Walter Kannemann, Atlético-MG x Grêmio, Brasileirão 2026. Foto: Gilson Lobo/AGIF
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Grêmio volta a mostrar que briga da equipe é contra o rebaixamento, mas eles são piores do que seus rivais?

A vitória sobre o São Paulo poderia ter criado a sensação de que o Grêmio finalmente havia encontrado um caminho para se afastar da parte de baixo da tabela. Foram duas vitórias consecutivas, algo que não acontecia desde o início da campanha, e o time de Luís Castro parecia começar a dar sinais de reação. Bastou, porém, o Imortal sair novamente de Porto Alegre para o cenário mudar.

A derrota por 3 a 0 para o Atlético-MG, na Arena MRV, devolveu o Grêmio à realidade de uma temporada marcada pela irregularidade. Mas, não somente isso que preocupa: é também a maneira como a equipe voltou a se comportar longe de casa: pouco agressiva, com dificuldades para controlar o jogo e praticamente sem capacidade de reação quando o adversário assumiu o controle.

Com 25 pontos, o Grêmio ocupa a 15ª colocação e está somente dois pontos à frente do Internacional, primeiro time dentro da zona de rebaixamento. A situação ainda está longe de estar definida, mas a pergunta começa a ganhar força: o Grêmio é realmente pior do que seus rivais na luta contra o rebaixamento?

A resposta não é tão simples. O Tricolor não necessariamente tem o pior elenco entre os times que estão próximos do Z-4, mas seu desempenho recente oferece motivos suficientes para preocupação. Afinal, em uma competição de 38 rodadas, consistência costuma ser tão importante quanto qualidade. E é justamente isso que tem faltado ao Grêmio.

O problema que não muda: jogar fora de casa

Atlético-MG x Grêmio, Brasileirão 2026. Foto: Lucas Uebel/Grêmio.
Atlético-MG x Grêmio, Brasileirão 2026. Foto: Lucas Uebel/Grêmio.

 

Se existe uma estatística capaz de resumir a campanha do Grêmio, é a dificuldade para vencer longe de Porto Alegre. Contra o Atlético-MG, o Imortal Tricolor chegou à 11ª partida sem vitória como visitante no Brasileirão. A equipe ainda não conseguiu conquistar três pontos fora de casa na competição.

Não se trata apenas de um número ruim, é um problema estrutural. É praticamente impossível construir uma campanha tranquila dependendo quase exclusivamente dos resultados como mandante. E o calendário já começa a cobrar essa deficiência: depois de ser goleado pelo Atlético-MG, o Grêmio terá justamente mais um compromisso fora de casa, contra o RB Bragantino, no próximo domingo (23).

A equipe já chegou a frequentar a zona de rebaixamento durante a competição, quando os resultados da 21ª rodada empurraram o clube para a 17ª posição. A saída do Z-4, porém, não significou que o problema havia sido solucionado. A distância para a zona continua curta e qualquer sequência negativa pode recolocar o Tricolor entre os quatro últimos. É isso que torna a derrota em Belo Horizonte ainda mais preocupante.

O 3 a 0 não conta toda a história, mas expõe um velho problema

Atlético-MG x Grêmio, Brasileirão. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA.
Atlético-MG x Grêmio, Brasileirão. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA.

 

O placar pode passar a impressão de que o Atlético-MG dominou o Grêmio durante os 90 minutos, mas a partida não foi exatamente assim. O Tricolor teve seus momentos, criou algumas oportunidades e chegou a esboçar uma reação no segundo tempo.

A diferença esteve na eficiência. O Atlético aproveitou melhor os espaços e, quando encontrou o caminho para o gol, não demorou para transformar uma partida equilibrada em uma vitória confortável. Victor Hugo abriu o placar, enquanto Cuello marcou duas vezes na etapa final para completar a goleada.

O segundo tempo, principalmente, resume a diferença entre as equipes. Quando o Atlético acelerou, encontrou espaços e matou o jogo. O Grêmio, por outro lado, não conseguiu produzir uma resposta proporcional e voltou a demonstrar uma dificuldade que já apareceu diversas vezes na temporada: quando precisa sair do seu plano inicial, o time encontra poucos caminhos para reagir.

É justamente aí que a derrota ganha um peso maior. Não foi simplesmente perder para um Atlético-MG que chegou a nove partidas consecutivas sem derrota e alcançou 32 pontos. Foi perder novamente de uma maneira que reforça uma tendência que acompanha o Grêmio há meses.

Mas o Grêmio é pior que os rivais?

O Grêmio está ameaçado, mas a briga contra o rebaixamento está longe de ser definida. A diferença de pontos entre os clubes que ocupam a parte inferior da tabela é pequena, e duas ou três rodadas podem alterar completamente o cenário.

Por isso, afirmar que o Tricolor é simplesmente “o pior” seria precipitado. O elenco possui jogadores capazes de decidir partidas, e a equipe já mostrou que consegue competir em determinados contextos. As duas vitórias consecutivas antes da derrota para o Atlético-MG são uma prova disso.

O problema é que o piso de desempenho do Grêmio parece baixo demais. Quando o time funciona, consegue competir. Quando precisa sair de sua zona de conforto, entretanto, algumas de suas principais virtudes desaparecem. E isso é especialmente perigoso em uma disputa contra o rebaixamento.

Os adversários diretos não precisam necessariamente ser melhores durante toda a competição. Precisam apenas ser mais consistentes nos momentos em que os pontos estão em jogo.

O Santos, por exemplo, conseguiu respirar na rodada ao derrotar o Vasco por 3 a 0 e deixar a zona de rebaixamento, empurrando o Internacional para a 17ª posição. O movimento mostra como a tabela pode mudar rapidamente: Hoje, o Grêmio está fora do Z-4, mas basta apenas uma rodada ruim e eles estarão novamente lá.

Luís Castro ainda tem crédito, mas o tempo começa a ficar curto

A situação também coloca pressão sobre Luís Castro. Mesmo depois da goleada sofrida em Belo Horizonte, a direção bancou publicamente a permanência do português. O vice-presidente de futebol Eduardo Pelaipe demonstrou confiança no treinador e afirmou que os resultados ainda podem aparecer até o fim da temporada.

A decisão faz sentido caso a intenção seja dar continuidade ao trabalho. O problema é que existe uma contradição inevitável: o Grêmio precisa de estabilidade para reagir, mas também precisa começar a vencer imediatamente.

São apenas dois pontos de vantagem para o Z-4, nenhuma vitória fora de casa no Brasileirão e um novo compromisso longe da Arena já na próxima rodada.

Ao mesmo tempo, o clube precisa dividir sua atenção com a Copa do Brasil, competição na qual terá o Gre-Nal pelas quartas de final. O torneio oferece ao Tricolor a possibilidade de uma campanha importante e, principalmente, uma fonte de esperança para o torcedor. O Brasileirão, por outro lado, exige regularidade e pode transformar qualquer tropeço em uma crise ainda maior. Por isso, a margem para esperar uma reação começa a diminuir.

O Grêmio não precisa ser o pior, precisa parar de parecer um candidato

Talvez essa seja a principal conclusão depois da derrota para o Atlético-MG. O Grêmio não é necessariamente o pior elenco entre os clubes que estão próximos da zona de rebaixamento. Também não está condenado à queda. A distância para os adversários é curta e ainda há muitos pontos em disputa.

Mas o Tricolor está apresentando características de uma equipe que pode permanecer nessa briga até as últimas rodadas.

A falta de vitórias fora de casa é o principal exemplo. A irregularidade é outro. E a goleada para o Atlético-MG mostrou novamente que, quando o jogo exige uma resposta mais forte, o Grêmio tem dificuldade para encontrá-la.

Ainda existe tempo para mudar esse cenário. São 15 rodadas pela frente e 45 pontos em disputa. O clube também reforçou o elenco com Danilo Barbosa, em uma tentativa de dar mais opções defensivas, justamente durante esse momento delicado.

Mas o tempo para transformar potencial em resultado está diminuindo. O Grêmio precisa começar a pontuar fora de casa, principalmente diante de adversários que também estão próximos da parte inferior da tabela. Mais do que isso, precisa encontrar uma forma de manter o nível de atuação quando as partidas saem do roteiro planejado.

Porque, neste momento, a discussão já não é sobre Libertadores, Sul-Americana ou uma eventual campanha histórica na Copa do Brasil. O Brasileirão colocou o Tricolor diante de uma realidade muito mais simples: primeiro, é preciso garantir que a temporada não termine em uma luta contra o rebaixamento. E, depois do 3 a 0 para o Atlético-MG, essa possibilidade deixou de ser uma preocupação distante.

Créditos da foto de capa: Gilson Lobo/AGIF