O retorno de Arboleda ao time titular deveria representar experiência, liderança e segurança para um São Paulo que tenta reconstruir sua temporada. Em vez disso, tornou-se mais um retrato da crise esportiva e institucional que envolve o clube em 2026.
Na derrota por 2 a 1 para o Athletico-PR, em Bragança Paulista, na volta do Tricolor após quase dois meses sem partidas oficiais, o zagueiro teve uma atuação abaixo do esperado e participou de uma defesa que voltou a mostrar os mesmos problemas vistos antes da paralisação. O resultado, de virada e dentro de casa, apenas reforçou a sensação de que pouca coisa mudou.
Mais do que o desempenho em campo, a própria presença de Arboleda entre os titulares levanta questionamentos sobre o momento vivido pelo São Paulo.
O caso Arboleda nunca foi apenas técnico
Em abril, Arboleda desapareceu sem avisar o clube, viajou ao Equador sem autorização e deixou dirigentes, comissão técnica e companheiros sem qualquer comunicação. O episódio foi tratado internamente como uma grave quebra de disciplina, com a possibilidade de rescisão contratual chegando a ser discutida.
Na ocasião, o São Paulo precisou lidar não apenas com a ausência do jogador, mas também com o desgaste público causado por um atleta experiente e um dos líderes do elenco. O episódio parecia marcar um ponto sem retorno na relação entre clube e defensor.
No entanto, poucos meses depois, Arboleda voltou ao time. É verdade que o contexto mudou. Alan Franco, considerado o melhor zagueiro do elenco na temporada, optou por deixar o São Paulo, diminuindo as opções para Dorival Júnior no setor defensivo. Ainda assim, essa necessidade esportiva não elimina a mensagem passada pelo clube.
Quando uma instituição do tamanho do São Paulo aceita de volta um jogador que protagonizou um episódio de tamanha indisciplina sem consequências esportivas significativas, transmite a impressão de que a falta de alternativas pesa mais do que os princípios.
Um histórico que se repete
O caso da viagem ao Equador também não pode ser tratado como um episódio isolado. Anos atrás, Arboleda já havia se envolvido em outra grande polêmica ao aparecer vestindo uma camisa do Palmeiras durante suas férias, atitude que gerou enorme desgaste com a torcida são-paulina. Embora tenha pedido desculpas na época, o episódio ficou marcado como um erro de avaliação por parte de um atleta experiente.
Agora, a nova crise reforça uma característica que acompanha sua passagem pelo Morumbi: momentos de instabilidade fora de campo frequentemente ofuscam sua importância técnica.
Quando o clube decide recolocá-lo rapidamente em uma posição de protagonismo, a impressão é de que problemas de comportamento podem ser relativizados diante da necessidade esportiva.
A falta de planejamento cobra seu preço
A volta de Arboleda também evidencia um problema maior: o São Paulo parece constantemente reagir aos acontecimentos, em vez de antecipá-los.
Se Alan Franco realmente deixaria o clube, era responsabilidade da diretoria preparar alternativas para que a equipe não dependesse novamente de um jogador cuja permanência já havia sido colocada em dúvida poucos meses antes.
A ausência de reposição obrigou o Tricolor a recorrer justamente ao atleta que protagonizou uma das maiores crises internas da temporada.
Esse tipo de decisão transmite fragilidade e reforça a percepção de um elenco montado sem planejamento suficiente para suportar perdas significativas.
O futuro preocupa mais do que o presente
A derrota para o Athletico-PR foi apenas o primeiro capítulo da retomada da temporada, mas deixou sinais preocupantes. Mesmo com Dorival Júnior tentando reorganizar a equipe, o São Paulo segue apresentando dificuldades defensivas, pouca confiança e um ambiente que ainda parece carregar problemas extracampo.
A temporada ainda oferece tempo para recuperação, mas os sinais são pouco animadores. Mais do que um zagueiro que voltou após uma polêmica, Arboleda simboliza um clube que parece aceitar soluções emergenciais para problemas estruturais. E enquanto o São Paulo continuar dependendo desse tipo de decisão para montar seu time, será difícil acreditar que o fundo do poço realmente ficou para trás.
Foto: VICTOR FROES/AGÊNCIA F8/ESTADÃO CONTEÚDO.



