Hulk - Fluminense
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Fluminense escancara falha de planejamento no ataque após lesão de John Kennedy

O empate entre Fluminense e Independiente Rivadavia, nesta terça-feira (11), pelas oitavas de final da Copa Libertadores, evidenciou um dos maiores problemas sofridos durante as últimas temporadas, mas que chegou ao seu ápice de críticas em 2026, com a falta de eficiência dos centroavantes. Mesmo com a contratação mais cara da história do clube, a chegada de um veterano com uma carreira consolidada e a permanência de um ídolo da torcida, o Tricolor segue sem encontrar um camisa 9 capaz de sustentar a artilharia da equipe ao longo de toda a temporada.

O cenário ficou ainda mais delicado com a grave lesão de John Kennedy, sofrida no confronto contra o Vasco, pela Copa do Brasil. O jogador, que vinha sendo a melhor entre as opções de ataque do elenco, rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito e não deve voltar este ano.

A lesão de John Kennedy escancara a carência ofensiva

A saída de John Kennedy representou um grande problema para a posição no Fluminense. Antes de se machucar, o atacante era o artilheiro do time na temporada, com 14 gols somados entre Brasileirão, Libertadores e Campeonato Carioca, além de ser o segundo jogador com mais partidas como titular no ano, atrás apenas do goleiro Fábio. Os números também mostram como sua presença em campo influenciava diretamente os resultados, pois com ele entre os titulares, o aproveitamento do Fluminense era bem superior ao registrado quando o atacante começava as partidas no banco.

Com a confirmação da lesão, que deve exigir cirurgia e um período de recuperação de seis a oito meses, o técnico argentino perde justamente o jogador que vinha dando alguma efetividade entre os centroavantes do Tricolor. Resta a Zubeldía recorrer a um trio que, até aqui, não conseguiu se firmar como alternativa confiável, formado por Rodrigo Castillo, Hulk e Germán Cano.

Investimento recorde em Rodrigo Castillo

Contratado junto ao Lanús, da Argentina, Rodrigo Castillo se tornou a contratação mais cara da história do Fluminense, com um investimento de cerca de R$ 52 milhões, podendo superar os R$ 67 milhões quando somados os custos de impostos da negociação.

O centroavante argentino, de 27 anos, chegou para ser peça central do ataque após negociações frustradas com Bouanga, que era o principal alvo do clube para o setor. O Fluminense, que necessitava de um jogador para a posição próximo do final da janela de transferências, acertou com Castillo. O atleta possui características de referência na bola aérea por ser um jogador alto, além de sua capacidade de finalização, mas ainda não conseguiu justificar o valor investido.

Assim que foi anunciado, a torcida do Fluminense depositou altas expectativas no jogador, vista a necessidade de um reforço para a posição e por se tratar da maior contratação financeira da história do clube. Rodrigo Castillo até pode ser um jogador útil na rotação do elenco e estar disponível em eventuais partidas, mas não justifica a expectativa e o preço investido pela diretoria do Tricolor Carioca. Enquanto isso, a cobrança da torcida aumenta a cada partida diante das apresentações ruins do atacante.

Hulk ainda não conseguiu mostrar a que veio

Com o problema entre os centroavantes persistindo, a chegada de Hulk ao Fluminense no meio do ano gerou grande expectativa entre os torcedores. O atacante de 40 anos, que possui uma carreira consolidada, deixou o Atlético Mineiro e assinou contrato até o fim de 2027, tornando-se o jogador mais bem pago do elenco do clube carioca, com salário mensal próximo de R$ 2 milhões, um pouco superior ao que recebia no Galo.

Apesar do currículo vitorioso e de toda a sua experiência, Hulk ainda não conseguiu reproduzir no Fluminense o futebol que o consagrou. Em campo, tem se revezado entre a titularidade e entradas no decorrer das partidas, sem conseguir se firmar como a referência ofensiva que o clube esperava.

Dentro de campo, é notório o seu esforço, porém ele não tem conseguido entregar grandes momentos. O jogador possui dificuldade em sua movimentação, visto que não vinha atuando sozinho e isolado na posição de centroavante, como exige o atual estilo de Zubeldía. Ele não está conseguindo se impor fisicamente e nem fazer o pivô. Além de tudo, Hulk também tem deixado a desejar em suas tomadas de decisão e perdeu alguns gols importantes ao longo de suas poucas partidas pelo Fluminense, chegando a ser vaiado pelos torcedores.

Germán Cano tenta recuperar o faro de gol, mas ainda é a última opção

Ídolo da torcida e artilheiro histórico das conquistas do Fluminense em 2022 e 2023, Germán Cano vive uma temporada de altos e baixos desde que passou por uma artroscopia no joelho esquerdo e, na sequência, por uma lesão muscular na coxa. O histórico camisa 14 até apresentou sinais de melhora em amistosos recentes, mas segue sendo tratado como a última alternativa entre os centroavantes disponíveis.

A queda de rendimento do argentino, aos 38 anos, contrasta com o protagonismo que teve em temporadas anteriores. Mesmo reconhecendo a concorrência mais acirrada no setor, Cano segue na briga por minutos e tenta provar que ainda pode contribuir.

Após as lesões sofridas, Germán Cano não conseguiu desempenhar o que de melhor apresentava pelo Fluminense, que eram o seu poder de finalização e o seu posicionamento para se desvencilhar da marcação. Apesar de ser adorado pela torcida, Cano dificilmente será a solução para os problemas ofensivos do Fluminense nesta reta final de temporada.

Números comprovam a fragilidade do ataque tricolor

Os dados recentes após a pausa para a Copa do Mundo reforçam a percepção de ineficiência ofensiva. Em sete jogos disputados desde o retorno do futebol brasileiro, o Fluminense soma apenas quatro gols marcados, uma média de 0,57 gol por partida, o que representa um número baixo para um time que investiu pesado no setor ofensivo.

A distribuição de gols entre os centroavantes também expõe o problema. Em sete jogos pelo Fluminense, Hulk soma apenas um gol, marcado de pênalti contra o Grêmio. Castillo, em 21 partidas, balançou as redes apenas três vezes. Por fim, Germán Cano, em 12 jogos, não conseguiu marcar gols.

Com a ausência de John Kennedy por lesão, o Fluminense corre o risco de terminar a temporada sem um camisa 9 goleador, cobrança histórica decorrente da relação direta da torcida com jogadores da posição.

O que esperar do Fluminense até o fim da temporada

Com Castillo, Hulk e Cano como opções para o comando de ataque, Zubeldía terá de decidir, jogo a jogo, qual perfil de centroavante melhor se encaixa contra cada adversário. A ausência de um nome que reuná consistência e oportunismo dentro da área ao longo da temporada deve continuar sendo o principal obstáculo para o Fluminense buscar resultados importantes.

O atual momento do clube evidencia a falha de planejamento de Mattheus Montenegro, atual presidente do clube, mostrando que o Fluminense não montou um elenco compatível com as expectativas da temporada, além de não ter feito um bom uso do caixa da instituição, o que prova que nem sempre o alto investimento financeiro se traduz em eficiência dentro de campo. Para o torcedor tricolor, resta acompanhar se algum dos três atacantes vai conseguir assumir o protagonismo de que o ataque do Fluminense tanto precisa até o fim de 2026.

Créditos da foto de capa: Lucas Merçon / Fluminense F.C.