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Automobilismo Fórmula 1

McLaren e Aston Martin surpreendem na Hungria: descubra o segredo por trás do salto de desempenho

Duas equipes chegaram ao GP da Hungria com atualizações importantes e deixaram uma impressão completamente diferente daquela vista nas etapas anteriores da temporada. McLaren e Aston Martin apresentaram ganhos expressivos de competitividade em Budapeste, alterando de maneira significativa o cenário entre as equipes.

A McLaren conquistou sua primeira vitória em um Grande Prêmio na temporada com Lando Norris. Além disso, o piloto também largou da pole position. O resultado ganhou ainda mais peso quando comparado ao desempenho da equipe nas classificações anteriores: até aquele momento, a McLaren havia ficado, em média, cerca de 0,43 segundo atrás da Mercedes no treino classificatório.

A Aston Martin, por sua vez, protagonizou uma evolução ainda mais impressionante. A equipe conseguiu avançar pela primeira vez para o Q2 da classificação, depois de permanecer presa às últimas posições desde o início da temporada. O salto de desempenho foi de pouco mais de um segundo, uma diferença bastante significativa no contexto extremamente apertado da Fórmula 1.

McLaren aposta em novo assoalho e muda abordagem aerodinâmica

A principal atualização introduzida pela McLaren esteve concentrada em um assoalho completamente novo. A mudança veio acompanhada de um novo wake board localizado atrás das rodas dianteiras, além de alterações menores nas regiões dianteira e traseira do carro.

O novo assoalho não recebeu apenas pequenos ajustes. Seu perfil foi completamente redesenhado, enquanto a equipe também modificou de maneira significativa as lâminas e venezianas localizadas à frente das rodas traseiras.

Nesse ponto, a McLaren adotou uma abordagem consideravelmente mais agressiva para aproveitar o chamado rear tyre squirt. O termo descreve a maneira como o pneu traseiro em rotação desloca e lança o ar ao redor de si quando entra em contato com o solo.

A intenção dessa solução é energizar o fluxo de ar que passa pela região entre a roda traseira e o difusor. Com isso, a equipe procura melhorar a qualidade e a força do fluxo aerodinâmico que alimenta uma das áreas fundamentais para a geração de desempenho do carro.

As entradas de ar também passaram por uma transformação importante. Elas agora captam muito mais cedo o ar que percorre a borda do assoalho e apresentam uma área consideravelmente maior do que a utilizada anteriormente. A mudança não surgiu isoladamente. Andrea Stella, chefe da equipe McLaren, admitiu que algumas dessas alterações foram feitas depois que a equipe observou desenvolvimentos presentes nos carros dos rivais.

Aston Martin encontra desempenho com uma transformação ainda maior

Se a evolução da McLaren foi significativa, a Aston Martin conseguiu um salto ainda mais expressivo em termos de desempenho. A equipe já havia trabalhado em atualizações para o AMR26, buscando tornar a geração de carga aerodinâmica do carro muito mais robusta. Na Hungria, foi possível observar com mais detalhes como essa atualização alterou o comportamento aerodinâmico do monoposto.

Uma das mudanças mais evidentes está na região dianteira. A atualização criou muito mais espaço ao redor do nariz e na parte inferior da asa dianteira. Esse espaço adicional foi aproveitado para direcionar um volume maior de fluxo de ar para a região interna das rodas dianteiras.

A solução faz parte de uma estratégia mais ampla. O objetivo foi alimentar a parte traseira do carro com um fluxo de ar combinado mais forte, proveniente tanto do assoalho quanto das bordas do próprio assoalho. O resultado também foi percebido dentro do cockpit. Fernando Alonso descreveu o novo carro como muito mais “plantado” do que antes, uma indicação de que a alteração não representou apenas uma mudança teórica na aerodinâmica, mas também uma diferença perceptível no comportamento do monoposto.

Por que essas atualizações mudaram tanto a ordem competitiva?

O impacto das duas atualizações foi evidente na classificação competitiva das equipes. A McLaren passou de uma situação em que estava, em média, cerca de 0,43 segundo atrás da Mercedes para conquistar a pole e, posteriormente, vencer o Grande Prêmio com Lando Norris.

A Aston Martin teve uma transformação ainda mais dramática. Depois de permanecer nas últimas posições desde o início da temporada, a equipe finalmente conseguiu avançar ao Q2. Seu ganho de desempenho foi de pouco mais de um segundo. A diferença entre os dois saltos é especialmente relevante. Embora ambos os projetos tenham conseguido alterar de forma significativa a competitividade de seus respectivos carros, o ganho real obtido pela Aston Martin foi quase duas vezes maior que o da McLaren.

Isso ajuda a explicar por que as atualizações introduzidas em Budapeste chamaram tanta atenção. Não se tratou simplesmente de pequenas melhorias capazes de acrescentar alguns décimos de segundo. Os dois carros apresentaram mudanças aerodinâmicas capazes de produzir uma diferença claramente perceptível no desempenho.

O que o salto na Hungria revela sobre a nova Fórmula 1?

A evolução de McLaren e Aston Martin também pode ser interpretada dentro de um processo mais amplo observado nesta nova fórmula da Fórmula 1: a convergência de desempenho entre as equipes. As duas atualizações demonstraram que alterações na maneira como o fluxo de ar é controlado ao redor do assoalho, das rodas e do difusor podem provocar ganhos consideráveis. No caso da McLaren, a nova configuração buscou explorar de maneira mais agressiva o fluxo produzido pelos pneus traseiros e melhorar a alimentação do difusor.

Na Aston Martin, a mudança concentrou-se em aumentar o volume de ar direcionado para dentro das rodas dianteiras e, consequentemente, fortalecer o fluxo combinado que chega à parte traseira do carro.

Embora as soluções sejam diferentes, o efeito competitivo foi semelhante: ambas as equipes encontraram uma maneira de extrair muito mais desempenho de seus carros. E o caso da Aston Martin é particularmente significativo. O fato de seu ganho ter sido quase duas vezes maior que o da McLaren reforça a ideia de que o processo de aproximação entre as equipes está começando a se tornar uma característica importante desta nova era.

A atualização de Budapeste, portanto, não apenas mudou o desempenho de dois carros. Ela também oferece um indicativo de que a diferença entre as equipes pode estar diminuindo à medida que os times compreendem melhor os caminhos aerodinâmicos disponíveis dentro da nova fórmula.

Foto: (Fórmula 1)