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Como o Barcelona poderia utilizar Rodri?

O Barcelona já possui um dos melhores meios-campos do futebol mundial, mas a possível chegada de Rodri pode elevar o setor para outro nível. O espanhol, atualmente no Manchester City, aparece como prioridade do clube catalão no mercado da bola e, caso a negociação seja concretizada, dará a Hansi Flick uma quantidade quase absurda de opções para montar sua equipe.

Durante algum tempo, Rodri parecia destinado ao Real Madrid em caso de saída do Manchester City. O cenário, porém, mudou. O Barcelona intensificou a busca pelo vencedor da Bola de Ouro de 2024 e pelo grande destaque da Espanha na conquista da Copa do Mundo de 2026, passando à frente do rival na corrida pelo jogador. O Real Madrid, por sua vez, teria praticamente saído da disputa, enquanto Rodri estaria interessado em uma mudança para a Catalunha.

O primeiro contato entre Barcelona e Manchester City não terminou como os catalães esperavam, já que a proposta inicial foi recusada. O clube inglês, entretanto, está aberto a negociar o meio-campista, e as conversas devem continuar enquanto as duas partes tentam encontrar um ponto de equilíbrio na avaliação financeira.

Se o acordo finalmente acontecer, a grande questão será: como Flick vai colocar Rodri, Pedri, Gavi, Dani Olmo e companhia no mesmo time?

A resposta pode estar em duas formações.

Rodri como o novo dono da posição de volante

Desde a chegada de Flick, o Barcelona tem utilizado principalmente o 4-2-3-1. A estrutura também foi importante para a Espanha durante a campanha vitoriosa na Copa do Mundo de 2026, o que abriria uma possibilidade interessante para o treinador alemão.

Rodri poderia simplesmente assumir no Barcelona a mesma função que exerce pela seleção espanhola: a de camisa 6, responsável por dar equilíbrio ao time e funcionar como o primeiro grande ponto de apoio na construção das jogadas.

A ideia seria relativamente simples. O zagueiro recupera a bola, encontra Rodri e, a partir dali, o espanhol decide o próximo passo. Ele tem qualidade técnica para participar da saída de bola, mas não precisa abandonar sua posição para fazê-lo. É justamente essa capacidade de controlar o jogo sem perder a referência defensiva que o diferencia.

No Barcelona, isso seria especialmente importante porque Pedri teria liberdade para continuar fazendo aquilo que sabe melhor: circular pelo meio-campo, aparecer entre as linhas e ditar o ritmo das posses.

Rodri ficaria mais preso à posição, enquanto Pedri teria maior liberdade para se movimentar. E, considerando a qualidade dos dois, a ideia é capaz de deixar qualquer treinador adversário com algumas dores de cabeça.

Rodri pode mudar o papel de Frenkie de Jong

A chegada do espanhol também teria impacto direto sobre Frenkie de Jong.

O holandês é capaz de atuar como volante, mas possui características diferentes. De Jong gosta de carregar a bola, avançar pelo campo e participar mais diretamente da construção ofensiva. Rodri, por outro lado, oferece uma presença física maior nos duelos e uma capacidade de proteção à defesa que pode fazer diferença especialmente nas transições.

Esse talvez seja o principal motivo para o Barcelona enxergar o espanhol como uma contratação tão importante.

Na última temporada, um dos problemas da equipe apareceu justamente quando a posse era perdida e o adversário conseguia acelerar o contra-ataque. Ter Rodri à frente dos zagueiros não resolveria magicamente todos os problemas defensivos, mas daria ao time uma proteção que atualmente não existe no mesmo nível.

Além disso, o espanhol possui leitura de jogo para interromper ataques antes que eles se transformem em situações perigosas. Ele não precisa necessariamente fazer um carrinho cinematográfico para aparecer. Muitas vezes, basta estar no lugar certo.

Pedri e Dani Olmo completariam o meio-campo

Em um 4-2-3-1, Rodri poderia formar a dupla de meio-campo com Pedri, enquanto Dani Olmo atuaria mais adiantado, como o camisa 10.

Seria uma configuração extremamente técnica.

Rodri ficaria responsável pelo equilíbrio e pela primeira fase da construção, Pedri teria liberdade para organizar o jogo e Olmo ocuparia espaços mais próximos do ataque. Na frente, o Barcelona ainda teria um trio ofensivo de alto nível para transformar essa qualidade no meio em chances de gol.

E existe ainda um detalhe que deixa a situação ainda mais confortável para Flick: Fermín López.

O espanhol teve participação importante em diferentes momentos e também pode disputar espaço com Olmo pela posição mais avançada do meio-campo. Em outras palavras, Flick teria duas opções de enorme qualidade para uma única posição.

Problema? Só se o treinador reclamar que tem jogadores demais.

Barcelona também pode voltar ao tradicional 4-3-3

A chegada de Rodri abriria uma segunda possibilidade: o retorno mais frequente ao tradicional 4-3-3.

Flick já utilizou a formação em algumas oportunidades, especialmente quando precisou lidar com problemas físicos no elenco. O treinador alemão, portanto, não está preso a um único desenho tático. E Rodri conhece muito bem esse sistema.

Durante seus anos sob o comando de Pep Guardiola no Manchester City, o espanhol passou grande parte do tempo como o volante de um 4-3-3, tendo dois meio-campistas mais ofensivos à sua frente. A adaptação, portanto, seria praticamente natural.

Nesse cenário, Rodri seria novamente o ponto de equilíbrio. Pedri poderia atuar como um camisa 8 pela esquerda, enquanto Gavi ocuparia o outro lado. E aí aparece outro detalhe importante.

Gavi pode ganhar uma nova vida ao lado de Rodri

Gavi passou por um período complicado nos últimos anos por causa de problemas físicos e perdeu uma quantidade significativa de partidas. Aos 22 anos, porém, o Barcelona ainda acredita que ele pode reencontrar o nível que o levou a conquistar o Troféu Kopa em 2022.

Em um 4-3-3 com Rodri atrás, Gavi teria uma função na qual poderia explorar justamente suas melhores características: intensidade, agressividade na marcação, pressão e capacidade de disputar cada bola como se fosse a última.

Rodri ajudaria a dar liberdade para Gavi atacar os espaços sem deixar o Barcelona tão exposto.

Se Gavi não conseguir recuperar seu melhor nível, Flick ainda teria Fermín como alternativa. O meio-campista já desempenhou essa função durante um período da temporada 2025/26, quando De Jong e Pedri ficaram fora ao mesmo tempo.

E não para por aí. Marc Bernal também aparece como uma alternativa para o setor, enquanto De Jong poderia ser utilizado em diferentes funções dependendo da estratégia escolhida pelo treinador.

Rodri pode devolver ao Barcelona sua identidade clássica

Talvez o aspecto mais interessante da possível contratação seja justamente esse.

O Barcelona sempre teve uma relação especial com o 4-3-3 e com a figura de um volante capaz de organizar o time a partir da frente da defesa. Durante anos, Sergio Busquets foi o grande exemplo dessa função.

Desde a saída do lendário meio-campista, encontrar alguém capaz de ocupar aquele espaço com características semelhantes virou uma tarefa complicada.

Rodri não é Busquets e seria injusto tentar transformá-lo em uma cópia do antigo camisa 5. Os dois possuem estilos diferentes. Ainda assim, o espanhol reúne algumas características que fazem o Barcelona enxergá-lo como um sucessor natural em termos de função.

Ele entende o posicionamento, sabe controlar o ritmo, participa da construção e, principalmente, oferece proteção à defesa.

É exatamente o tipo de jogador que pode permitir ao Barcelona recuperar uma estrutura que ficou mais difícil de utilizar nos últimos tempos.

Barcelona elevaria absurdamente o meio-campo

Se Rodri realmente chegar, Flick não terá apenas um grande reforço. Ele ganhará a possibilidade de mudar a própria identidade do meio-campo dependendo do adversário.

Em determinados jogos, poderá apostar no 4-2-3-1 com Rodri e Pedri, deixando Olmo ou Fermín mais avançado. Em outras partidas, poderá recorrer ao 4-3-3, com Rodri como volante e Pedri e Gavi atuando como interiores.

E ainda existirão De Jong, Fermín, Marc Bernal e outras alternativas para compor o setor.

Essa profundidade é particularmente importante em uma temporada longa, com La Liga, Champions League, Copa do Rei e compromissos internacionais pelo caminho. Lesões, suspensões e desgaste inevitavelmente vão aparecer, e ter tantas opções permite que Flick não precise insistir sempre na mesma escalação.

Mais do que isso, Rodri pode resolver uma questão que vai além da qualidade individual.

O Barcelona já sabe jogar com a bola. Já possui criatividade. Já tem jogadores capazes de quebrar linhas e produzir oportunidades. O que o espanhol acrescentaria é justamente o equilíbrio entre todas essas virtudes.

Se a negociação com o Manchester City avançar e Rodri realmente vestir a camisa blaugrana, Flick terá em mãos um dos meios-campos mais profundos do futebol mundial. E, talvez pela primeira vez desde a saída de Busquets, o Barcelona poderá contar novamente com um volante de nível mundial capaz de proteger a defesa sem sacrificar a qualidade na construção.

No papel, a combinação é assustadora. Agora falta saber se o Barcelona conseguirá transformar o sonho em realidade.

Foto: Getty Images