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Espanha: na primeira Data FIFA após o título mundial, equipe fica ainda mais forte; confira

A Espanha chega à nova temporada internacional com uma situação que poucos campeões poderiam imaginar: depois de conquistar a Copa do Mundo de 2026, a seleção de Luis de la Fuente ainda pode melhorar. O motivo está nos pontas. Lamine Yamal, Nico Williams, Yeremy Pino e Víctor Muñoz estão novamente disponíveis em plenitude física, oferecendo ao treinador uma variedade de soluções ofensivas que praticamente não existiu durante a campanha do título mundial.

É uma diferença importante porque os pontas foram justamente uma das grandes marcas da Espanha campeã da Eurocopa de 2024. De um lado, Nico Williams. Do outro, Lamine Yamal. A capacidade de ambos de receber abertos, atacar o marcador e acelerar as jogadas dava à equipe uma dimensão vertical que complementava o controle de posse característico de De la Fuente.

Na final contra a Inglaterra, por exemplo, a conexão entre os dois extremos produziu o primeiro gol espanhol. Era a síntese de uma ideia: a Espanha podia controlar o jogo por dentro, mas tinha jogadores capazes de destruir a estrutura adversária pelos lados.

Dois anos depois, a situação é diferente. A Espanha já conquistou a segunda estrela sem depender dessa fórmula. E isso torna o retorno dos pontas ainda mais interessante. A seleção não está recuperando uma identidade perdida. Está acrescentando uma nova camada a uma equipe que aprendeu a vencer de outras maneiras.

A campeã mundial ficou mais completa justamente porque precisou sobreviver sem uma de suas principais armas.

A Copa mostrou que a Espanha não depende de Lamine e Nico

O Mundial de 2026 poderia ter sido muito diferente para a Espanha.

Lamine Yamal chegou ao torneio ainda condicionado pela lesão sofrida antes da competição, enquanto Nico Williams também não conseguiu disputar todo o torneio em plena condição física. Durante a fase eliminatória, a seleção ainda perdeu outros jogadores importantes dos lados do campo. Nico sofreu uma lesão na vitória por 1 a 0 sobre o Uruguai, enquanto Yeremy Pino também teve problemas físicos naquela partida.

O resultado foi uma situação que, antes do torneio, parecia difícil de imaginar: a Espanha precisou encontrar alternativas para atacar sem contar regularmente com seus dois pontas de referência.

E encontrou. Álex Baena ganhou protagonismo. Ferran Torres apareceu em diferentes funções. Outros jogadores assumiram responsabilidades na criação e na ocupação dos espaços. A equipe continuou competitiva e terminou o torneio conquistando o título mundial.

Esse detalhe muda a interpretação sobre a volta de Lamine e Nico.

Se a Espanha dependesse exclusivamente deles, o retorno seria uma necessidade. Como a seleção conseguiu conquistar a Copa sem tê-los em plena forma, a recuperação dos dois passa a ser uma oportunidade.

De la Fuente agora pode voltar a utilizar uma arma que já conhecia, mas sem precisar construir toda a equipe ao redor dela.

A Espanha ficou campeã sem seu ataque mais explosivo

Existe uma diferença fundamental entre possuir um jogador decisivo e depender dele.

Durante a Eurocopa de 2024, a Espanha tinha em Lamine e Nico duas ferramentas capazes de modificar o jogo individualmente. O adversário podia organizar a defesa para controlar a circulação pelo centro, mas isso abria espaço para os pontas. Se recuasse para proteger os lados, a equipe ganhava território e tempo para construir por dentro.

Era uma espécie de dilema permanente. No Mundial, esse mecanismo ficou limitado. Lamine continuou sendo capaz de produzir momentos de desequilíbrio, mas longe da condição física ideal. Nico teve sua participação interrompida por lesão. Yeremy e Víctor Muñoz também não conseguiram oferecer continuidade.

Mesmo assim, a Espanha terminou campeã.

Esse é talvez o maior sinal de maturidade da equipe de De la Fuente: ela deixou de ser uma seleção que precisa de uma maneira específica para ganhar.

A Espanha pode controlar a partida com a bola. Pode acelerar pelos lados. Pode encontrar um jogador entre as linhas. Pode explorar a presença de seus atacantes. Pode também sobreviver quando uma de suas principais ferramentas desaparece.

Agora, com os pontas saudáveis, todas essas possibilidades podem coexistir.

Lamine e Nico devolvem o desequilíbrio individual

A presença de Lamine Yamal é particularmente importante nesse contexto.

O atacante do Barcelona chega ao novo ciclo internacional como um jogador ainda mais estabelecido. Aos 19 anos, ele já participou de uma Copa do Mundo como titular e foi peça importante na conquista espanhola. Mais do que os números, existe uma característica que muda a forma como o adversário precisa defender a Espanha: Lamine pode criar vantagem sem que a equipe precise construir uma jogada perfeita.

Ele recebe, encara o marcador e pode produzir a superioridade por conta própria.

Nico oferece uma ameaça diferente. Sua velocidade e capacidade de atacar espaços dão à Espanha uma alternativa mais vertical, especialmente quando o adversário decide pressionar alto ou adiantar sua última linha.

Ter os dois simultaneamente significa obrigar a defesa adversária a tomar decisões difíceis. Se os laterais permanecem abertos para controlar os pontas, o espaço entre as linhas pode aumentar. Se os zagueiros se aproximam para ajudar, surgem corredores para infiltrações. Se a defesa recua, a Espanha ganha metros para circular a bola.

O valor dos pontas, portanto, não está apenas no que eles fazem quando recebem.

Está também no que obrigam o adversário a fazer antes mesmo de receberem a bola.

O detalhe que pode mudar o segundo ciclo de De la Fuente

É aqui que a nova fase da Espanha fica especialmente interessante.

De la Fuente não precisa voltar simplesmente ao time da Eurocopa. O futebol da seleção evoluiu desde então.

A equipe agora chega ao novo ciclo como campeã europeia e mundial. O título de 2026 mostrou que o treinador conseguiu manter uma identidade mesmo diante de problemas físicos e mudanças de peças.

A pergunta passa a ser: o que De la Fuente fará quando recuperar todas as suas armas?

A resposta pode envolver uma Espanha ainda mais agressiva.

Com Lamine e Nico abertos, o campo fica maior. Com Pedri e os demais meio-campistas controlando a circulação, os pontas podem receber em situações mais favoráveis. E com os laterais participando da construção, os adversários precisam decidir se protegem a amplitude ou fecham o corredor central.

A volta dos pontas pode, portanto, melhorar também jogadores que não atuam pelos lados.

Esse é o ponto central. Um extremo de elite não precisa tocar 50 vezes na bola para influenciar uma partida. Sua simples presença pode alterar a posição de três ou quatro jogadores adversários. A Espanha já possui qualidade suficiente para aproveitar essas consequências.

A profundidade do elenco virou uma das maiores armas

A grande diferença em relação a 2024 é que agora De la Fuente sabe que existem alternativas.

Quando Lamine ou Nico não estiverem disponíveis, a Espanha já demonstrou que consegue competir. Quando ambos estiverem em campo, o treinador pode utilizar essa profundidade de outra maneira.

Yeremy Pino acrescenta mobilidade e capacidade de atuar em diferentes zonas do ataque. Víctor Muñoz representa outra opção para manter a intensidade pelos lados. Baena já mostrou que pode assumir protagonismo. Ferran Torres continua oferecendo versatilidade.

A consequência é um elenco em que a perda de um jogador não necessariamente exige uma mudança radical de identidade.

Isso ficou evidente durante a Copa. E pode ser ainda mais importante agora. A temporada internacional começa novamente com um confronto de peso. A Espanha enfrenta a Inglaterra em Wembley pela Nations League em 26 de setembro, antes de encarar República Tcheca e Croácia.

É um começo simbólico. A Espanha que entra em campo em Londres não é a mesma seleção que precisou administrar tantas limitações físicas durante a Copa. É a campeã mundial com algumas de suas principais armas ofensivas novamente disponíveis.

E existe uma ironia nisso tudo. A seleção conquistou o maior título possível justamente quando seus pontas estavam mais limitados. Agora, recupera seus principais jogadores do setor sem precisar voltar a depender deles.

Essa pode ser a maior evolução de De la Fuente. Em 2024, Lamine Yamal e Nico Williams representavam uma das principais explicações para o sucesso espanhol. Em 2026, eles podem ser apenas mais duas peças de um elenco que já aprendeu a ganhar de outras maneiras.

A Espanha não recuperou apenas dois pontas. Recuperou a possibilidade de ser imprevisível. Pode atacar por dentro. Pode atacar pelos lados. Pode controlar a bola ou acelerar o jogo. Pode criar com seus meio-campistas ou simplesmente entregar a bola a um jogador capaz de vencer o adversário no um contra um.

É isso que torna a nova fase tão interessante. A Espanha já provou que consegue ser campeã sem depender de Lamine e Nico.

Agora, com eles novamente saudáveis, De la Fuente pode descobrir até onde essa seleção consegue chegar quando finalmente tiver todas as suas armas à disposição.