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Botafogo ‘derrete’ psicologicamente contra o Vitória; o que precisa mudar?

O Botafogo queria deixar para trás a goleada sofrida para o Cienciano, mas a resposta em campo esteve longe do esperado. Neste domingo (16), o Glorioso perdeu por 1 a 0 para o Vitória, no Barradão, pelo Campeonato Brasileiro, e voltou ao Rio de Janeiro com ainda mais problemas para resolver. A derrota não apenas prolongou o momento ruim da equipe como aumentou a pressão sobre Franclim Carvalho, que atravessa seu período mais delicado desde que assumiu o comando do time.

A expectativa era de uma reação imediata depois do 6 a 1 sofrido em Cusco, pela ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana. Para isso, Franclim escalou uma equipe próxima da considerada titular e promoveu apenas algumas mudanças, entre elas a entrada de Lucas Monzón ao lado de Ferraresi, já que Justino estava suspenso. Mesmo assim, o Botafogo voltou a apresentar dificuldades coletivas e terminou a partida sem conseguir criar chances suficientes para buscar o empate.

O resultado ganha ainda mais peso porque acontece poucos dias depois de uma das derrotas mais duras da história recente do clube. Se a goleada para o Cienciano já havia colocado o trabalho de Franclim sob forte questionamento, o desempenho no Barradão não ofereceu argumentos suficientes para aliviar a pressão. Agora, o Botafogo chega a uma semana que pode definir boa parte dos rumos do restante de 2026.

Substituições de Franclim aumentam os questionamentos

O Botafogo até começou a partida tentando atacar mais e encontrou alguns espaços no início. O problema é que tudo mudou rapidamente. Em um contra-ataque, Matheus Martins caiu na área pedindo pênalti, mas, na sequência, o Vitória chegou ao ataque e conseguiu a penalidade que decidiu o confronto.

Renê entrou na área, passou por Ferraresi e acabou derrubado por Huguinho. Matheuzinho cobrou e colocou os donos da casa em vantagem. A partir daquele momento, o Botafogo precisava encontrar uma maneira de reagir, mas uma decisão de Franclim chamou atenção ainda no primeiro tempo: Huguinho, que já tinha cartão amarelo, foi substituído por Júnior Santos.

A mudança alterou a estrutura do meio-campo alvinegro. Com mais um jogador ofensivo, o Botafogo ficou exposto defensivamente e perdeu capacidade de associação entre meio e ataque. Domingos Andrade chegou a aquecer duas vezes, mas Franclim optou por Júnior Santos. Depois da partida, o treinador explicou que pretendia aumentar a presença ofensiva da equipe para buscar o empate.

O problema é que a estratégia não funcionou. O Botafogo passou a colocar mais atacantes em campo ao longo do segundo tempo, mas não conseguiu transformar essa presença ofensiva em chances claras. As melhores oportunidades vieram pelo alto, com Arthur Cabral e Júnior Santos, enquanto o Vitória conseguiu administrar a vantagem com relativa tranquilidade.

Derrota aumenta pressão sobre Franclim

A grande questão agora é saber até onde vai a paciência da diretoria com Franclim Carvalho. A pressão já havia aumentado consideravelmente depois da derrota para o Cienciano e, diante do Vitória, o treinador teve a oportunidade de apresentar uma resposta imediata. Não conseguiu.

É importante destacar que uma derrota por 1 a 0 fora de casa, isoladamente, não seria suficiente para colocar qualquer treinador em uma situação tão delicada. O contexto, porém, pesa muito. O Botafogo acabou de sofrer seis gols na altitude de Cusco, precisa reverter uma desvantagem praticamente impossível na Sul-Americana e, poucos dias depois, voltou a apresentar um futebol pouco produtivo.

O próprio Franclim reconheceu que a goleada para o Cienciano foi um momento muito difícil para o clube, mas evitou entrar em detalhes sobre sua situação nos bastidores. O português afirmou que o momento exige trabalho e que o time precisa manter os pés no chão. O discurso, entretanto, terá pouco peso se os resultados continuarem negativos.

A situação do treinador, portanto, pode depender muito mais da resposta na próxima quinta-feira do que da derrota para o Vitória. E é justamente aí que está o maior problema: o Botafogo não precisa apenas vencer. Precisa fazer algo que parece improvável.

Botafogo precisa de uma remontada histórica

O próximo compromisso será novamente contra o Cienciano, no Estádio Nilton Santos, pelo jogo de volta das oitavas de final da Sul-Americana. Depois de perder por 6 a 1 no Peru, o Botafogo precisa vencer por cinco gols de diferença para levar a decisão para os pênaltis. Para avançar diretamente, terá de vencer por seis ou mais.

A missão é gigantesca. O histórico da competição mostra como uma desvantagem desse tamanho é difícil de reverter. O Melgar, por exemplo, chegou perto de uma reação semelhante na Sul-Americana de 2015, quando perdeu por 5 a 0 para o Junior Barranquilla e venceu a partida de volta por 4 a 0, resultado que não foi suficiente para garantir a classificação.

Por isso, a partida de quinta-feira representa muito mais do que uma tentativa de classificação. Será também um teste definitivo para a capacidade de reação do elenco e, possivelmente, para a permanência de Franclim Carvalho. Uma grande atuação pode pelo menos recuperar parte da confiança da torcida. Uma nova frustração, por outro lado, pode acelerar mudanças no comando técnico.

Novo investidor acompanha semana decisiva

Como se a situação esportiva já não fosse suficientemente importante, o Botafogo também terá nesta semana um acontecimento relevante fora de campo. Gabriel de Alba, fundador da GDA Luma, empresa que assinou acordo vinculante para a compra da SAF do clube, chegará ao Rio de Janeiro na terça-feira (18).

A expectativa é que o empresário mexicano conheça mais de perto a estrutura do Botafogo, passando pelo escritório no Nilton Santos e pelo centro de treinamento, no Espaço Lonier. Na quinta-feira, De Alba deverá acompanhar no estádio a partida contra o Cienciano.

A presença do novo investidor adiciona mais um elemento a uma semana já cercada de expectativa. O Botafogo terá de lidar simultaneamente com uma situação esportiva extremamente complicada, a pressão sobre o treinador e o início de uma nova etapa nos bastidores da SAF.

Por enquanto, o cenário é de alerta máximo. A derrota para o Vitória mostrou que o Botafogo ainda não conseguiu reagir à goleada sofrida em Cusco. Franclim continua pressionado, a Sul-Americana exige uma remontada histórica e o clube recebe um novo investidor justamente em meio a uma das semanas mais turbulentas da temporada.

Na quinta-feira, o Botafogo terá a chance de mudar esse ambiente. A missão é praticamente impossível, mas a necessidade de apresentar uma resposta é absolutamente real.

Foto: Vitor Silva/Botafogo