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Automobilismo Fórmula 1

Fórmula 1 volta a pagar o preço por aproximação com o Oriente Médio, mas problemas podem pesar no bolso; confira

A Fórmula 1 abandonou oficialmente as esperanças de realizar o Grande Prêmio do Bahrein mais tarde nesta temporada, mas a decisão vai muito além da simples remoção de uma corrida do calendário. Trata-se da primeira grande consequência de uma avaliação de segurança cada vez mais complexa, que ainda pode ter enormes implicações esportivas e financeiras para o campeonato.

De acordo com o GPblog, a Formula One Management (FOM) informou às equipes, durante o fim de semana do Grande Prêmio da Bélgica, que o Bahrein não retornará ao calendário. Uma corrida havia sido planejada para o primeiro fim de semana de outubro, após um período de relativa calma no Oriente Médio, mas esses planos agora foram abandonados.

Embora a Fórmula 1 não tenha explicado publicamente suas razões, a decisão mostra como o campeonato avalia situações geopolíticas muito antes de o transporte de equipamentos deixar a Europa. Fontes indicam que o fator decisivo não foi simplesmente saber se os combates continuam no momento atual, mas se a FOM poderia ter certeza de que equipes, pilotos e milhares de profissionais conseguiriam viajar com segurança para a região várias semanas depois.

Com as hostilidades tendo voltado a aumentar após as esperanças de um cessar-fogo duradouro, essa certeza deixou de existir. Para a categoria, a dificuldade passou a ser avaliar não apenas as condições presentes, mas também a possibilidade de uma deterioração da situação quando a operação logística do evento já estivesse em andamento.

O complexo quebra-cabeça logístico da Fórmula 1

Planejar uma corrida de Fórmula 1 é diferente de organizar praticamente qualquer outro evento esportivo. As equipes começam a enviar equipamentos semanas antes de um Grande Prêmio, enquanto aeronaves fretadas, rotas de transporte, procedimentos alfandegários e hospedagem precisam ser confirmados com bastante antecedência. Qualquer deterioração da situação de segurança depois que essa logística já tiver começado poderia deixar a Fórmula 1 diante de enormes desafios operacionais.

Em vez de apostar na possibilidade de que as circunstâncias melhorem, a FOM decidiu retirar o Bahrein completamente da lista de possibilidades. A decisão também oferece uma indicação importante sobre a forma como a Fórmula 1 deverá lidar com as demais corridas do Oriente Médio. Catar e Abu Dhabi continuam no calendário, por enquanto, mas nenhum dos dois eventos pode ser considerado garantido neste momento.

A situação é diferente da do Bahrein porque ainda há mais tempo antes da realização dessas corridas. Isso dá à FOM semanas adicionais para acompanhar os acontecimentos antes de tomar uma decisão definitiva. Internamente, a Fórmula 1 continua esperando que as condições se estabilizem. O campeonato gostaria de terminar a temporada no Oriente Médio conforme planejado originalmente, mas a segurança continua sendo a consideração principal.

Essa é também a razão pela qual nenhum substituto foi oficialmente confirmado até o momento. Em vez disso, a FOM mantém simultaneamente diversos planos de contingência em andamento.

Portimão surge como principal alternativa para uma corrida

O circuito de Portimão, em Portugal, continua sendo o candidato mais forte caso seja necessária uma corrida adicional. O circuito do Algarve sediou corridas de Fórmula 1 durante a pandemia de COVID-19. Por isso, já possui a licença FIA Grade 1 necessária e experiência recente na realização de um Grande Prêmio moderno.

Outra possibilidade em discussão seria uma segunda corrida inédita em Baku. Realizar eventos consecutivos no circuito de rua do Azerbaijão reduziria significativamente as complicações logísticas em comparação com a necessidade de transportar todo o paddock para outro país em curto prazo.

Quanto mais a Fórmula 1 demora para tomar uma decisão final, porém, menos alternativas realistas permanecem disponíveis. Substituir o Bahrein seria relativamente simples do ponto de vista do calendário. Já substituir simultaneamente Catar e Abu Dhabi exigiria uma reorganização muito mais significativa das semanas finais do campeonato.

Essa incerteza também está criando uma realidade financeira cada vez mais desconfortável para a Formula One Management.

O peso financeiro das corridas no Oriente Médio

O Oriente Médio se tornou uma das regiões mais lucrativas da Fórmula 1 nas últimas duas décadas. O Bahrein recebe Grandes Prêmios desde 2004. Abu Dhabi realiza a final da temporada desde 2009, enquanto o Catar entrou no calendário por meio de um acordo de longo prazo criado para fortalecer a presença comercial da Fórmula 1 na região do Golfo. Juntos, os três eventos representam alguns dos maiores contratos de promotores do campeonato.

Embora os valores exatos permaneçam confidenciais, estimativas do setor têm colocado consistentemente as taxas de realização das corridas no Golfo entre as mais altas de todo o calendário. Acredita-se que cada evento contribua anualmente com dezenas de milhões de dólares pelo direito de sediar a Fórmula 1.

Se Catar e Abu Dhabi também fossem cancelados, a Formula One Management poderia perder uma quantia substancial em receitas. O impacto combinado poderia potencialmente chegar à casa das centenas de milhões de dólares quando fossem consideradas também as receitas de hospitalidade, ativações de patrocínio e acordos comerciais locais relacionados a esses eventos.

O custo de cancelar uma corrida da Fórmula 1

Caso corridas sejam canceladas por circunstâncias fora do controle das partes envolvidas, os pagamentos dos promotores podem ser reduzidos, adiados ou renegociados, dependendo dos termos de cada contrato individual. Isso significa que a Fórmula 1 talvez não perca cada dólar associado aos Grandes Prêmios cancelados. Ainda assim, quase certamente haveria um impacto comercial significativo.

Existe também outro fator importante. Abu Dhabi tradicionalmente funciona como a grande vitrine da final da temporada da Fórmula 1, atraindo patrocinadores importantes, convidados VIP e programas de hospitalidade corporativa.

A perda desse evento afetaria muito mais do que apenas a receita de ingressos. Ela retiraria do campeonato um dos fins de semana comercialmente mais valiosos de toda a temporada. Por enquanto, a Formula One Management não está preparada para tomar essa decisão.

Com vários meses ainda restantes antes das corridas finais da temporada, a FOM continuará avaliando a situação de segurança enquanto prepara, simultaneamente e nos bastidores, alternativas para o calendário. O Bahrein pode agora estar fora dos planos, mas o destino de toda a etapa do calendário da Fórmula 1 no Oriente Médio continua indefinido.

A decisão de retirar o Bahrein representa, portanto, apenas o primeiro desdobramento de uma situação mais ampla. O campeonato ainda precisa determinar se Catar e Abu Dhabi poderão ser realizados com segurança e, ao mesmo tempo, manter opções alternativas disponíveis caso a situação se deteriore.

As próximas semanas poderão definir não apenas onde o campeonato mundial terminará, mas também se a Fórmula 1 conseguirá evitar um dos maiores reveses comerciais de sua história moderna.

Foto: (Motor Show)