Chase Hooper entrou no octógono do UFC Oklahoma carregando muito mais do que a pressão de conquistar uma vitória. Para o peso-leve norte-americano, o duelo contra Mitch Ramirez representava praticamente um divisor de águas na carreira. A situação era tão delicada que ele já havia combinado com a esposa: se sofresse a terceira derrota consecutiva, abandonaria o sonho de viver como lutador profissional e voltaria a trabalhar em um emprego convencional.
No fim das contas, o roteiro foi bem diferente daquele que Hooper temia.
Com uma atuação dominante, o norte-americano finalizou Mitch Ramirez com um mata-leão ainda no primeiro round e não apenas voltou a vencer no UFC, como também ganhou um enorme alívio para seguir acreditando no próprio futuro dentro da organização.
A vitória foi comemorada como poucas em sua carreira. E não era para menos.
Chase Hooper estava diante da luta mais importante da carreira
Quando a porta do octógono se fechou no Paycom Center, Chase Hooper sabia exatamente o que estava em jogo.
Mais do que um resultado negativo no cartel, uma derrota significaria o fim de um projeto de vida construído desde muito jovem.
Após passar mais de um ano sem vencer e conviver com questionamentos sobre seu futuro no UFC, o lutador chegou à conclusão de que não faria sentido insistir caso acumulasse três derrotas consecutivas.
A decisão já estava tomada antes mesmo do combate.
Em entrevista após o evento, Hooper revelou que havia conversado seriamente com sua esposa sobre o assunto e que estava preparado para buscar uma profissão fora do esporte caso fosse derrotado.
Era uma aposta de tudo ou nada.
Peso da pressão ficou evidente nas palavras do lutador
Após o triunfo, Chase Hooper não escondeu o quanto aquele momento significava. Segundo o norte-americano, a sensação de voltar a vencer era algo que ele não experimentava havia mais de um ano, desde a vitória por decisão unânime sobre Jim Miller, conquistada em abril de 2025.
Ele comparou essa sensação a um vício.
Nas palavras do próprio lutador, vencer é algo que desperta uma necessidade constante, quase impossível de substituir.
Por isso, a luta contra Mitch Ramirez carregava uma carga emocional muito maior do que qualquer outra apresentada oficialmente no card.
Enquanto os torcedores enxergavam apenas mais um combate do UFC Oklahoma City, Hooper via uma decisão sobre o próprio futuro profissional.
Vitória dominante afastou qualquer dúvida
A pressão desapareceu rapidamente assim que a luta começou.
Chase Hooper dominou completamente Mitch Ramirez e precisou de apenas dois minutos e quinze segundos para garantir a vitória por finalização.
Depois de conquistar as costas do adversário, encaixou um mata-leão preciso e obrigou Ramirez a desistir ainda no primeiro round.
Foi sua primeira vitória por finalização desde dezembro de 2024, quando derrotou Clay Guida com uma chave de braço.
Mais importante do que o método da vitória foi a forma como ela aconteceu.
Hooper mostrou confiança, agressividade e um jogo de grappling muito parecido com aquele que o transformou em uma das grandes promessas da organização quando chegou ao UFC ainda muito jovem.
Era justamente essa versão que muitos fãs esperavam rever.
O jiu-jítsu voltou a ser a principal arma
Depois da luta, Chase Hooper explicou que o desfecho não aconteceu por acaso. Segundo ele, toda a sequência de posições utilizada durante o combate faz parte da rotina de treinamentos realizada diariamente na academia.
O norte-americano revelou que, ao conquistar a posição dominante, percebeu inicialmente um desconforto de Ramirez e imaginou que o rival tivesse sofrido algum problema nas costelas.
Posteriormente, descobriu que o adversário havia sentido o joelho em um movimento bastante incomum.
Mesmo assim, Hooper permaneceu concentrado. Quando percebeu que o antebraço havia passado corretamente por baixo do pescoço do rival, não desperdiçou a oportunidade.
Foi exatamente o momento que definiu a luta.
Michael Chiesa teve papel importante na preparação
Um detalhe curioso revelado por Chase Hooper chamou atenção após o evento.
O peso-leve contou que buscou ajuda de Michael Chiesa durante o período de preparação para o UFC Oklahoma City.
Recém-aposentado, Chiesa construiu praticamente toda sua carreira utilizando o grappling como principal ferramenta, acumulando diversas vitórias por finalização ao longo dos anos.
Hooper decidiu passar um período treinando em Spokane para aprender alguns detalhes técnicos diretamente com o veterano.
Segundo ele, várias das posições utilizadas diante de Mitch Ramirez nasceram justamente dessas conversas e sessões de treinamento.
O resultado apareceu imediatamente. As orientações de Chiesa ajudaram Hooper a encontrar o caminho para uma das vitórias mais importantes de sua trajetória.
A confiança também venceu
Muito além do resultado oficial, Chase Hooper recuperou algo que parecia estar escapando nos últimos meses: a confiança.
Durante o período sem vitórias, o norte-americano conviveu com dúvidas sobre sua permanência no UFC e até mesmo sobre sua capacidade de continuar competindo entre os melhores do mundo.
O triunfo diante de Mitch Ramirez serviu como uma resposta.
Não apenas para os críticos, mas principalmente para ele mesmo. Segundo o lutador, foi extremamente importante perceber que justamente o estilo de luta que o levou ao UFC, baseado no jiu-jítsu e nas finalizações, continua sendo suficiente para competir em alto nível.
Em vez de abandonar suas características para tentar reinventar completamente seu jogo, Hooper voltou às origens. E deu certo.
O futuro volta a parecer promissor
Ainda é cedo para afirmar que Chase Hooper está novamente na corrida por posições importantes dentro da divisão dos leves.
No entanto, a vitória em Oklahoma muda completamente o cenário. Em vez de discutir aposentadoria precoce ou mudança de profissão, o norte-americano agora pode voltar a pensar apenas na próxima luta.
Aos 26 anos, ele continua sendo um dos atletas mais jovens da categoria e ainda possui bastante tempo para evoluir técnica e fisicamente.
O UFC também costuma valorizar competidores que entregam atuações dominantes e finalizações rápidas, exatamente o que Hooper fez contra Mitch Ramirez.
É claro que desafios maiores virão pela frente. Mas, pelo menos por enquanto, aquele currículo para um “emprego normal” pode continuar guardado na gaveta. Afinal, Chase Hooper provou da melhor maneira possível que ainda merece seu lugar no maior evento de MMA do planeta.
Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC | Getty Images



