O Atlético-MG está classificado, e em um confronto eliminatório isso sempre será o principal. O Galo eliminou o Bragantino nas oitavas de final da Copa Sul-Americana depois de vencer o jogo de ida por 1 a 0 e empatar por 2 a 2, na Arena MRV. O roteiro, porém, foi daqueles que fizeram o torcedor alvinegro passar por todos os tipos de emoção até o apito final.
Foi uma classificação com a cara do antigo “Galo Doido”. Um time que não teve controle do jogo, sofreu mais do que deveria, viu o adversário estar perto de mudar completamente a história da eliminatória e, quando tudo parecia caminhar para os pênaltis, encontrou um gol no último ato para sobreviver. Cuello marcou o gol que garantiu a vaga nas quartas de final e levou a Arena MRV à explosão.
Mas existe uma diferença importante entre uma classificação heroica e um sinal de que tudo está bem. O próprio Eduardo Domínguez reconheceu isso após a partida. O Atlético-MG mostrou capacidade para lutar até o fim, uma característica valiosa em jogos de mata-mata, mas também apresentou problemas que podem custar caro. Se a entrega e a crença foram suficientes para eliminar o Bragantino, será que apenas isso bastará para manter o Galo vivo nas três competições?
Atlético revive espírito copeiro, mas Bragantino dominou o primeiro tempo
Eduardo Domínguez apostou praticamente na base do time que considera titular e manteve sua ideia de jogo. Reinier foi utilizado na vaga de Cassierra, mas o desenho não funcionou da maneira esperada no início. Precisando buscar o resultado depois da derrota no jogo de ida, o Bragantino assumiu o controle da partida e empurrou o Atlético para trás.
O Galo teve enormes dificuldades para sair jogando e praticamente não conseguiu ficar com a bola. O problema não era apenas técnico. Faltava vencer os duelos e as segundas bolas, algo que o próprio Domínguez destacou depois do confronto. Sem recuperar a posse e sem encontrar linhas de passe, o Atlético assistiu ao adversário controlar o ritmo.
Nesse cenário, Everson foi fundamental. O goleiro fez defesas importantes e evitou que o Bragantino abrisse uma vantagem ainda maior antes do intervalo. O gol de Eric Ramires acabou saindo e igualou a disputa no placar agregado, mas o Atlético poderia ter chegado ao vestiário em situação muito mais complicada. Se o Galo seguiu vivo no confronto durante seu pior momento, muito se deve ao desempenho do goleiro.
A reação mostra força mental, mas o controle voltou a escapar
O Atlético voltou para o segundo tempo sem alterações, mas com uma postura diferente. A equipe passou a competir mais no meio-campo, venceu duelos e conseguiu respirar. Não foi uma transformação completa em termos técnicos, mas foi suficiente para mudar a dinâmica da partida e devolver ao Galo a possibilidade de jogar no campo adversário.
A resposta veio na bola parada. Após cobrança de escanteio, Maycon aproveitou a sobra na entrada da área e acertou um bonito chute para marcar. O gol devolveu a vantagem ao Atlético e, por alguns minutos, deu a impressão de que a equipe conseguiria administrar o confronto com maior tranquilidade.
Só que essa tranquilidade durou pouco. O Bragantino voltou a marcar, desta vez com Sasha, e recolocou o jogo em um cenário de tensão absoluta. O Atlético caiu novamente de rendimento e teve dificuldades para controlar a posse e impedir as investidas do adversário. O roteiro parecia caminhar para os pênaltis, até que o futebol resolveu entregar mais um capítulo de loucura.
O gol de Cuello salva o Galo, mas Everson e Domínguez deixam alertas
Lucas Barbosa teve uma grande oportunidade para mudar a eliminatória, mas não conseguiu aproveitar. Na sequência do lance, o Bragantino perdeu a bola no meio-campo, o Atlético acelerou e Cuello apareceu para marcar o gol que definiu a classificação. Em poucos instantes, o que poderia ser frustração virou festa.
Esse é o tipo de lance que ajuda a construir campanhas de mata-mata. Times campeões nem sempre jogam bem. Muitas vezes sobrevivem em jogos nos quais são inferiores, contam com grandes atuações individuais e aproveitam o momento decisivo para matar o confronto. O Atlético mostrou exatamente essa capacidade contra o Bragantino: não desistiu e acreditou até o último minuto.
O problema é que o próprio treinador sabe que não é possível depender desse roteiro sempre. Domínguez foi bastante claro ao afirmar que, jogando daquela maneira, será difícil continuar na competição. O técnico reconheceu que o time praticamente não atacou no primeiro tempo, teve problemas para defender e precisou melhorar muito.
Estar em três competições é uma conquista, mas também aumenta o risco
O Atlético-MG vive um momento interessante da temporada. A equipe está nas três competições, o que demonstra força e regularidade ao longo do ano. Porém, quanto mais o calendário avança, mais difícil se torna manter o nível físico e mental. O próprio Domínguez citou o desgaste dos jogadores como um dos desafios do momento.
A chegada de Fred também foi mencionada pelo treinador ao falar sobre concentração. Domínguez fez questão de dizer que o novo reforço não tem culpa pelo desempenho, mas reconheceu que o clube precisa manter o foco e evitar distrações. Em uma fase decisiva da temporada, qualquer ruído pode ganhar proporções maiores.
Antes de conhecer o adversário das quartas de final da Sul-Americana, o Atlético precisa voltar suas atenções para o Campeonato Brasileiro. No sábado, o desafio será contra o Internacional, no Beira-Rio. E a sequência não permite muito tempo para comemorações ou análises prolongadas.
O Atlético reviveu diante do Bragantino aquele espírito copeiro que tantas vezes marcou sua história. Foi caótico, sofrido e decidido no último lance. O “Galo Doido” está vivo, e em mata-mata isso pode ser uma arma poderosa. Mas sobreviver uma vez é diferente de sobreviver uma temporada inteira. Para continuar brigando nas três frentes, o Atlético precisará manter a alma competitiva mostrada na Arena MRV, mas acrescentar algo que faltou contra o Bragantino: futebol.
Foto: Pedro Souza / Atlético



