O Los Angeles Lakers mudou de dono novamente e, desta vez, por uma cifra que parece saída de um modo carreira sem limite de orçamento. Apenas 14 meses depois de Mark Walter comprar a franquia por US$ 10 bilhões, o time de Los Angeles será vendido por US$ 12,5 bilhões para Josh Kushner e Bob Iger, ex-CEO da Disney.
O negócio, que ainda precisa ser aprovado pelo conselho de governadores da NBA, estabelece um novo recorde para a venda de uma franquia esportiva profissional. Kushner e Iger superam os US$ 9,6 bilhões pagos pelo Seattle Seahawks e deixam para trás, com bastante folga, os US$ 6,1 bilhões desembolsados pelo Boston Celtics.
A mudança acontece em um momento particularmente importante para os Lakers. Se a equipe está trocando de proprietário novamente, a quadra também passa por uma transformação significativa. LeBron James deixou Los Angeles após oito temporadas e assinou com o Philadelphia 76ers, deixando Luka Doncic como principal rosto do projeto esportivo.
Ou seja: novo dono, nova fase e um astro esloveno com uma missão nada pequena pela frente.
Quem são os novos donos dos Lakers?
Josh Kushner e Bob Iger chegam ao comando de uma das franquias mais valiosas e populares do esporte mundial. A dupla já havia demonstrado interesse em entrar no mercado esportivo de Las Vegas, onde estudava a possibilidade de adquirir uma futura franquia de expansão.
Em vez de esperar por uma nova equipe, porém, os investidores encontraram uma oportunidade muito maior em Los Angeles.
Kushner já possui experiência dentro da NBA. O empresário foi acionista minoritário do Memphis Grizzlies e também comprou uma participação inferior a 5% do Miami Heat no ano passado. Sua esposa, a modelo Karlie Kloss, também possui uma participação limitada no New York Liberty, da WNBA.
Bob Iger, por sua vez, dispensa apresentações. O executivo comandou a Disney e construiu uma das trajetórias mais conhecidas do mundo corporativo do entretenimento. Sua ligação com Los Angeles e com a indústria audiovisual também faz com que sua chegada aos Lakers tenha um peso especial.
Os dois deixaram claro que pretendem preservar a identidade da franquia e, ao mesmo tempo, recolocar os Lakers no caminho das disputas por títulos.
A declaração inicial dos novos proprietários aponta para um projeto de longo prazo, com o objetivo de manter a tradição da equipe e competir no mais alto nível.
Venda que mudou o mercado
Os números ajudam a dimensionar o tamanho do negócio.
A venda por US$ 12,5 bilhões coloca os Lakers em outro patamar quando o assunto é valor de franquias esportivas. O Seattle Seahawks aparece logo atrás, com uma venda de US$ 9,6 bilhões, enquanto Boston Celtics e Washington Commanders completam os principais negócios recentes, com US$ 6,1 bilhões e US$ 6,05 bilhões, respectivamente.
Mais impressionante ainda é a velocidade dessa valorização.
Walter comprou os Lakers por US$ 10 bilhões em 2025. Pouco mais de um ano depois, a franquia será negociada por US$ 12,5 bilhões.
Isso representa uma diferença de US$ 2,5 bilhões em apenas 14 meses.
Para o torcedor, o número pode parecer distante da realidade. Para o mercado esportivo, porém, ele reforça algo que já vinha acontecendo: as grandes franquias americanas se tornaram ativos extremamente valiosos, impulsionadas por direitos de transmissão, receitas comerciais, alcance global e pelo poder das principais marcas esportivas.
E poucas marcas têm o peso dos Lakers.
Luka Doncic agora é o centro do projeto
A mudança de proprietário também acontece em um momento de transição dentro da quadra.
Depois de oito temporadas, LeBron James deixou os Lakers e assinou com o Philadelphia 76ers. A saída encerra uma era importante em Los Angeles e aumenta ainda mais a responsabilidade sobre Luka Doncic.
O esloveno chegou aos Lakers com status de superstar e agora terá de liderar uma equipe que ainda busca reencontrar o caminho dos títulos.
Desde o último campeonato, conquistado em 2020, os Lakers venceram apenas três séries de playoffs e passaram da segunda rodada somente uma vez.
Para uma franquia acostumada a disputar títulos, isso está longe de ser suficiente.
Doncic terá a companhia de Austin Reaves e Walker Kessler, recém-chegado para reforçar o garrafão. A franquia também adicionou nomes como Quentin Grimes, Collin Sexton, Kevon Looney, Matisse Thybulle e Sandro Mamukelashvili, além de selecionar Cameron Carr no Draft de 2026.
A chegada de Kessler, em especial, exigiu um investimento pesado: os Lakers enviaram duas escolhas de primeira rodada sem proteção e duas trocas de posição futuras por ele.
A mensagem é clara: o time não quer simplesmente assistir ao auge de Doncic passar.
Problema é que o Oeste não facilita
Se os Lakers pretendem voltar a brigar pelo título, terão de superar uma Conferência Oeste cada vez mais complicada.
O Oklahoma City Thunder e o San Antonio Spurs aparecem como duas das principais forças do Oeste, enquanto Los Angeles ainda precisa resolver questões relacionadas à profundidade do elenco.
Doncic é capaz de produzir números absurdos, mas uma equipe que pretende disputar um título precisa oferecer mais do que uma superestrela.
Austin Reaves terá papel importante. Kessler precisará justificar o alto investimento. E jogadores como Sexton, Grimes, Thybulle e Looney terão de contribuir de maneira consistente.
O novo comando da franquia, portanto, chega em um momento no qual decisões esportivas serão tão importantes quanto as financeiras.
Comprar os Lakers por US$ 12,5 bilhões é uma coisa. Montar um elenco capaz de vencer o Oeste é outra bem diferente.
Magic Johnson já deu seu aval
Um dos maiores ídolos da história dos Lakers, Magic Johnson, recebeu a mudança de propriedade com entusiasmo.
O ex-jogador afirmou que Kushner e Iger são ótimos nomes para assumir a franquia e destacou principalmente a relação de Iger com os Lakers e com o basquete.
Magic também projetou que os novos proprietários podem ajudar a trazer novos campeonatos para Los Angeles.
Doncic, por sua vez, também demonstrou entusiasmo com a chegada da dupla. O astro afirmou que ser um Laker significa muito para ele e que está empolgado para trabalhar com os novos proprietários na construção de algo especial.
A declaração é importante porque mostra que a mudança não deve ser encarada apenas como uma operação financeira. O objetivo é iniciar uma nova fase esportiva.
Saída de Walter acontece em meio a investigação
A venda também acontece em um momento delicado para Mark Walter.
Além dos Lakers, o empresário é dono do Los Angeles Dodgers, do Los Angeles Sparks e de toda a PWHL. Ele também é CEO da Guggenheim Partners, empresa de investimentos e gestão de patrimônio.
Em julho, a Bloomberg informou que promotores federais de Manhattan haviam iniciado uma investigação relacionada à área de gestão de recursos da Guggenheim. A apuração envolve a forma como bilhões de dólares em empréstimos foram registrados e divulgados.
O caso também envolve o FBI e a Securities and Exchange Commission, além de duas seguradoras ligadas ao grupo.
Segundo informações publicadas pelo Wall Street Journal, a investigação começou após uma denúncia interna e envolve aproximadamente US$ 16 bilhões em empréstimos concedidos a empresas relacionadas a Walter ou ao conglomerado TWG Global.
A empresa de Walter negou irregularidades e afirmou que ele e a TWG sempre agiram de boa-fé.
A investigação, portanto, adiciona uma camada importante ao contexto da venda, embora não faça parte diretamente da operação envolvendo os Lakers.
História que começou longe de Los Angeles
Apesar de hoje serem sinônimo de Hollywood, estrelas e grandes títulos, os Lakers começaram bem longe da Califórnia.
A franquia nasceu em Detroit, em 1946, como Detroit Gems. Depois de apenas uma temporada, foi comprada por US$ 15 mil, transferida para Minneapolis e rebatizada como Lakers.
Foi em Minneapolis que a equipe conquistou seus primeiros títulos, liderada por George Mikan.
A mudança para Los Angeles aconteceu em 1960, depois que Bob Short decidiu transferir a franquia devido aos problemas financeiros e à baixa presença de público em Minneapolis.
Cinco anos depois, Jack Kent Cooke comprou os Lakers por US$ 5,175 milhões. Em 1979, a franquia foi vendida para Jerry Buss por US$ 16 milhões.
O investimento de Buss acabou se transformando em uma das maiores histórias de sucesso da NBA. Sob seu comando, os Lakers conquistaram dez campeonatos, com nomes como Magic Johnson, Shaquille O’Neal e Kobe Bryant ajudando a transformar a equipe em uma potência global.
A família Buss permaneceu no controle até 2025, quando Mark Walter comprou a franquia por US$ 10 bilhões. Agora, apenas pouco mais de um ano depois, a história ganha outro capítulo.
Nova era começa com uma cobrança antiga
A chegada de Josh Kushner e Bob Iger não muda a principal obrigação dos Lakers: vencer.
A franquia continuará carregando uma das maiores expectativas da NBA, independentemente de quem esteja sentado na cadeira de proprietário. E o momento é especialmente importante porque a equipe passa por uma transição após a saída de LeBron James.
Luka Doncic agora é o rosto do projeto, enquanto os novos donos terão de construir uma estrutura capaz de colocar o esloveno em condições de disputar títulos.
A venda por US$ 12,5 bilhões é histórica. Mas, para o torcedor dos Lakers, o número provavelmente importa muito menos do que o que acontecerá dentro da quadra.
Afinal, Los Angeles já tem dinheiro, tradição e uma das maiores marcas do esporte. O que a torcida quer de volta é aquilo que a franquia mais conhece: um time capaz de chegar ao topo da NBA.
Foto: Joe Murphy/NBAE via Getty Images



