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Automobilismo Fórmula 1

McLaren seria a equipe ideal para Max Verstappen? O cenário de uma possível mudança na Fórmula 1

Os rumores de que Max Verstappen mantém conversas com a McLaren continuam circulando, o que abre espaço para uma hipótese interessante: caso realmente deixe a Red Bull, a equipe de Woking seria o destino ideal para que o tetracampeão mundial desse continuidade à sua trajetória vencedora na Fórmula 1?

Segundo informações obtidas pela Motorsport Week, Verstappen estaria cada vez mais insatisfeito com a Red Bull. O piloto também teria rejeitado as tentativas da equipe de convencê-lo a abrir mão de uma cláusula contratual que aparentemente lhe permite buscar outra equipe caso inicie as férias de verão da Fórmula 1 ocupando posição inferior ao segundo lugar no campeonato.

Essa possibilidade já não pode mais ser evitada matematicamente e, por isso, cresce a percepção de que Verstappen poderá deixar a equipe caso conclua que essa é a melhor decisão para sua carreira.

Partindo apenas dessa hipótese, imagine que a união entre Verstappen e a McLaren realmente aconteça e que o holandês passe a defender as cores da equipe. Que tipo de ambiente, cultura, filosofia e estrutura competitiva encontraria? E de que maneira isso poderia ajudá-lo a continuar conquistando vitórias e disputando novos títulos mundiais? Para responder a essas perguntas, vale observar movimentos semelhantes realizados por outros grandes campeões da história da categoria.

Schumacher e Hamilton mostram caminhos diferentes para o sucesso

Em 1996, Michael Schumacher tomou uma decisão que surpreendeu muita gente ao trocar a Benetton pela Ferrari. Embora o contexto vivido por aquelas equipes fosse diferente da situação atual envolvendo Red Bull e McLaren, havia uma semelhança importante: Schumacher, assim como Verstappen hoje, estava na metade de seus vinte anos e vivia o auge de sua carreira.

Outro ponto comparável era o fato de a Ferrari possuir uma identidade muito própria, baseada em sua cultura, métodos e forma de trabalhar, algo que pode ser observado na McLaren atualmente.

Schumacher utilizou sua influência para convencer o diretor técnico Ross Brawn e o projetista Rory Byrne a deixarem seus cargos em Enstone e seguirem para Maranello. Ambos chegaram carregando o prestígio de dois títulos mundiais consecutivos conquistados anteriormente, enquanto o chefe de equipe Jean Todt permitiu que toda a reestruturação fosse implementada.

Nos anos seguintes, Schumacher ficou muito perto do título em suas segunda e terceira temporadas. Na terceira, inclusive, poderia ter conquistado o campeonato não fosse a fratura na perna sofrida em Silverstone. Quando finalmente venceu seu primeiro campeonato com a Ferrari, em sua quarta temporada, iniciou uma sequência de cinco títulos consecutivos que consolidou definitivamente seu lugar entre os maiores pilotos da história da Fórmula 1.

Outro exemplo citado é o de Lewis Hamilton em sua transferência para a Ferrari. Hamilton viveu, no ano anterior, a pior temporada de sua carreira na Fórmula 1. Em sua primeira campanha vestindo vermelho, não conseguiu subir ao pódio uma única vez, algo inédito em suas dezenove temporadas na categoria. Durante aquele período, passou a impressão de estar desanimado, distante e frustrado.

Sua segunda temporada, porém, apresenta um cenário bastante diferente. Depois da vitória conquistada na Espanha, o entusiasmo demonstrado desde os testes de pré-temporada passou a fazer sentido. Segundo a análise apresentada, sua influência no desenvolvimento do SF-26 contribuiu para mudanças importantes no carro, permitindo uma evolução nos resultados. Charles Leclerc, companheiro de equipe, encerrou uma sequência de desempenhos inferiores ao vencer em Silverstone.

Existe uma diferença marcante entre a chegada de Hamilton e a de Schumacher à Ferrari. Hamilton não teve a possibilidade de convencer antigos integrantes da Mercedes a acompanhá-lo. Ainda assim, a influência exercida pelo heptacampeão parece ter convencido Fred Vasseur a permitir mudanças internas que o deixaram significativamente mais confortável dentro da equipe.

Quando um piloto conquista diversos títulos mundiais, sua presença naturalmente passa a exercer enorme influência sobre todos ao redor. Segundo essa visão, Verstappen hoje possui exatamente esse tipo de autoridade dentro do paddock.

Além disso, o texto compara sua personalidade à de Schumacher em diversos aspectos. Ambos seriam extremamente competitivos, muito rápidos, donos de enorme confiança e frequentemente retratados por parte da imprensa como figuras frias ou distantes. Ao mesmo tempo, fora das pistas, também seriam pessoas educadas, determinadas e capazes de motivar aqueles que trabalham ao seu redor.

Uma McLaren pronta para receber Verstappen

Essas características, segundo a análise, ajudaram Verstappen a conduzir a Red Bull durante um início complicado da temporada de 2025. O piloto participou da recuperação da equipe após uma desvantagem superior a cem pontos iniciada depois das férias de verão e acabou perdendo o campeonato por apenas dois pontos.

Entretanto, a impressão atual é de que essa influência já não produz o mesmo efeito dentro da estrutura de Milton Keynes. Nos últimos anos, a Red Bull perdeu diversos profissionais importantes, reduzindo parte da força que possuía anteriormente. Além disso, com a aposentadoria de Helmut Marko da chefia do programa de jovens pilotos da Red Bull, Verstappen teria perdido mais um aliado importante.

Outro nome citado é o de Gianpiero Lambiase, engenheiro de corrida e amigo próximo do piloto. Segundo o texto, ele deverá deixar seu posto no muro dos boxes da Red Bull para assumir uma função na McLaren “até, no máximo, 2028”. Há ainda especulações de que esse movimento faça parte de um plano de longo prazo para que ele assuma futuramente o cargo de chefe de equipe caso Andrea Stella decida retornar à Itália.

É justamente nesse ponto que uma eventual transferência de Verstappen para a McLaren seria diferente das mudanças feitas anteriormente por Schumacher e Hamilton rumo à Ferrari. Hamilton trabalha com a estrutura que encontrou na equipe italiana. Schumacher, por outro lado, levou consigo profissionais de sua confiança para reconstruir a Ferrari ao seu redor.

Já Verstappen encontraria uma equipe praticamente pronta para lutar por títulos. Lambiase seria um aliado importante, sustentado por uma relação construída ao longo de muitos anos. O vínculo entre ambos fica evidente tanto pelas conversas diretas durante as corridas quanto pelos elogios públicos trocados fora das pistas. Mas ele não seria o único rosto familiar.

Rob Marshall, que anteriormente trabalhou na Red Bull, foi responsável pelo desenvolvimento dos modelos MCL38 e MCL39, carros que encerraram um longo período sem grandes conquistas da McLaren e recolocaram a equipe entre as protagonistas. O texto também destaca Will Courtenay, outro engenheiro vindo da Red Bull, que atualmente exerce a função de diretor esportivo na McLaren. Assim, Verstappen encontraria diversos profissionais conhecidos caso realmente desembarcasse na equipe britânica.

Cultura vencedora e o desafio das “Papaya Rules”

Na visão apresentada, cultura, mentalidade e filosofia de trabalho entre Verstappen e McLaren parecem bastante compatíveis. Ambos compartilham uma busca permanente pela perfeição, pelo alto desempenho e pelas vitórias.

Embora Zak Brown tenha protagonizado durante anos uma rivalidade intensa com Christian Horner, marcada por provocações e divergências públicas, a análise considera improvável que esse histórico represente um obstáculo para uma futura parceria.

O maior desafio provavelmente seria outro: adaptar-se às famosas “Papaya Rules”. Na Ferrari, Schumacher sempre ocupou de maneira clara o posto de piloto número um. Seus companheiros conheciam seu papel dentro da equipe, enquanto o alemão normalmente conseguia superá-los pelo próprio desempenho.

Foto: (MotorSport Images)