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Futebol Premier League

Chelsea mais uma vez precisa correr para enxugar o elenco até setembro; veja quem pode sair

O Chelsea parece viver os mesmos problemas em todas as temporadas, e isso chega a ser cômico. Simplesmente tem jogadores demais.Com 41 atletas no elenco principal e apenas 25 dias restantes na janela de transferências, o clube londrino precisa acelerar uma verdadeira operação de limpeza antes do início da temporada. A chegada de Xabi Alonso trouxe novas ideias para o time, mas também deixou ainda mais evidente a necessidade de reduzir o grupo.

Sem competições europeias nesta temporada, o treinador espanhol terá menos partidas para distribuir minutos entre seus jogadores. Por isso, a tendência é que uma parte considerável do elenco seja negociada em definitivo ou emprestada. Para chegar a um grupo mais próximo dos 25 atletas considerados ideais, o Chelsea precisaria encontrar destino para pelo menos 16 jogadores.

A situação não é exatamente novidade em Stamford Bridge. Nos últimos anos, o clube ficou conhecido por montar elencos gigantes e manter dezenas de jogadores espalhados por empréstimos. A diferença agora é que a Fifa endureceu as regras e proibiu práticas como a formação de uma espécie de “bomb squad”, grupo de atletas afastados dos planos do treinador, como aconteceu anteriormente com nomes como Raheem Sterling e Axel Disasi.

Xabi Alonso já sabe que terá de tomar decisões

O tamanho do elenco ficou escancarado durante a pré-temporada. Na derrota por 1 a 0 para a Juventus, em Hong Kong, o Chelsea teve nada menos que 21 jogadores no banco de reservas, sendo apenas cinco deles atletas da base. E nem sequer estavam todos os profissionais disponíveis.

Cole Palmer e Levi Colwill ficaram fora daquela partida por conta de problemas físicos sofridos no amistoso anterior, enquanto Emmanuel Emegha segue trabalhando na recuperação de uma lesão muscular. Ao mesmo tempo, cinco jogadores sequer estão treinando com o grupo principal: Benoit Badiashile, Axel Disasi, Marc Guiu, David Datro Fofana e Caleb Wiley.

Todos estão disponíveis para empréstimo ou transferência em definitivo, o que mostra o tamanho do trabalho que Xabi e a diretoria terão pela frente. O clube ainda tem compromissos na Ásia antes de retornar à Inglaterra, enfrentando Milan e Johor Darul Ta’zim, e o número elevado de jogadores permite que o treinador utilize equipes praticamente diferentes em cada partida.

A questão é que isso funciona na pré-temporada, mas dificilmente será sustentável durante a temporada. Com menos jogos e sem a necessidade de montar um elenco tão profundo para disputar Champions League ou Europa League, manter dezenas de atletas sem perspectivas claras de minutos pode criar problemas dentro do vestiário.

Defesa é o setor que mais precisa de cortes

Se existe uma posição em que a tesoura terá de ser passada com vigor, é a defesa. O Chelsea chegou a ter nove zagueiros no elenco, número que Xabi Alonso considera exagerado. O treinador já deixou claro que gostaria de trabalhar com apenas quatro ou cinco jogadores para a posição.

Nesse cenário, Badiashile e Disasi aparecem como nomes disponíveis para transferência. Mamadou Sarr também deve sair por empréstimo, enquanto Aaron Anselmino pode novamente ser cedido depois de passagens por Borussia Dortmund e Strasbourg.

Com esses movimentos, o setor seria formado principalmente por Maxence Lacroix, recém-contratado, Levi Colwill, Wesley Fofana, Tosin Adarabioyo e Josh Acheampong. A ideia seria ter uma combinação de experiência, juventude e versatilidade sem transformar o banco de reservas em uma pequena seleção nacional.

Nas laterais, a situação é um pouco mais definida. Reece James continua como capitão e pode atuar também no meio-campo, enquanto Malo Gusto e Marco Palestra são opções pela direita. No lado esquerdo, Jorrel Hato está à disposição e Pep Chavarria está próximo de ser contratado junto ao Rayo Vallecano por cerca de £16,3 milhões.

Ainda assim, Gusto pode ser uma das grandes surpresas do mercado. O Chelsea colocou o lateral na lista de possíveis negociáveis e estabeleceu um preço de aproximadamente £75 milhões, depois que o Manchester City demonstrou interesse.

Enzo Fernández pode render uma fortuna

O meio-campo também promete movimentações importantes. O Chelsea colocou Enzo Fernández no mercado com uma avaliação de £120 milhões. O argentino está analisando suas opções, embora a diretoria também esteja aberta à possibilidade de mantê-lo no elenco.

A situação é diferente da de outros jogadores porque Enzo continua sendo considerado uma peça importante. Por isso, uma saída só deve acontecer caso apareça uma proposta que faça sentido financeiro para o clube.

Ao lado dele, Moisés Caicedo aparece como outro nome fundamental, enquanto Romeo Lavia retorna após problemas físicos. Jordan Henderson, Valentin Barco e Dario Essugo completam um setor que também precisa ser administrado com cuidado.

Essugo, de 21 anos, chegou a receber a indicação de que permaneceria no grupo, mas agora considera um empréstimo para ganhar minutos. É justamente esse tipo de decisão que deve se repetir em vários casos: alguns jogadores não necessariamente estão fora dos planos, mas simplesmente precisam jogar mais do que provavelmente jogariam em Londres.

Ataque também tem excesso de opções

Se a defesa está lotada, o ataque não fica muito atrás. A volta de Mykhailo Mudryk adicionou mais uma incógnita ao planejamento. O ucraniano retorna depois de cerca de 20 meses afastado por conta da suspensão relacionada ao teste positivo para meldonium, e o clube ainda avalia sua condição física antes de definir os próximos passos.

Jamie Gittens surge como opção pela esquerda, enquanto Pedro Neto e Geovany Quenda atuam principalmente pelo lado direito. Cole Palmer e Morgan Rogers são alternativas para a função de 10, enquanto Estevão pode atuar em diferentes posições da linha ofensiva.

No comando do ataque, o Chelsea pretende começar a temporada com três centroavantes. João Pedro e Danny Welbeck estão praticamente garantidos, mas a terceira vaga ainda é uma disputa aberta entre Emmanuel Emegha, Nicolas Jackson e Liam Delap.

Jackson, inclusive, aparece entre os jogadores que podem deixar o clube por uma quantia significativa. O Chelsea estabeleceu um valor de aproximadamente £65 milhões pelo atacante, enquanto Delap também está entre os nomes cujo futuro ainda não está totalmente definido.

Quem pode sair do Chelsea?

A lista de jogadores disponíveis para transferência ou empréstimo é extensa e deixa claro como será difícil para a diretoria resolver tudo antes do fechamento da janela.

Entre os atletas disponíveis para venda estão Badiashile, avaliado em £30 milhões, Disasi, por cerca de £25 milhões, Jackson, com preço de £65 milhões, e Gusto, que pode sair por £75 milhões. Enzo Fernández tem a avaliação mais alta, chegando a £120 milhões.

Outros nomes, como Datro Fofana, Delap, Emegha, Neto e Essugo, também têm futuro incerto. Marc Guiu aparece tanto entre os jogadores que podem ser emprestados quanto entre aqueles que poderiam ser vendidos por aproximadamente £25 milhões.

No grupo considerado disponível para empréstimo estão Guiu, Caleb Wiley, Omari Kellyman, Shumaira Mheuka, Alex Matos Walsh, Kavuma-McQueen e Kendry Páez.

Enquanto isso, Trevoh Chalobah está próximo de deixar o clube rumo ao Como por £31 milhões, incluindo bônus, e Filip Jorgensen deve ser emprestado ao Strasbourg, clube que faz parte do mesmo grupo de proprietários do Chelsea.

Missão de Xabi Alonso no Chelsea

Xabi Alonso chegou ao Chelsea com a responsabilidade de organizar um projeto que já possui muito talento, mas também uma quantidade enorme de peças. Agora, o treinador terá de decidir quem realmente faz parte dos seus planos e quem deve procurar outro caminho.

A meta é relativamente simples: transformar um elenco de 41 jogadores em um grupo funcional, competitivo e capaz de disputar a Premier League sem uma fila de atletas esperando por oportunidades que talvez nunca apareçam.

O desafio, porém, está justamente em conseguir fazer isso sem perder ativos importantes e sem deixar dinheiro na mesa. Entre empréstimos, vendas e jogadores que podem surpreendentemente permanecer, o Chelsea terá algumas semanas bastante movimentadas.

Se conseguir resolver o excesso de jogadores, Alonso terá um elenco muito mais fácil de administrar. Caso contrário, o treinador do Chelsea pode descobrir rapidamente que, em Stamford Bridge, às vezes o problema não é ter poucas opções, é ter opções demais.

Foto: Getty Images Sport