Ferrán Torres, Espanha, Copa do Mundo 2026. Foto: Juan Mabromata/AFP
Futebol Copa do Mundo

Heróis de Copa: 5 jogadores “inesperados” que decidiram finais

Nem sempre as finais de Copa do Mundo são decididas pelos maiores craques. Embora nomes como Pelé, Maradona, Zidane, Messi e Mbappé dominem as lembranças dos Mundiais, algumas das partidas mais importantes da história tiveram como protagonistas jogadores que chegaram longe dos holofotes e aproveitaram um único momento para entrar definitivamente na memória do futebol.

Um bom exemplo disso tudo foi no último domingo, quando uma Espanha que tinha Lamine Yamal e Mikel Oyarzabal foi campeão do mundo com um gol do reserva Ferrán Torres. O atacante foi mais uma evidência, entre muitas, de que os heróis nem sempre são aqueles de maior grife.

A Playmaker Brasil separou cinco nomes que foram autores de tentos históricos que garantiram títulos de Copa do Mundo. Confira:

1. Ferrán Torres (Espanha – 2026)

Ferrán Torres, Espanha, Copa do Mundo 2026. Foto: Juan Mabromata/AFP
Ferrán Torres, Espanha, Copa do Mundo 2026. Foto: Juan Mabromata/AFP

 

É o exemplo mais recente que os fãs poderiam listar. Ferrán Torres chegou à decisão sem ser titular absoluto da Espanha. Desde o empate sem gols contra Cabo Verde até a final no MetLife Stadium, contra a Argentina, o camisa 7 recebeu críticas durante o torneio e perdeu espaço no time inicial.

Ferrán entrou no segundo tempo de partida e marcou o gol do título contra os argentinos na etapa final da prorrogação. La Roja conquistou bicampeonato mundial. O jogador tornou-se apenas o segundo atleta da história a sair do banco para marcar o gol do título em uma final de Copa do Mundo.

O jogador tornou-se apenas o segundo atleta da história a sair do banco para marcar o gol do título em uma final de Copa do Mundo — o primeiro havia sido Mario Götze, da Alemanha, curiosamente contra a própria alviceleste.

2. Mario Götze (Alemanha – 2014)

Mario Götze, Alemanha. Foto: Reprodução/Independent.co.uk
Mario Götze, Alemanha. Foto: Reprodução/Independent.co.uk

 

Talvez o maior herói improvável da Era Moderna. Antes da final, Götze não era sequer o principal nome da Alemanha e havia sido titular em três jogos, marcando um gol somente — contra Gana, na segunda rodada da fase de grupos.

Em um time que tinha Thomas Müller, Toni Kroos, Mesut Özil e Miroslav Klose, tais nomes recebiam muito mais atenção do que o jovem jogador, que na época pertencia ao Bayern de Munique.

Foi na prorrogação que a magia aconteceu. Götze recebeu o cruzamento de Schürrle, dominou no peito e bateu para fazer o primeiro, e único, gol da partida aos 113 minutos. Foi a primeira vez que um reserva decidiu uma final de Copa.

Mas, não somente isso, coroou também as palavras do técnico Joachim Löw, que teria dito a Götze antes de entrar: “Mostre ao mundo que você é melhor que o Messi”.

Guardadas as devidas proporções, o peso da decisão equivale à grandeza do craque argentino. E o alemão fez a alegria de todos no Maracanã ao impedir um título do alviceleste em pleno território brasileiro.

3. Andreas Brehme (Alemanha Ocidental – 1990)

Andreas Brehme, Alemanha 1990. Foto: Lutz Bongarts/Getty Images
Andreas Brehme, Alemanha 1990. Foto: Lutz Bongarts/Getty Images

 

Na Alemanha, o já falecido Andreas Brehme marcou uma época também. Até os dias de hoje é lembrado pelo pênalti decisivo convertido na final de 1990, contra a Argentina, em Roma. Não era atacante, nem meia. Era lateral esquerdo, tampouco astro daquele time da Mannschaft, capitaneado por Lothar Matthäus e que ainda contava com Rudi Völler e Jurgen Klinsmann.

Aos 40 minutos do segundo tempo, no Stadio Olimpico, foi ele quem deu alegrias ao povo da Alemanha. Praticamente ambidestro, Andreas Brehme foi autor do gol do terceiro título dos alemães. Até hoje, os torcedores não sabem qual era a perna dominante do jogador, já que cobrava faltas e pênaltis com a perna que desejasse.

A curiosidade fica pelo impacto de Brehme naquele time. Terminaria aquela Copa do Mundo com seis participações em diretas em tentos, um número extraordinário para um defensor.

4. Jorge Burruchaga (Argentina – 1986)

Jorge Burruchaga, Argentina 1986. Foto: Del Percio/AFP
Jorge Burruchaga, Argentina 1986. Foto: Del Percio/AFP

 

Este foi o herói que acabou “escondido” por Diego Armando Maradona. Aquela Argentina campeã do mundo chegaria ao seu ponto mais alto, mas não com o título de El Pibe, e sim de seu companheiro Jorge Burruchaga.

Mesmo decidindo uma final de Copa, Burruchaga raramente aparece entre os maiores nomes do Mundial de 1986, justamente porque a campanha ficou eternizada pelos lances de Maradona contra Inglaterra e Bélgica.

É um ótimo exemplo de jogador cujo momento decisivo acabou ofuscado por um companheiro muito maior.

5. Helmut Rahn (Alemanha Ocidental – 1954)

Helmut Rahn, Alemanha Ocidental 1954. Foto: Reprodução/Fussball Museum
Helmut Rahn, Alemanha Ocidental 1954. Foto: Reprodução/Fussball Museum

 

O “Milagre de Berna” realmente foi o episódio mais épico de uma Copa do Mundo. Depois de sair perdendo para a Hungria por 2 a 0, em apenas oito minutos, a Alemanha conseguiu uma virada histórica. Tudo isso, graças a Helmut Rahn, jogador que virou ídolo nacional e tio-avô dos irmãos Kevin-Prince Boateng e Jérôme Boateng.

Rahn marcou o gol de empate, aos 18 do primeiro tempo, e o da virada, aos 39 do segundo. O atacante virou ícone e ficou marcado por uma epopeia, comandada não só por ele, mas também pelos “irmãos Walter” (Fritz e Ottmar) e pelo goleiro Toni Turek.

Heróis da Copa

O gol de Ferran Torres contra a Argentina em 2026 reforçou uma tradição curiosa das Copas do Mundo: a dos heróis inesperados. Assim como Götze em 2014, Brehme em 1990, Burruchaga em 1986 e Helmut Rahn em 1954, o atacante espanhol mostrou que, em uma final de Mundial, um único lance pode ser suficiente para transformar um coadjuvante em personagem eterno da história do futebol.

Créditos da foto de capa: Juan Mabromata/AFP