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Automobilismo Fórmula 1

A segunda chance de Lawson: por que o retorno à Red Bull pode mudar seu futuro?

Liam Lawson está prestes a viver uma situação inédita na história da Red Bull na Fórmula 1. Depois de ser rebaixado pela equipe principal em 2025, o neozelandês foi chamado novamente para defender a escuderia no GP da Holanda, substituindo temporariamente Isack Hadjar, que ficará fora da etapa após se lesionar durante as férias de verão.

O retorno é curto e acontece em circunstâncias pouco convencionais, mas representa uma oportunidade enorme para Lawson. Há pouco mais de um ano, ele havia perdido seu lugar na Red Bull depois de apenas duas corridas. Agora, volta ao carro justamente porque a equipe decidiu confiar nele em um momento de necessidade.

E a diferença entre as duas situações é importante: Lawson não retorna à Red Bull como o mesmo piloto que saiu.

De grande aposta a rebaixamento em apenas duas corridas

No início de 2025, Lawson vivia o melhor momento de sua carreira. Depois de duas passagens consistentes pela Racing Bulls, ele venceu a disputa interna com Yuki Tsunoda e recebeu a oportunidade de ocupar o segundo carro da Red Bull ao lado de Max Verstappen.

A expectativa era enorme. Lawson havia demonstrado velocidade e capacidade de adaptação nas oportunidades anteriores, e a equipe acreditava que ele poderia finalmente ser a solução para um dos lugares mais difíceis do grid. A experiência, porém, durou apenas duas etapas.

Depois de um começo complicado, a Red Bull decidiu trocar Lawson por Tsunoda pelo restante da temporada. Para um piloto que havia acabado de receber a maior oportunidade de sua carreira, o golpe foi enorme. O neozelandês precisou reconstruir sua confiança longe da equipe principal e foi  esse processo que tornou seu retorno possível.

A reconstrução de Lawson

Depois do rebaixamento, Lawson conseguiu recuperar consistência e confiança na Racing Bulls. Em vez de deixar a pressão da Red Bull definir sua temporada, passou a construir resultados novamente. O trabalho ganhou ainda mais importância porque, para continuar dentro da estrutura da Red Bull, ele precisava provar que o episódio de 2025 havia sido uma exceção e não uma demonstração de que ele não estava preparado para a categoria principal.

Em 2026, os resultados começaram a aparecer. Lawson se estabeleceu como um dos pilotos mais competitivos fora das quatro principais equipes e chegou às férias de verão em uma sequência de seis resultados nos pontos nas últimas sete corridas. Foi essa evolução que o colocou novamente no radar da equipe principal.

Quando a Red Bull precisou de um substituto para Hadjar em Zandvoort, Lawson apareceu como a escolha natural. Dessa vez, porém, a situação é completamente diferente.

Ele não chega carregando a expectativa de provar imediatamente que merece ser companheiro de Verstappen durante uma temporada inteira. Chega para disputar uma única etapa, com pouquíssimo tempo de preparação e sem sequer ter pilotado o Red Bull de 2026. Isso reduz consideravelmente a pressão.

Menos cobrança pode ser justamente o que Lawson precisa

O principal desafio será técnico. Os carros de 2026 são completamente diferentes das máquinas que Lawson conheceu anteriormente, graças à profunda mudança nos regulamentos de chassi e de unidades de potência. O piloto terá de entender rapidamente o comportamento do carro, os sistemas de energia e a maneira como a Red Bull administra sua unidade de potência durante uma volta.

Além disso, ele estará entrando em um carro que não conhece em um circuito onde não terá uma preparação convencional. Por isso, esperar um grande resultado de imediato seria injusto.

E talvez essa seja justamente a melhor notícia para Lawson. Na Racing Bulls, ele conseguiu dirigir com muito mais liberdade ao longo da temporada. Em Zandvoort, poderá adotar uma abordagem semelhante: aprender rapidamente, executar seu trabalho e aproveitar a oportunidade sem carregar a obrigação de vencer.

A Red Bull também não é exatamente a mesma equipe que Lawson deixou. Laurent Mekies assumiu o comando e é alguém que Lawson já conhece. O carro, embora não tenha sido uma máquina dominante em 2026, também apresenta características diferentes das do problemático Red Bull de 2025. A própria temporada de Hadjar mostrou que o carro pode ser conduzido de maneira competitiva.

O verdadeiro objetivo de Lawson está além de Zandvoort

Por isso, o resultado mais importante para Lawson talvez nem seja o número de pontos que ele conseguir marcar na Holanda. O verdadeiro objetivo é mostrar que a evolução vista na Racing Bulls pode ser transferida para um ambiente de maior pressão.

Se ele conseguir executar um fim de semana sólido, trabalhar bem com os engenheiros e mostrar velocidade suficiente diante de uma referência como Verstappen, sua posição dentro da estrutura da Red Bull pode mudar. Uma boa atuação também pode aumentar suas chances de permanecer na Racing Bulls em 2027.

Isso está longe de ser garantido. Seu companheiro de equipe, Arvid Lindblad, também vem impressionando, enquanto Nikola Tsolov, líder do campeonato de Fórmula 2 e integrante do programa de jovens pilotos da Red Bull, aguarda uma oportunidade. Lawson, portanto, não está apenas tentando aproveitar uma chance na Red Bull. Ele também está disputando, indiretamente, seu próprio futuro dentro da organização.

Tsunoda também recebe uma oportunidade inesperada

A movimentação ainda cria uma segunda história. Com Lawson subindo para a Red Bull, Yuki Tsunoda retorna ao grid para substituir o neozelandês na Racing Bulls. Para o japonês, a oportunidade chega em um momento importante.

Tsunoda passou 2026 em uma função de reserva dentro da Red Bull e da Racing Bulls e vinha tentando encontrar um caminho de volta a um assento titular para a próxima temporada. Agora ele terá novamente um carro de Fórmula 1 para mostrar serviço. Assim como Lawson, Tsunoda não terá uma tarefa fácil. Ele não pilotou um carro de 2026 regularmente e terá de se adaptar rapidamente à nova geração de máquinas.

Mas, nesse caso, a experiência prévia com a Racing Bulls pode ajudá-lo. Para Tsunoda, o resultado também será menos importante do que a maneira como ele conduzirá o fim de semana. Um desempenho sólido, sem erros e com boa adaptação pode recolocá-lo na conversa por uma vaga em 2027.

Uma oportunidade que Lawson não poderia imaginar

O retorno de Lawson é significativo justamente porque a Red Bull quase nunca oferece uma segunda chance desse tipo. Historicamente, quando um piloto é retirado da equipe principal, dificilmente existe caminho de volta. Lawson agora se torna uma exceção.

E isso diz bastante sobre o trabalho que ele realizou desde aquele momento. Ele não apagou o que aconteceu em 2025. Em vez disso, respondeu da maneira mais importante possível para um piloto: melhorando na pista.

Zandvoort, portanto, não precisa ser uma corrida em que Lawson prove que merece uma vaga permanente ao lado de Verstappen. Precisa ser uma corrida em que ele mostre o quanto mudou desde a última vez que esteve naquele carro. Se conseguir fazer isso, mesmo que o resultado final não seja extraordinário, Lawson poderá sair da Holanda em uma posição muito melhor do que aquela em que entrou.

A oportunidade pode durar apenas um fim de semana. Mas, para um piloto que há pouco mais de um ano parecia ter perdido definitivamente seu espaço na Red Bull, ela pode representar o começo de um novo capítulo.

Foto: (Reproducão/ XPBImages)