A eliminação para o Internacional nas oitavas de final da Copa do Brasil deixou evidente um problema que acompanha o Corinthians durante toda a temporada: a enorme dependência de Yuri Alberto. O atacante ficou fora da partida após sofrer uma lesão contra o Athletico Paranaense e, sem seu principal homem de frente, o time de Fernando Diniz voltou a apresentar dificuldades para criar chances claras e transformar posse de bola em oportunidades reais de gol.
À primeira vista, os números de Yuri Alberto em 2026 podem não impressionar. O camisa 9 soma oito gols e quatro assistências em 32 partidas. Entretanto, limitar sua importância às estatísticas seria um erro. O atacante é o jogador que dá profundidade ao sistema ofensivo, acelera as transições, ataca os espaços deixados pela defesa adversária e serve como principal referência dentro da área.
Muito do modelo de jogo de Fernando Diniz depende justamente dessas características. O treinador gosta de equipes que consigam trocar passes, atrair a marcação e acelerar rapidamente quando encontram espaços. Sem Yuri Alberto, o Corinthians perde exatamente esse jogador capaz de transformar a construção em uma jogada de perigo.
A eliminação para o Internacional foi apenas o exemplo mais recente de uma dependência que pode se tornar ainda mais preocupante nas próximas semanas.
Yuri Alberto influencia o desempenho coletivo muito além dos gols

Os números ajudam a mostrar como o Corinthians muda quando Yuri Alberto está em campo.
Com o atacante, o Corinthians possui aproveitamento de 56% na temporada. Quando Yuri Alberto não está em campo, esse índice cai para 50%. A diferença ainda não é tão grande, principalmente porque o camisa 9 desfalcou a equipe em apenas 10 partidas até o momento. Mesmo assim, os números já indicam uma queda de rendimento e mostram o impacto que sua ausência pode causar, especialmente em uma sequência maior de jogos.
Outro dado importante aparece na produção ofensiva.
Com Yuri Alberto, o Corinthians marca, em média, 1,09 gol por partida. Não se trata apenas de seus gols, mas da maneira como sua movimentação influencia todo o ataque.
O camisa 9 oferece velocidade para atacar as costas da defesa, abre espaços para os meio-campistas chegarem ao ataque e obriga os zagueiros adversários a permanecerem mais recuados. Além disso, sua presença constante dentro da área faz com que cruzamentos e bolas longas tenham muito mais efetividade.
Sem ele, Fernando Diniz precisa recorrer a opções com características completamente diferentes.
Pedro Raul, por exemplo, atua mais como um centroavante de referência e não possui a mesma velocidade para atacar espaços ou participar das transições ofensivas.
Essa diferença ficou evidente contra o Internacional.
O Corinthians teve dificuldades para acelerar as jogadas e encontrou poucos espaços para finalizar. Mesmo quando conseguia chegar ao campo ofensivo, faltava justamente um atacante capaz de romper a última linha defensiva com velocidade.
Por isso, a ausência de Yuri Alberto afeta muito mais do que o número de gols marcados. Ela modifica completamente a forma como o Corinthians consegue atacar.
Elenco oferece poucas alternativas e aumenta preocupação para sequência da temporada

A situação se torna ainda mais delicada quando o Corinthians olha para as opções disponíveis no elenco.
Pedro Raul possui apenas um gol em toda a temporada, justamente marcado na eliminação para o Internacional. Além disso, quando ele está em campo, o aproveitamento do Corinthians cai para apenas 46%, número inferior ao registrado com Yuri Alberto.
As demais alternativas também oferecem pouca experiência.
Gui Negão ainda inicia seu processo de afirmação entre os profissionais, enquanto Memphis Depay vive um momento de indefinição. O atacante ainda não decidiu se renovará seu contrato com o clube e continua cercado por incertezas sobre seu futuro.
Como se não bastasse, o Corinthians enfrenta problemas também fora das quatro linhas.
O clube sofre com um transfer ban e está impedido de contratar reforços, o que impossibilita buscar um novo centroavante no mercado para suprir a ausência de Yuri Alberto. Dessa forma, Fernando Diniz precisará encontrar soluções apenas com os jogadores que já fazem parte do elenco.
O cenário preocupa ainda mais pelo calendário.
Eliminado da Copa do Brasil, o Corinthians concentra suas atenções na Libertadores e no Campeonato Brasileiro. Na competição nacional, o momento ainda inspira cuidados. A equipe soma 29 pontos, apenas sete a mais que o Grêmio, primeiro clube dentro da zona de rebaixamento, com 22.
Na Libertadores, o desafio também será enorme.
Sem previsão de retorno, Yuri Alberto deve desfalcar o Corinthians nos dois confrontos contra o Rosario Central, marcados para os dias 13 e 20 de agosto. Caso a ausência seja confirmada, Fernando Diniz terá novamente que encontrar uma maneira de manter a competitividade ofensiva sem seu principal atacante.
Mais do que perder seu artilheiro, o Corinthians perde um jogador que faz o sistema ofensivo funcionar. Yuri Alberto é quem oferece profundidade, velocidade e presença de área para um time que depende dessas características para executar a proposta de Fernando Diniz. Enquanto o camisa 9 permanecer fora, o treinador terá de buscar alternativas dentro de um elenco limitado e sem possibilidade de reforços, justamente no momento mais importante da temporada.
(Foto de capa: Peter Leone/Ofotográfico/Folhapress)



