O Grêmio decidiu seguir por um caminho pouco comum no futebol brasileiro. Mesmo com Luís Castro pressionado pelos resultados e com a equipe longe de apresentar uma campanha convincente, a diretoria opta por preservar o treinador e atacar o problema por outro lado: o elenco.
A escolha chama atenção justamente pelo contexto. Em 44 jogos à frente do time, o português soma 17 vitórias, 13 empates e 14 derrotas, com 53,03% de aproveitamento. São 62 gols marcados e 47 sofridos.
Os números, por si só, não justificariam uma tranquilidade absoluta para o treinador. Ainda assim, o Grêmio entende que uma reformulação no grupo pode ser mais importante neste momento do que uma nova troca no comando.
Vaga no limite na Copa do Brasil deu sobrevida ao português
A classificação para as quartas de final da Copa do Brasil acabou funcionando como um importante ponto de sustentação para Luís Castro.
O avanço, porém, esteve longe de ser convincente. Depois de empatar fora de casa, o Grêmio venceu o Mirassol por apenas 1 a 0 na Arena, em uma partida que permaneceu aberta até os minutos finais.
O Mirassol chegou a balançar as redes no fim do confronto, mas o gol foi anulado. A situação poderia ter mudado completamente o ambiente no clube caso o adversário tivesse confirmado o empate e levado a decisão adiante.
Assim, embora a classificação tenha dado um argumento para a diretoria manter o trabalho, não se tratou de uma atuação que tenha eliminado as dúvidas sobre o treinador.
Sul-Americana e Brasileirão aumentam pressão
Se a Copa do Brasil trouxe um pouco de alívio, as outras competições apresentam um cenário muito menos favorável para Luís Castro.
Na Copa Sul-Americana, o Grêmio terminou apenas na segunda colocação de um grupo que tinha Montevideo City Torque, do Uruguai, Deportivo Riestra, da Argentina, e Palestino, do Chile.
A equipe precisou disputar os playoffs e acabou eliminada pelo Bolívar. E não foi uma eliminação qualquer: o Grêmio perdeu os dois confrontos, incluindo uma derrota dentro da Arena, em Porto Alegre.
No Brasileirão, situação ainda preocupa
O Campeonato Brasileiro talvez seja o principal motivo para a pressão sobre o trabalho. O Grêmio já passou por diferentes momentos dentro da zona de rebaixamento e, atualmente, ocupa a 15ª colocação, com 25 pontos em 22 partidas.
A campanha é de seis vitórias, sete empates e nove derrotas. O desempenho deixa o Tricolor somente dois pontos à frente do Mirassol, que abre a zona de rebaixamento. Ou seja, apesar da classificação na Copa do Brasil, o cenário geral ainda está longe de ser confortável.
A resposta do Grêmio está no elenco
É justamente neste ponto que a postura da diretoria ganha contornos diferentes do habitual. Em vez de promover mais uma mudança no comando técnico, o Grêmio vem alterando a composição do elenco. Arthur, Willian, André Henrique e Viery deixaram o clube recentemente. O próximo será Monsalve, fora dos planos do europeu.
Antes deles, outros nomes importantes também saíram, como Cristaldo, Cuéllar e Aravena.
A lógica da direção
A movimentação indica que o clube acredita que Luís Castro pode apresentar uma resposta melhor caso tenha à disposição um grupo considerado mais adequado para o seu trabalho. A estratégia, portanto, é preservar o treinador e modificar as peças ao redor dele.
A decisão pode funcionar caso a reformulação consiga elevar o nível do time e afastar o Grêmio da parte de baixo da tabela.
Por outro lado, se os resultados continuarem ruins, a diretoria terá cada vez menos argumentos para sustentar a escolha. Afinal, ao apostar na permanência do português e promover uma reformulação no elenco, o clube também assume responsabilidade pela estratégia.
No futebol brasileiro, quando os resultados não aparecem, normalmente o treinador é o primeiro a pagar a conta. O Grêmio, neste momento, decidiu inverter essa lógica.
Foto: Lucas Uebel/Grêmio/Divulgação



