Robert Whittaker está prestes a viver um dos maiores desafios de sua carreira. Ex-campeão dos pesos-médios, o australiano fará sua aguardada estreia na divisão dos meio-pesados no UFC 329, neste sábado (9), em Las Vegas, diante do perigoso Nikita Krylov. E, se depender do plano traçado durante o camp, a mudança de categoria não será encarada apenas como um teste, mas como o início de uma nova fase.
Depois de anos competindo entre os médios, Whittaker garante que seu corpo finalmente está preparado para atuar nos 93 kg. O adversário escolhido para essa estreia, porém, não poderia ser muito mais complicado. Krylov é conhecido pelo estilo agressivo, pelo alto índice de nocautes e finalizações e por transformar praticamente todas as suas lutas em uma verdadeira guerra.
Mesmo assim, o australiano acredita que encontrou o caminho para neutralizar o rival.
Respeito ao poder de Krylov, mas sem abrir mão do próprio jogo
Em entrevista ao MMA Junkie Radio, Whittaker explicou que o segredo para superar Nikita Krylov será combinar inteligência com paciência.
O ex-campeão reconhece que o ucraniano é um dos lutadores mais perigosos da categoria quando encontra espaço para atacar, justamente por adotar uma postura de “matar ou morrer” dentro do octógono. Por isso, a estratégia passa longe de entrar em uma trocação desenfreada logo nos primeiros minutos.
“Preciso ser paciente, respeitar o poder dele, respeitar sua agressividade e essa mentalidade de tudo ou nada que ele tem. Depois, usar minha movimentação para abrir espaços e criar oportunidades. Quando elas aparecerem, vou mandá-lo para casa”, afirmou.
A declaração mostra exatamente o tipo de abordagem que consagrou Whittaker durante boa parte da carreira.
Sempre conhecido pela movimentação constante, pelos deslocamentos rápidos e pela capacidade de atacar entrando e saindo da distância, o australiano pretende transportar esse estilo para uma categoria onde praticamente todos os atletas possuem poder de nocaute.
Mudança de categoria exigiu transformação física
Subir uma divisão nunca significa apenas ganhar alguns quilos. Para enfrentar lutadores naturalmente maiores, Whittaker precisou remodelar seu físico durante a preparação para o UFC 329.
O australiano garante que chega completamente adaptado aos meio-pesados e acredita que o trabalho realizado nos últimos meses foi suficiente para competir em igualdade física com os principais nomes da categoria.
A confiança veio principalmente dos treinos realizados contra atletas muito maiores do que aqueles que enfrentava nos médios.
Segundo Whittaker, o objetivo era eliminar qualquer dúvida sobre sua capacidade de lidar com força, peso e imposição física.
Camp contou com ajuda dos gigantes da City Kickboxing
Uma das decisões mais importantes durante a preparação foi passar parte do camp na tradicional academia City Kickboxing, na Nova Zelândia.
O local é conhecido por reunir alguns dos principais nomes do MMA mundial e atualmente também abriga o campeão dos meio-pesados do UFC, Carlos Ulberg.
Durante as semanas finais de preparação, Whittaker treinou exclusivamente com atletas acostumados à categoria de cima.
Entre eles estavam Navajo Sterling e Tyson Pedro, dois lutadores reconhecidos pelo porte físico e pela força.
“O fim do camp foi todo na City Kickboxing. Treinei exclusivamente com caras como Navajo Sterling e Tyson Pedro. Eles são enormes. Corpos gigantes para trabalhar. E consegui trocar golpes com eles”, explicou.
A ideia era simples. Se conseguisse competir de igual para igual nos treinos contra atletas desse porte, a adaptação para enfrentar Krylov seria muito mais natural.
Whittaker sabe que treino nunca é igual à luta
Apesar da confiança adquirida durante o camp, Whittaker faz questão de manter os pés no chão.
O australiano lembra que existe uma diferença enorme entre sessões de treinamento e uma luta oficial. No treino, os parceiros controlam a intensidade, evitam riscos desnecessários e trabalham pensando na evolução coletiva.
No octógono, a realidade muda completamente.
“Treino não é luta. O poder dos golpes sempre é o grande fator de equilíbrio. Mas esse risco existe em qualquer combate, independentemente da categoria”, analisou.
A fala resume bem a experiência de um atleta que já disputou cinturões, enfrentou alguns dos maiores nomes do UFC e conhece perfeitamente o nível de perigo presente em qualquer divisão.
Krylov chega como um dos lutadores mais imprevisíveis da categoria
Se existe uma característica que define Nikita Krylov, é a imprevisibilidade. O meio-pesado construiu praticamente toda sua carreira baseado em um estilo extremamente ofensivo. Grande parte de suas vitórias aconteceu antes do limite, seja por nocaute ou finalização.
Ao mesmo tempo, boa parte de suas derrotas também terminou pela via rápida. É um perfil que costuma proporcionar lutas bastante movimentadas e poucas decisões dos juízes.
Para Whittaker, isso exige atenção máxima desde o primeiro segundo. Qualquer erro de posicionamento pode custar caro diante de um adversário que costuma aproveitar praticamente todas as oportunidades de definir o combate.
Um novo capítulo na carreira
A estreia nos meio-pesados representa muito mais do que apenas uma mudança de categoria para Robert Whittaker.
Depois de conquistar o cinturão dos médios e enfrentar praticamente toda a elite da divisão, o australiano decidiu buscar novos desafios em um momento importante da carreira.
Uma vitória convincente sobre Krylov pode colocá-lo rapidamente no radar dos principais nomes dos 93 kg.
Além disso, atuar na mesma categoria do campeão Carlos Ulberg, justamente um dos atletas com quem treinou durante o camp, cria uma série de possibilidades interessantes para o futuro.
Antes de pensar em cinturão ou grandes confrontos, porém, existe uma missão imediata. Superar um dos adversários mais perigosos da divisão em sua primeira luta entre os meio-pesados. Whittaker sabe que o desafio está longe de ser simples. Mas também acredita que a combinação entre movimentação, inteligência tática e experiência pode fazer toda a diferença.
Se o plano funcionar, o australiano não apenas estreará com vitória na nova categoria, como também enviará um recado claro ao restante da divisão: o “Reaper” chegou aos meio-pesados para competir entre os melhores, e não apenas para fazer uma participação especial.


