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Corinthians sente falta de opções ofensivas e preço por briga com Memphis já está sendo pago

O Corinthians deixou a Neo Química Arena derrotado pelo Cruzeiro, mas a atuação apresentada neste domingo (16) não foi suficiente para apagar uma constatação que vem ganhando força no elenco: Fernando Diniz ainda tem poucas alternativas ofensivas capazes de manter o nível da equipe quando os titulares deixam o campo. Na derrota por 2 a 1, o Timão criou oportunidades, controlou boa parte da partida e mostrou organização, mas perdeu força justamente quando precisou recorrer ao banco de reservas.

A situação fica ainda mais evidente porque o Corinthians chegou ao confronto depois de uma viagem para Rosario, na Argentina, onde enfrentou o Rosario Central pela Libertadores. Mesmo com apenas um dia de descanso e treinamento, Diniz colocou em campo uma equipe praticamente titular e conseguiu fazer o time competir. O problema apareceu na reta final, quando as substituições reduziram a qualidade ofensiva e o Cruzeiro passou a encontrar mais espaços.

Pedro Raul teve uma oportunidade pelo alto, Kaio César também finalizou e Rodrigo Garro acertou a trave no primeiro tempo. O Corinthians tinha condições de abrir o placar, mas não foi eficiente. Depois do empate de Gustavo Henrique, em um belo voleio, a equipe perdeu intensidade e acabou sofrendo o segundo gol em um contra-ataque. A derrota expôs uma fragilidade que pode ser especialmente perigosa justamente agora.

Corinthians cria, mas não consegue matar os jogos

A partida contra o Cruzeiro mostrou que o problema do Corinthians não está necessariamente na capacidade de construir oportunidades. O time teve bons momentos, controlou o jogo durante boa parte do primeiro tempo e conseguiu chegar ao gol adversário com frequência. Faltou, porém, o jogador capaz de transformar esse volume em vantagem.

Rodrigo Garro foi novamente um dos principais responsáveis pela criação. O argentino acertou a trave no primeiro tempo e participou das principais ações ofensivas da equipe. No segundo, cobrou a falta que terminou no gol de Gustavo Henrique. Mesmo assim, a produção ofensiva não foi suficiente para garantir os três pontos.

Pedro Raul, por sua vez, teve participação mais discreta. O atacante continua sendo uma alternativa para a posição de centroavante, mas ainda não apresenta a regularidade necessária para ser tratado como solução definitiva. Quando o Corinthians precisa de alguém para decidir uma partida, a equipe ainda depende muito de Garro e de algumas peças específicas.

Esse problema se torna maior quando o time precisa fazer alterações. Contra o Cruzeiro, Fernando Diniz recorreu a reservas que atualmente estão abaixo do nível dos titulares. O adversário, por outro lado, também fez mudanças, mas conseguiu colocar jogadores como Gerson, Matheus Pereira e Arroyo em campo. A diferença de qualidade nas substituições acabou pesando.

A falta de Memphis aumenta o peso sobre o elenco

É justamente nesse ponto que a situação envolvendo Memphis Depay ganha ainda mais importância. O Corinthians reabriu recentemente as negociações para tentar renovar o contrato do holandês, depois de ter anunciado que havia retirado a proposta. O novo movimento mostra que o clube ainda considera importante encontrar um acordo para manter o camisa 10.

Memphis teria demonstrado disposição para flexibilizar as condições de pagamento. A diretoria, por sua vez, busca reduzir cerca de R$ 30 milhões do valor total do contrato, estimado em R$ 157 milhões, incluindo uma dívida de aproximadamente R$ 42 milhões referente ao vínculo anterior.

O problema é que a negociação deixou marcas dentro do clube. A decisão de retirar a proposta havia provocado uma forte reação interna, e a posterior reabertura das conversas aumentou novamente a tensão política no Parque São Jorge. Segundo o ge, aliados do presidente Osmar Stabile ficaram insatisfeitos por não terem sido informados previamente sobre a mudança de postura.

Para Fernando Diniz, a situação também tem impacto esportivo. O treinador teria ficado decepcionado quando o Corinthians anunciou a retirada da proposta, já que a renovação era tratada como encaminhada dentro do planejamento. E agora o time demonstra em campo por que a permanência de um jogador do nível de Memphis faria diferença.

SÃO PAULO (SP), 30/07/2025 – CORINTHIANS X PALMEIRAS/COPA/DO/BRASIL/2025 – Memphis Depay comemorando seu gol, durante a partida entre Corinthians e Palmeiras, na Neo Química Arena, zona leste de SP, pela Copa do Brasil, nessa quarta-feira(30). (Foto: Alex Miranda/Ato Press/Folhapress)

Corinthians paga o preço pela falta de alternativas

A discussão, entretanto, não deveria ser resumida à ideia de que o Corinthians precisa simplesmente renovar com Memphis. O problema é mais amplo. Um elenco que pretende disputar Brasileirão e Libertadores precisa ter alternativas capazes de manter o padrão quando os principais jogadores não estiverem disponíveis.

Contra o Cruzeiro, essa diferença ficou clara. Enquanto o Corinthians começou com uma equipe forte e apresentou bom futebol, perdeu qualidade conforme as substituições aconteceram. O Cruzeiro também mexeu no time, mas conseguiu colocar jogadores de impacto e mudou o cenário da partida.

O segundo gol do Cruzeiro simboliza essa situação. Aos 36 minutos do segundo tempo, Garro recebeu dentro da área, não conseguiu finalizar e caiu no gramado. Na sequência, os mineiros aceleraram o contra-ataque e chegaram ao gol com Wanderson. O lance mostrou como o Corinthians ficou dependente de determinadas individualidades para produzir ofensivamente.

Isso é especialmente preocupante às vésperas de um confronto decisivo. Na quinta-feira, o Corinthians recebe o Rosario Central pela volta das oitavas de final da Libertadores. Depois do empate por 0 a 0 na Argentina, o Timão precisa vencer para avançar às quartas de final.

Diniz precisa encontrar soluções antes da decisão

A boa notícia para Fernando Diniz é que a atuação contra o Cruzeiro mostrou que o Corinthians tem condições de competir. O problema é que, na Libertadores, competir pode não ser suficiente. Em um confronto eliminatório, uma oportunidade desperdiçada pode fazer toda a diferença.

O time precisa transformar o bom volume ofensivo apresentado na Neo Química Arena em gols. Garro continua sendo peça fundamental na criação, mas não pode ser a única fonte de criatividade. Pedro Raul, Kaio César e os demais jogadores do setor ofensivo precisarão entregar mais para que o Corinthians não fique previsível.

A partida de quinta-feira também servirá para medir o impacto real da ausência de Memphis. Caso o holandês permaneça fora dos planos, Diniz terá de encontrar soluções dentro do elenco para compensar a perda de uma peça importante. E o problema não é apenas a ausência de um jogador individualmente, mas a falta de profundidade para substituir características que o elenco atual não reproduz com facilidade.

Por isso, a discussão sobre Memphis ganhou uma dimensão ainda maior. A briga contratual e política já gerou desgaste nos bastidores, mas o Corinthians começa a sentir também o impacto esportivo de não ter o atacante à disposição. O time consegue jogar bem, cria chances e compete, mas falta poder de decisão.

O Corinthians ainda tem tempo para mudar esse cenário, e a oportunidade já está marcada: quinta-feira, na Neo Química Arena, contra o Rosario Central. Se repetir a atuação apresentada diante do Cruzeiro e for mais eficiente, poderá avançar na Libertadores. Caso desperdice novamente as chances criadas, a falta de opções ofensivas e a ausência de Memphis voltarão inevitavelmente ao centro da discussão.

Foto: Marco Buenavista/Getty Images