Declan Rice marcou na vitória da Inglaterra sobre a França
Futebol Copa do Mundo

Inglaterra tira França da zona de conforto e entrega diversão; veja as impressões do jogo

Inglaterra e França entregaram entretenimento neste sábado (18), na disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo. Em um jogo maluco e com 10 gols, os ingleses venceram por 6 a 4 e transformaram uma partida que normalmente desperta pouco interesse em pura diversão para quem gosta de futebol.

A relevância da disputa pelo terceiro lugar em Copas do Mundo é debatida há muitos anos. Inglaterra e França, naturalmente, entraram em campo frustradas por não conseguirem disputar a final. Ainda assim, os dois times protagonizaram um confronto aberto, repleto de boas jogadas e gols marcados por jogadores de alto nível do futebol mundial.

Esse cenário, entretanto, só existiu porque a Inglaterra quis jogar. Durante o primeiro tempo, a França não demonstrou qualquer vontade de competir. Apática, a equipe comandada por Didier Deschamps foi dominada do início ao fim e desceu para o intervalo perdendo por 4 a 0. Talvez pelo risco de sofrer uma das maiores goleadas de sua história em Copas, os franceses voltaram do intervalo com outra postura e conseguiram equilibrar as ações.

Inglaterra tirou a França da zona de conforto

Mesmo preservando nomes importantes, como Harry Kane e Jude Bellingham, a Inglaterra entrou em campo com seriedade. O time de Thomas Tuchel mostrou organização, intensidade e uma marcação agressiva desde os primeiros minutos. A equipe venceu praticamente todos os duelos individuais e encurralou a França durante toda a primeira etapa.

O placar de 4 a 0 antes do intervalo, inclusive, ficou barato diante do que os ingleses produziram. A França pouco criou e assistiu ao adversário jogar de forma dominante, sem conseguir reagir em nenhum momento.

Chamou atenção também a postura de jogadores que tiveram menos espaço ao longo da campanha. Bukayo Saka, Eberechi Eze e Marcus Rashford aproveitaram a oportunidade para mostrar serviço. Até Declan Rice, titular absoluto e vindo de uma temporada desgastante, atuou com muita intensidade. A mensagem parecia clara: aproveitar a chance para convencer Tuchel e ganhar espaço no ciclo que levará a Inglaterra até a Copa de 2030.

A França não mostrou gratidão a Deschamps no 1º tempo

Antes da partida, Kylian Mbappé publicou uma mensagem agradecendo Didier Deschamps pela trajetória na seleção francesa. O treinador deixará o cargo após um ciclo histórico, marcado principalmente pelo título mundial conquistado em 2018. O camisa 10 afirmou que o grupo faria de tudo para proporcionar uma despedida digna ao comandante.

Dentro de campo, porém, o discurso não foi acompanhado pela atuação. A França jogou os primeiros 45 minutos sem intensidade, perdeu praticamente todos os duelos e mostrou pouca concentração. Até jogadores que tiveram poucas oportunidades durante o Mundial, como Rayan Cherki, pareciam atuar sem a energia esperada.

A mudança aconteceu apenas depois do intervalo. Com a derrota por 4 a 0, Deschamps promoveu quatro alterações, reorganizou a equipe e conseguiu despertar uma reação. A França passou a competir, pressionou mais e diminuiu a diferença, embora a recuperação tenha chegado tarde demais.

Tuchel tem uma boa base, mas precisa corrigir problemas

Thomas Tuchel ficará marcado como um dos principais responsáveis pela eliminação da Inglaterra diante da Argentina na semifinal. Mesmo pressionado, o treinador alemão terá um novo ciclo para trabalhar com uma geração extremamente qualificada.

A base da seleção inglesa deve ser mantida até 2030. A principal dúvida está relacionada a Harry Kane, que chegará ao próximo Mundial com 37 anos. Ainda assim, a Inglaterra conta com diversos jogadores jovens capazes de sustentar um projeto competitivo nos próximos anos.

O principal desafio estará no sistema defensivo. Assim como aconteceu contra a Argentina, a Inglaterra sofreu quando a França resolveu atacar na segunda etapa. A equipe perdeu organização sem a bola e voltou a oferecer espaços desnecessários. Corrigir esse comportamento será uma das prioridades de Tuchel.

Mesmo com esse ponto de atenção, é justo reconhecer o trabalho realizado. O treinador entregou a melhor campanha inglesa em uma Copa do Mundo desde o histórico título conquistado em 1966.

Zidane encontrará muito talento, mas também um desafio

Tudo indica que Zinedine Zidane assumirá o comando da França para o próximo ciclo. O ex-treinador do Real Madrid herdará uma das seleções mais talentosas do futebol mundial, mas também encontrará um grupo que, em diversos momentos, parece competir apenas quando se sente ameaçado.

O maior desafio será manter os jogadores motivados durante todo o ciclo e administrar um elenco repleto de estrelas. A França seguirá contando com atletas de enorme qualidade técnica até 2030, mas precisará reduzir os frequentes momentos de desligamento que aparecem ao longo das partidas. Em um grupo tão talentoso, a gestão de ego também será um fator importante.

Vale lembrar que a eliminação francesa nesta Copa aconteceu principalmente por uma derrota tática para a Espanha. Zidane terá a missão de apresentar novas soluções e provar que é capaz de conduzir uma seleção de elite, mesmo após um longo período longe da profissão.

Foto: Divulgação/Fifa World Cup