Nicolas Raskin, Bélgica Manchester United. Foto: Albert Gea/Reuters
Futebol Copa do Mundo

Como a Copa do Mundo transformou Nicolas Raskin em um dos nomes mais valorizados da Bélgica

A Copa do Mundo de Nicolas Raskin mudou completamente a percepção sobre seu futuro. Depois de uma temporada marcada por altos e baixos no Rangers, o volante de 25 anos aproveitou a reta decisiva do Mundial para se firmar na seleção da Bélgica e aumentar ainda mais seu valor de mercado.

O desempenho tem animado os dirigentes do clube escocês, que enxergam a competição como uma oportunidade de realizar uma das maiores vendas de sua história recente. Nem tudo, porém, indicava esse cenário há poucos meses.

A trajetória de Raskin

Raskin iniciou a temporada cercado por dúvidas. Em meio às especulações sobre uma possível transferência, acabou perdendo espaço no elenco e chegou a ser afastado pelo então técnico Russell Martin, que afirmou que o meio-campista estava sendo influenciado pelos rumores do mercado.

A mudança de rumo começou justamente com a saída do treinador. Recuperando a confiança, Raskin retomou a condição de titular e encerrou a temporada como um dos poucos destaques do Rangers. Foram mais de 4 mil minutos em campo, sete gols marcados e nove assistências, números expressivos em uma campanha decepcionante da equipe de Ibrox.

Mesmo assim, ele desembarcou na Copa do Mundo sem status de titular absoluto. O volante começou no banco contra o Egito, ganhou uma oportunidade diante do Irã e voltou a ser reserva na partida contra a Nova Zelândia. A Bélgica ainda buscava um equilíbrio sob o comando de Rudi Garcia, e Raskin era visto apenas como uma alternativa para o meio-campo.

A virada de chave no mata-mata

Bélgica goleia EUA
Foto: Jamie Squire/Getty Images

 

Perdendo por 2 a 0 para o Senegal, Garcia tomou uma decisão que gerou críticas imediatas ao substituir Kevin De Bruyne e Jeremy Doku por Nicolas Raskin e Dodi Lukebakio. Foi aí que tudo mudou.

Com características mais defensivas, Raskin deu liberdade para Youri Tielemans atuar mais próximo da área adversária. O meia do Aston Villa aproveitou os espaços, marcou dois gols e comandou a reação belga.

A atuação transformou o volante em titular para o duelo seguinte contra os Estados Unidos.

Novamente, a decisão de Rudi Garcia foi questionada antes da bola rolar. Afinal, deixar De Bruyne e Doku no banco parecia uma escolha difícil de justificar.

Dentro de campo, porém, Raskin respondeu mais uma vez. A Bélgica dominou a partida, venceu por 4 a 1 e teve no volante um dos principais responsáveis pelo controle do meio-campo.

Com intensidade na marcação, bom posicionamento e capacidade para proteger a defesa, ele praticamente anulou Folarin Balogun, principal referência ofensiva da seleção norte-americana.

Sem conseguir construir jogadas pelo centro, os Estados Unidos passaram a apostar em bolas longas e jogadas pelos lados, estratégia facilmente neutralizada pela equipe belga.

Rangers protege sua joia e interesse de outros clubes

A sequência de boas atuações não apenas consolidou Raskin entre os titulares da Bélgica, como também aumentou o interesse de clubes europeus.

O Rangers, atento ao cenário, agiu rapidamente e acionou a cláusula que estendeu o contrato do volante até 2028. A medida fortalece a posição do clube em uma eventual negociação e amplia a possibilidade de arrecadar uma quantia significativa com sua venda.

O interesse pelo jogador já existia desde a temporada passada, principalmente por equipes da Premier League, e voltou a ganhar força nas últimas semanas. Clubes de Lega Serie A também monitoram sua situação.

Embora perder um dos principais jogadores do elenco represente um desafio esportivo, o Rangers entende que dificilmente conseguirá segurá-lo caso uma proposta importante chegue à mesa.

Depois de transformar uma Copa do Mundo discreta em uma vitrine para toda a Europa, Nicolas Raskin valorizou seu nome no mercado e colocou o clube escocês em uma posição confortável para negociar. Se a saída realmente acontecer, a campanha pela Bélgica pode se transformar em uma das operações mais lucrativas da história recente do Rangers.

Créditos da foto de capa: Albert Gea/Reuters