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NFL: 5 razões que mostram que os Seahawks podem conquistar o Super Bowl de novo

Os Seahawks começam a pré temporada da NFL com menos holofotes do que seria esperado de um atual campeão do Super Bowl. Apesar de terem vencido o Super Bowl 60 de forma dominante contra o New England Patriots, encerrando a temporada como o time mais forte da NFL, o time rapidamente perdeu espaço na atenção pública.

Quando os veteranos se apresentam para o training camp nesta sexta-feira, 24 de julho, o clima em torno de Seattle é mais discreto do que o dos rivais: o Los Angeles Rams ganhou destaque na NFC West (e na liga como um todo) após contratar Myles Garrett, enquanto os próprios Patriots, que também iniciam a temporada no mesmo dia, mirando a revanche do Super Bowl, atraem mais holofotes após a chegada de A.J. Brown.

Nem o título, nem a venda recorde do time, nem a participação no “Hard Knocks” foram suficientes para manter os Seahawks como centro das atenções por muito tempo.

Ainda assim, isso parece não incomodar o técnico Mike McDonald, cuja frase após a final da NFC: “não nos importamos”,  resume bem a postura discreta da equipe. Sem grandes declarações sobre repetir o título, Seattle entra na nova temporada praticamente fora do radar.

Mesmo sabendo que nenhuma equipe parte como favorita absoluta, mostro cinco motivos pelos quais as chances dos Seahawks de repetir o título não devem ser subestimadas.

Continuidade é a essência

Nesta mesma época do ano passado, McDonald estava implementando uma das reformulações mais drásticas da liga para um técnico que permanecia no cargo, reconfigurando seu ataque para se adequar melhor à visão geral que tinha para o time.

Em comparação, as mudanças de uma temporada para outra em Seattle são relativamente pequenas.

Isso pode parecer uma simplificação exagerada para uma organização que perdeu seu principal coordenador ofensivo (Klint Kubiak), o MVP do Super Bowl 60 (Kenneth Walker III) e outras peças importantes. Ainda assim, com a grande maioria do elenco principal de volta, os Seahawks podem desfrutar de um nível de continuidade que outros campeões recentes não tiveram.

Com exceção de Walker, todos os titulares do ataque no Super Bowl 60 continuam no time. E embora o novo coordenador Brian Fleury esteja implementando seu próprio sistema, o ex-coordenador de jogo corrido do San Francisco 49ers sabe que tem uma boa base para trabalhar em cima do que Kubiak já havia construído.

“Acho que uma das vantagens de assumir esse cargo é que vai haver bastante continuidade”, disse Fleury em fevereiro, após sua contratação. “Já comecei a estudar tudo o que o (Kubiak) fazia aqui no ano passado, e o objetivo é manter o máximo possível disso, mas também há áreas em que podemos complementar com coisas que desenvolvemos e aplicamos em San Francisco.”

Isso deve ser uma vantagem para Sam Darnold, que já está acostumado a mudanças depois de jogar por cinco times diferentes nos últimos seis anos. Fleury será o sétimo coordenador ofensivo diferente de Darnold em outras tantas temporadas, mas o quarterback afirmou em junho que a troca não representou “uma transição tão grande assim”. O estilo do ataque pode mudar um pouco, mas a essência, incluindo o foco em criar jogadas explosivas dentro da estrutura geral de um ataque ao estilo Kyle Shanahan, deve permanecer praticamente a mesma.

O jogo corrido preocupa, mas há esperança

Embora fosse uma perda esperada, a saída de Walker na free agency é um golpe difícil para um ataque terrestre que finalmente havia encontrado seu ritmo na reta final da temporada.

Nos últimos três jogos antes dos playoffs, Seattle acumulou 514 jardas correndo. Depois, com a lesão no ligamento cruzado anterior de Zach Charbonnet na vitória da rodada divisional contra o 49ers, Walker assumiu o protagonismo, correndo para 313 jardas e quatro touchdowns em três jogos de playoffs.

Com Walker agora nos Kansas City Chiefs e Charbonnet iniciando o training camp na lista de lesionados (PUP), o backfield é sem dúvida a maior fonte de incerteza para Seattle.

Ao escolher Jadarian Price, de Notre Dame, com a 32a escolha geral do draft, o general manager John Schneider deixou clara sua intenção para o futuro do ataque terrestre. Price dificilmente pode ser visto como um corredor para todas as jogadas, já que nunca teve mais de 15 corridas em um único jogo enquanto dividia o backfield com Jeremiyah Love (escolhido na 3a escolha geral) em Notre Dame. Mas ele tem talento para escapar dos adversários, tanto correndo quanto retornando, e deve continuar gerando jogadas de impacto, na esteira de Walker, que teve o terceiro maior número de corridas de 20+ jardas da NFL na última temporada (empatado, com 10). 

Para ganhar mais consistência, Seattle provavelmente vai precisar que George Holani e outros reservas ajudem a substituir Price até o retorno de Charbonnet. Mas os resultados do ano passado mostram que não há motivo para pânico caso o grupo de running backs demore um pouco para engrenar.

Há motivos para otimismo além dos próprios corredores. A experiência de Fleury deve permitir que ele mantenha a base do que funcionou no ano passado, enquanto expande o ataque para formações mais promissoras, especialmente esquemas com dois tight ends. A linha ofensiva, que discretamente deixou de ser uma preocupação para se tornar um ponto forte, também retorna com todos os cinco titulares.

Rashid Shaheed ainda não mostrou todo seu potencial

Uma troca no meio da temporada para adquirir um recebedor veloz fazia todo sentido para um time disposto a punir seus adversários no ataque.

Os Seahawks buscaram Shaheed com o objetivo de reativar seu talento para jogadas explosivas, algo que ele já havia demonstrado sob o comando de Kubiak, quando teve uma média de 17,5 jardas por recepção em 2024 pelo New Orleans Saints. No entanto, em meia temporada em Seattle, Shaheed somou apenas 15 recepções em nove jogos da temporada regular, tendo dificuldade para retomar seu status como uma das principais ameaças de jogadas longas da liga.

Ainda assim, não houve arrependimento por parte de Schneider, que renovou o contrato de Shaheed por três anos e 51 milhões de dólares logo no início da free agency. O valor deixa claro que os Seahawks veem o retornador de kickoffs, selecionado para o Pro Bowl, como uma peça fundamental do ataque.

Embora Jaxon Smith-Njigba certamente continue sendo o principal nome do ataque aéreo, as contribuições de Shaheed devem ser essenciais. Sua simples presença em campo já abre espaços para Darnold, e as jogadas verticais ocasionais também podem aliviar a dependência de um ataque terrestre eficiente e bem estruturado. Outro fator que ajuda nesse esforço é o recebedor Tory Horton, que está no segundo ano na liga e marcou cinco touchdowns como calouro, mostrando grande potencial como ameaça de jogadas longas antes que uma lesão na canela interrompesse sua temporada de estreia. 

A defesa deve ter uma sequência forte a caminho

Defesas costumam apresentar quedas de rendimento com o tempo. E depois de Seattle terminar a temporada passada como a defesa que menos cedeu pontos, é difícil afirmar com certeza que o grupo conseguirá superar o patamar altíssimo que estabeleceu em 2025.

E o cenário segue favorável

Tudo começa com Macdonald. Neutralizar os Patriots no Super Bowl pode ter sido a obra-prima defensiva do técnico, mas também representou algo que Seattle já vinha fazendo a temporada inteira: sufocar os ataques terrestres adversários, atuando com boxes mais leves e confundindo quarterbacks e linhas ofensivas com esquemas de pressão pouco convencionais.

Com a dupla de defensive tackles mais forte da liga, formada por Leonard Williams e Byron Murphy II, de volta, os Seahawks devem continuar ditando o ritmo nas trincheiras. Embora o pass rush pelas pontas possa perder um pouco de força após a saída de Boye Mafe, o grupo, que ainda conta com quatro jogadores de profundidade, manteve suas peças mais importantes: DeMarcus Lawrence, Uchenna Nwosu e Derick Hall.

A secundária pode ser um ponto relativamente mais preocupante, considerando as mudanças causadas pelas saídas do safety Coby Bryant e do cornerback Riq Woolen para outros times. Ainda assim, Devon Witherspoon e Josh Jobe garantem uma boa perspectiva nas pontas, enquanto Nick Emmanwori desponta como uma futura estrela na posição de nickel.

A NFL pode ser uma liga em que o ponto fraco determina a resistência, e Seattle talvez seja a que tenha menos vulnerabilidades

Até os principais candidatos ao título podem ser derrubados por um único ponto fraco evidente. Basta lembrar de Patrick Mahomes explorando o então cornerback do Buffalo Bills, Kaiir Elam, na final da AFC de 2024 , ou dos próprios Seahawks dominando o lado esquerdo da linha ofensiva dos Patriots no Super Bowl 60.

Apesar de todo o talento de alto nível, o maior trunfo de Seattle pode ser justamente a ausência de um ponto óbvio para ser explorado pelos adversários.

O candidato mais evidente a ser atacado talvez seja Anthony Bradford. As dificuldades do right guard ficaram mais evidentes nos três jogos apertados contra os Rams, quando ele sofreu uma taxa de pressão de 13% e foi responsável por 16 das 41 pressões que permitiu na temporada. Impedir que ele comprometa esses confrontos decisivos da NFC West pode ficar ainda mais difícil neste ano, principalmente se Aaron Donald sair da aposentadoria para reforçar seu ex-time. Ainda assim, essa fragilidade não trouxe grandes problemas ao longo da temporada, já que Seattle sofreu apenas 27 sacks mesmo mantendo um ataque aéreo agressivo.

A posição de safety parece ser o único outro ponto com dúvidas relevantes. O safety escolhido na segunda rodada, Bud Clark, um jogador habilidoso que registrou 15 interceptações em TCU, deve assumir a titularidade com o tempo. Mas Ty Okada, que atuou como titular em 11 jogos na última temporada, pode segurar a posição ao lado de Julian Love enquanto Clark se adapta.

Foto: AP Photo/Stephen Brashear