Macphee Chelsea
Futebol Premier League

Por que grande reforço do Chelsea pode não ser um jogador?

O Chelsea segue ativo no mercado, mas desta vez o alvo não veste chuteiras. O clube londrino está negociando a contratação de Austin MacPhee, um dos treinadores de bolas paradas mais respeitados do futebol europeu e atualmente integrante da comissão técnica do Aston Villa. O escocês, de 46 anos, é visto como uma peça importante para fortalecer o trabalho de Xabi Alonso, que iniciou sua trajetória no comando dos Blues pensando em ajustar todos os detalhes da equipe.

A negociação, porém, está longe de ser simples. Além do interesse do Chelsea, outros clubes da Premier League e equipes da Saudi Pro League também monitoram a situação de MacPhee. Como ele possui contrato com o Aston Villa, qualquer saída dependerá do pagamento de uma compensação financeira prevista em uma cláusula específica no vínculo.

Se a transferência for concretizada, será mais um movimento que mostra como os grandes clubes passaram a tratar membros da comissão técnica quase como reforços de peso. Afinal, no futebol moderno, uma bola parada bem treinada pode valer tantos pontos quanto um camisa 9 decisivo. Ainda mais para o Chelsea, que está tentando organizar a casinha.

Chelsea quer elevar o nível nos detalhes

A chegada de Xabi Alonso marcou o início de uma nova fase no Chelsea. Além das mudanças no elenco, o treinador espanhol também vem remodelando sua equipe de trabalho nos bastidores.

Existe uma vaga importante aberta na comissão técnica depois da mudança de função de Bernardo Cueva, antigo treinador de bolas paradas contratado junto ao Brentford em 2024 por cerca de £ 750 mil. Agora, ele deixará o trabalho de campo para assumir uma função mais estratégica, longe da linha lateral.

É justamente aí que entra Austin MacPhee.

Reconhecido por sua capacidade de criar jogadas ensaiadas e explorar cada detalhe das cobranças de escanteios, faltas laterais e laterais ofensivos, o escocês virou referência no assunto nos últimos anos. Não por acaso, diversos clubes enxergam nele uma oportunidade de ganhar vantagem em um aspecto cada vez mais decisivo dentro das partidas.

Números impressionam e justificam a procura do Chelsea

Se alguém ainda duvida da importância de um treinador especializado em bolas paradas, basta olhar para os números do Aston Villa.

Na temporada 2023/24, a equipe comandada por Unai Emery marcou mais gols originados de bolas paradas do que qualquer outro clube das cinco principais ligas da Europa. Não foi um acaso ou uma sequência de sorte.

Na temporada seguinte, o Villa voltou a figurar entre os melhores do continente nesse fundamento e terminou a última edição da Premier League empatado com o Arsenal no topo do ranking de gols marcados em jogadas de bola parada.

Em um campeonato tão equilibrado quanto o Inglês, transformar escanteios e faltas em gols pode representar a diferença entre disputar competições europeias ou terminar no meio da tabela.

MacPhee teve papel fundamental nessa evolução.

Seu trabalho envolve desde o posicionamento dos jogadores até movimentações sincronizadas, bloqueios legais, ocupação de espaços e inúmeras variações de cobrança. Muitas dessas jogadas são treinadas exaustivamente durante a semana para serem executadas quase de maneira automática durante os jogos.

É aquele tipo de trabalho que muita gente nem percebe durante a transmissão, mas que faz enorme diferença quando a bola entra.

Trabalho também ganhou destaque em Portugal

Além do Aston Villa, Austin MacPhee acumulou outra função importante nos últimos cinco anos.

O treinador também fazia parte da comissão técnica da seleção de Portugal, trabalhando ao lado de Roberto Martínez. Durante esse período, dividiu sua rotina entre o futebol de clubes e a equipe nacional, ajudando a desenvolver estratégias específicas para cobranças de bola parada.

Com a saída de Martínez após a Copa do Mundo de 2026, o futuro da comissão portuguesa passou por mudanças, o que também facilita uma eventual mudança definitiva de MacPhee para outro projeto.

Sua experiência em ambientes diferentes é vista como um diferencial importante. Trabalhar com atletas que convivem pouco tempo juntos, como acontece nas seleções, exige objetividade e capacidade de transmitir conceitos rapidamente.

Aston Villa pode perder mais uma peça importante

Caso a negociação avance, o Aston Villa verá mais um integrante importante deixar o clube durante esta janela de transferências.

Nos últimos anos, a equipe viveu uma das fases mais marcantes de sua história recente. Sob o comando de Unai Emery, conquistou a Europa Conference League, voltou a disputar a Liga dos Campeões e passou a competir em alto nível tanto na Inglaterra quanto na Europa.

Esse crescimento naturalmente valorizou jogadores e profissionais da comissão técnica, algo que chama ainda mais a atenção de um clube rico como o Chelsea.

Enquanto atletas despertam interesse de gigantes do mercado, nomes que trabalham nos bastidores também passaram a receber propostas. MacPhee talvez seja o exemplo mais claro de como o sucesso coletivo pode abrir portas para todos os envolvidos no projeto.

Mercado entre Chelsea e Aston Villa segue movimentado

A possível chegada de Austin MacPhee não seria o único negócio envolvendo Chelsea e Aston Villa nesta janela.

Os dois clubes já protagonizaram uma negociação de grande impacto recentemente. O Chelsea acertou a contratação do atacante Morgan Rogers por £ 117 milhões, em uma das maiores transferências do mercado europeu.

No caminho inverso, Alejandro Garnacho seguiu para o Aston Villa por empréstimo, em um acordo que inclui opção de compra e que, segundo as informações, tem grandes chances de se tornar definitivo ao fim do vínculo.

Agora, a relação entre os clubes pode ganhar mais um capítulo, desta vez envolvendo um profissional que dificilmente aparecerá nas manchetes por fazer gols ou distribuir assistências, mas que pode ser decisivo justamente para que elas aconteçam.

Futebol moderno valoriza cada vez mais especialistas

Durante muito tempo, treinadores de bolas paradas eram vistos apenas como auxiliares com uma função específica. Hoje, esse cenário mudou completamente.

Com partidas cada vez mais equilibradas, detalhes fazem enorme diferença. Um escanteio bem executado, uma falta ensaiada ou até um lateral ofensivo planejado podem decidir campeonatos inteiros.

Não é exagero dizer que muitos clubes passaram a investir tanto em especialistas quanto em jogadores. E Austin MacPhee representa exatamente essa nova realidade.

Se o Chelsea conseguir vencer a concorrência e fechar o acordo, Xabi Alonso ganhará um profissional reconhecido internacionalmente por transformar situações aparentemente simples em armas ofensivas letais. Em Stamford Bridge, onde cada detalhe será observado de perto na nova temporada, esse tipo de reforço pode não aparecer na foto dos gols, mas certamente terá participação importante em muitos deles.

Foto: Andrea Staccioli / Insidefoto / IMAGO