João Pedro é o novo camisa 9 do Chelsea. A mudança na numeração do elenco para a nova temporada colocou o atacante brasileiro diante de um desafio que vai muito além de marcar gols: tentar encerrar a famosa “maldição” da camisa 9 dos Blues.
Ao longo dos últimos anos, diversos atacantes de renome vestiram o número no Stamford Bridge e enfrentaram dificuldades para repetir o desempenho apresentado antes de chegar ao clube. Alguns tiveram passagens apenas discretas, enquanto outros protagonizaram fracassos que ajudaram a alimentar uma das maiores superstições da história recente do Chelsea.
O último jogador a sofrer com o peso da camisa foi Liam Delap. Há cerca de 12 meses, o atacante afirmava não se preocupar com a reputação do número 9. No entanto, após uma temporada decepcionante, Delap perdeu a numeração e passou a treinar separado do elenco principal comandado por Xabi Alonso.
João Pedro é o novo camisa 9 do Chelsea
Diferentemente de outras tentativas para acabar com a suposta maldição, o Chelsea não precisou buscar um novo atacante ou realizar uma grande contratação. O clube decidiu entregar a camisa 9 a um jogador que já demonstrou sua capacidade dentro da própria equipe.
João Pedro assumiu o número após uma temporada de destaque. O brasileiro marcou 23 gols e distribuiu nove assistências em 53 partidas durante a temporada 2025-26, quando ainda utilizava a camisa 20.
O desempenho fez com que o atacante se consolidasse como principal opção para o comando de ataque do Chelsea. Agora, com a camisa 9, João Pedro terá a oportunidade de continuar o crescimento e, ao mesmo tempo, mudar a história de um número que se tornou um problema para diversos jogadores no clube.
A expectativa aumentou ainda mais após a pré-temporada. Segundo o texto-base, João Pedro marcou sete gols e deu uma assistência em cinco jogos, números que indicam um início animador antes dos compromissos oficiais.
A história da camisa 9 do Chelsea
A situação nem sempre foi problemática. Jimmy Floyd Hasselbaink foi um dos grandes exemplos de sucesso com a camisa 9 do Chelsea. Contratado em 2000 como uma das principais apostas ofensivas do clube, o atacante disputou 177 partidas e marcou 87 gols utilizando o número.
O cenário começou a mudar com Mateja Kežman. O sérvio chegou ao Chelsea após números impressionantes pelo PSV, onde havia marcado 129 gols em 176 jogos. No Stamford Bridge, porém, o rendimento foi completamente diferente: foram apenas sete gols em 41 partidas.
Hernán Crespo também teve uma passagem razoável com a camisa 9, marcando 25 gols em 73 jogos pelo Chelsea. No entanto, o argentino deixou o clube por questões pessoais, e os problemas com a numeração se tornaram cada vez mais evidentes nos anos seguintes.
A situação chegou a um ponto curioso quando Khalid Boulahrouz, um defensor, recebeu a camisa 9. Depois, Steve Sidwell, meio-campista reserva, também utilizou o número. O jogador chegou a afirmar que a escolha fazia parte de uma tentativa de José Mourinho de criticar a diretoria pela ausência de uma contratação de peso para o ataque.
Fernando Torres e outros craques aumentaram a “maldição”
O Chelsea também entregou a camisa 9 ao jovem Franco Di Santo, mas o atacante não estava pronto para assumir tamanho protagonismo e sequer marcou um gol pela equipe principal antes de perder a numeração.
Foi em 2011, porém, que a suposta maldição ganhou ainda mais força. Fernando Torres chegou do Liverpool como um dos melhores atacantes do futebol mundial e já havia demonstrado sua capacidade na Premier League. No Chelsea, entretanto, o espanhol ficou muito distante de sua melhor versão.
Torres marcou 45 gols em 172 partidas pelos Blues. Embora tenha conquistado títulos importantes, seu rendimento individual ficou abaixo das enormes expectativas criadas em torno de sua transferência e da camisa 9.
Depois dele, outros nomes importantes também não conseguiram brilhar como esperado. Radamel Falcao marcou apenas uma vez em 12 partidas, enquanto Gonzalo Higuaín fez cinco gols em 18 jogos.
Álvaro Morata também enfrentou dificuldades e terminou sua passagem com 24 gols em 72 partidas. Tammy Abraham até ameaçou mudar a história do número, com 30 gols em 82 jogos, mas acabou perdendo espaço no elenco sob o comando de Thomas Tuchel.
Lukaku e Delap foram outras vítimas do número
Na tentativa de finalmente encontrar um grande camisa 9, o Chelsea apostou novamente em Romelu Lukaku. O belga retornou ao Stamford Bridge após marcar 30 gols pela Inter de Milão, em uma transferência que custou cerca de 135 milhões de dólares.
A segunda passagem de Lukaku pelo Chelsea, porém, também ficou marcada por problemas. Apenas quatro meses após retornar, o atacante criticou publicamente Thomas Tuchel e manifestou o desejo de voltar ao futebol italiano. O jogador não conseguiu recuperar sua melhor forma no clube e deixou a equipe sem corresponder às expectativas.
Pierre-Emerick Aubameyang também vestiu a camisa 9, mas teve uma passagem curta e pouco produtiva. Depois de sua saída, o número ficou sem dono durante uma temporada antes de ser entregue a Liam Delap.
O atacante foi mais um a não conseguir sucesso com a numeração. Em 47 partidas, Delap marcou apenas três gols pelo Chelsea e perdeu espaço no elenco.
Por que João Pedro pode acabar com a maldição da camisa 9
João Pedro chega à camisa 9 em uma situação diferente dos outros jogadores. A maioria dos atacantes que assumiu o número nos últimos anos chegou ao Chelsea cercada de expectativas e com a missão de provar que conseguiria liderar o ataque no Stamford Bridge.
O brasileiro já passou por essa etapa. Antes mesmo de receber a nova numeração, João Pedro demonstrou que pode ser decisivo pelo Chelsea. Seus 23 gols e nove assistências em 53 jogos na temporada passada o colocaram como uma das principais referências ofensivas do elenco.
Além disso, o atacante assumirá a camisa 9 como titular consolidado, e não como uma aposta. João Pedro já conhece o clube, o ambiente e a responsabilidade de ser o principal nome do ataque dos Blues.
Ainda existe uma dúvida em relação ao trabalho de Xabi Alonso, novo treinador do Chelsea. João Pedro já apresentou um grande desempenho sob outros comandos, mas a nova temporada será o verdadeiro teste para saber como ele renderá no sistema do técnico espanhol.
A pré-temporada, no entanto, deixou sinais positivos. Com sete gols e uma assistência em cinco partidas, João Pedro mostrou que está pronto para iniciar a temporada em alta.
Se conseguir manter um desempenho próximo ao que apresentou na última temporada, o brasileiro pode não apenas se tornar uma das principais referências do Chelsea, mas também colocar um ponto final em uma história que já dura décadas. A camisa 9 terá mais uma tentativa de sucesso — e João Pedro parece chegar mais preparado do que muitos de seus antecessores.
Foto: Alberto PIZZOLI / AFP



