso. A equipe tinha a bola, rondava o campo ofensivo, mas já não conseguia criar tanto perigo quanto na primeira etapa.
Enquanto isso, o Egito mostrava uma aula de contra-ataque. Aos 13 minutos, Hassan fez uma grande jogada individual e tocou para Salah, que achou um belo passe para Ziko marcar o segundo. No entanto, o gol foi anulado por falta de Attia na origem da jogada, ainda no campo de defesa.
Mesmo com o lance invalidado, o recado estava dado. O Egito havia baixado as linhas, esperava a Argentina se expor e tinha muita velocidade para atacar os espaços. A estratégia funcionou de novo aos 22 minutos. Salah arrancou em novo contra-ataque, se aproximou da área cercado por marcadores e tocou para Hassan. Dentro da área, ele foi para cima da marcação e rolou para o meio. Ziko apareceu de novo, desta vez para marcar um gol válido e fazer 2 a 0.
Naquele momento, o Egito tinha a estratégia certa até certo ponto. A equipe soube sofrer sem se desesperar, achou os espaços em velocidade e colocou a Argentina contra as cordas. Porém, depois do 2 a 0, talvez tenha faltado um pouco mais de controle. O time poderia ter segurado mais a bola, esfriado o jogo e feito o relógio correr. Em vez disso, seguiu apostando quase sempre na transição rápida, abrindo mão de respirar mais com a posse.
A Argentina, então, continuou viva. Aos 34 minutos da segunda etapa, Messi recebeu com espaço pelo lado direito, ajeitou e levantou com muita precisão na área. Romero apareceu cabeceando, Shobeir ainda tocou na bola, mas não conseguiu evitar o gol argentino.
Três minutos depois, Messi voltou a aparecer pela direita. Em uma grande jogada individual, mostrou força, velocidade e deixou adversários para trás antes de cruzar para Lautaro Martínez, que cabeceou para fora. A chance perdida não diminuiu o impacto do camisa 10 no jogo. Dois minutos depois, ele iniciou outra jogada, cruzou para a área, Lautaro ajeitou para o meio, Montiel tocou para trás e Messi apareceu dentro da área para finalizar com muita força. Shobeir tocou na bola novamente, mas não evitou o empate.
Com o 2 a 2, a partida ficou completamente aberta. O Egito, que havia feito um grande jogo até então, passou a sentir o peso da reação argentina. Já a Argentina cresceu emocionalmente, empurrada por Messi e pela sensação de que a virada era possível.
Neste cenário, aos 47 minutos, veio o lance decisivo. Salah perdeu a bola dentro da área argentina e reclamou de pênalti. A arbitragem mandou seguir, e a Argentina puxou o contra-ataque. No campo ofensivo da Argentina, Lautaro Martínez cruzou na cabeça de Enzo Fernández, que apareceu para marcar o gol da virada e colocar a seleção sul-americana nas quartas de final.
No fim das contas, a vitória argentina passou diretamente pelo protagonismo de Messi. Ele perdeu um pênalti, é verdade, mas não se escondeu em nenhum momento. Pelo contrário, seguiu chamando o jogo, criando chances e participando diretamente da reação. Foi uma atuação que misturou elementos de liderança, talento e personalidade.
A Argentina terminou o confronto com 17 chutes, contra apenas quatro do Egito. Também teve sete finalizações no alvo, contra duas do adversário, além de 61% de posse de bola. Os números mostram o volume argentino, mas não contam sozinhos toda a história. O Egito teve um plano muito bem executado durante boa parte da partida e quase construiu uma grande surpresa.
Sendo assim, faltou ao Egito um pouco mais de calma depois de abrir 2 a 0. A equipe poderia ter segurado mais a bola, esfriado a partida e tirado a Argentina do ritmo. Como seguiu apostando muito nas transições rápidas, acabou dando ao adversário a oportunidade de seguir pressionando. Do outro lado, Messi chamou a responsabilidade e foi o grande líder de uma virada histórica que manteve a Argentina viva, e ainda mais forte, na Copa do Mundo.