Pavón - Grêmio
Futebol Brasileirão

Grêmio acha em nomes improváveis a segurança que precisava para voltar a ser competitivo

O Grêmio ainda precisa evoluir para deixar definitivamente a parte de baixo da tabela, mas encontrou uma base capaz de devolver competitividade ao time. Com a vitória de virada sobre o São Paulo, por 2 a 1, a equipe chegou aos 25 pontos e terminou o sábado provisoriamente fora da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.

O resultado também confirmou uma mudança importante no ambiente. Após passar sete partidas sem vencer, o Tricolor acumulou dois triunfos na mesma semana, avançou às quartas de final da Copa do Brasil e voltou a respirar no Brasileirão.

Neste momento de recuperação, os principais destaques não são necessariamente as peças mais conhecidas ou badaladas do elenco. Diego Caito, Wallace e Cristian Pavón assumiram funções importantes e ajudaram Luís Castro a encontrar a segurança que buscava há semanas.

Reforços discretos mudaram a estrutura do Grêmio

Contratados durante a janela do meio do ano, Caito e Wallace chegaram ao Grêmio como apostas. O lateral-direito de 22 anos veio do Goiás, enquanto o zagueiro de 21 foi buscado no CRB. Em pouco tempo, ambos conquistaram espaço em um time que precisava urgentemente de novas soluções.

Caito começou a deixar uma boa impressão logo na estreia. Contra o Fluminense, saiu do banco durante o segundo tempo e marcou, aos 43 minutos, o gol que evitou uma derrota na Arena. Desde então, ganhou espaço e se estabeleceu entre os titulares. A entrada do lateral trouxe mais equilíbrio para o lado direito, além de provocar outra mudança positiva. Durante boa parte da temporada, Pavón precisou atuar improvisado no setor. O argentino disputou mais de 20 partidas na função, ajudando na marcação, mas ficando mais distante da posição na qual consegue oferecer suas principais características.

Com Caito assumindo o corredor, Pavón pôde retornar ao ataque. Dessa forma, a contratação resolveu duas questões ao mesmo tempo. Luís Castro encontrou um lateral capaz de cumprir a função de origem e recuperou uma alternativa ofensiva que parecia cada vez mais desgastada.

Enquanto isso, Wallace também aproveitou rapidamente a oportunidade. Depois de estrear oficialmente no empate com o Mirassol, na partida de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, o zagueiro foi mantido entre os titulares e apresentou segurança em uma posição que vinha causando preocupação.

Mesmo atuando pelo lado esquerdo da defesa, Wallace não sentiu o peso do momento enfrentado pela equipe. Após ajudar o Grêmio a segurar a vantagem na vitória por 1 a 0 sobre o Mirassol, o defensor teve outra atuação importante diante do São Paulo. Desta vez, além da segurança, o zagueiro marcou de cabeça o gol de empate no começo do segundo tempo.

Neste cenário, com Caito e Wallace, Luís Castro encontrou duas peças que dão mais estabilidade ao sistema defensivo. Somando a presença de três volantes, o treinador montou uma equipe mais protegida, preparada para disputar jogos equilibrados e sofrer menos com as próprias fragilidades.

O desempenho ainda está longe de ser dominante, é verdade. Contra Mirassol e São Paulo, o Grêmio passou por dificuldades e precisou resistir em determinados momentos. Porém, depois de tantas partidas nas quais qualquer erro parecia suficiente para provocar uma derrota, o time voltou a encontrar meios de permanecer vivo até o final.

Pavón transforma vaias em gols decisivos pelo Grêmio

Enquanto os reforços conquistam espaço, Pavón protagoniza a maior volta por cima desse momento. Contratado para atuar com destaque no setor ofensivo do Imortal, o argentino nunca conseguiu se firmar como o Grêmio esperava. As atuações irregulares, a baixa participação em gols e os erros em momentos importantes fizeram com que o jogador se tornasse um dos principais alvos da torcida.

Em março, Pavón chegou ao 50º jogo sem marcar pelo clube, o que ilustrava bem o momento ruim vivido pelo atleta. Antes disso, o jogador já havia perdido espaço em sua posição de origem e passado a ser utilizado na lateral direita. Sob o comando de Luís Castro, Pavón disputou mais de 20 partidas no setor, mesmo sem ter as características naturais de um defensor. Esse caminho ajuda a explicar o quanto o argentino esteve perdido dentro do elenco. 

Sem conseguir entregar o esperado no ataque, Pavón precisou encontrar outra maneira de continuar sendo útil. Porém, apesar da fase ruim, o argentino aceitou atuar fora de posição, aumentou sua participação defensiva e nunca deixou de demonstrar disposição para cumprir o que era pedido pelo treinador.

Em alguns momentos, o esforço inclusive permitiu que as vaias fossem substituídas por aplausos. Porém, mesmo após partidas melhores na lateral, Pavón continuou sendo criticado. O argentino ainda cometia erros técnicos e não conseguia apresentar uma sequência capaz de mudar definitivamente a opinião da torcida.

A chegada de Diego Caito permitiu que o Grêmio deixasse de depender de uma improvisação no setor. Com um lateral-direito de origem entre os titulares, Pavón retornou ao ataque. Assim, depois de passar boa parte da temporada tentando ajudar onde era necessário, o jogador voltou a ocupar uma posição na qual poderia ser mais decisivo.

Neste cenário, a classificação contra o Mirassol resumiu bem sua trajetória. Pavón foi muito vaiado durante o primeiro tempo na Arena, principalmente após erros em passes e cruzamentos. Porém, aos 36 minutos, cobrou uma falta com precisão e marcou o gol que colocou o Grêmio nas quartas de final da Copa do Brasil. Poucos dias depois, o argentino voltou a assumir o protagonismo. Diante do São Paulo, realizou uma partida de muita entrega, ajudou na recomposição e participou mais das jogadas ofensivas. Aos 40 minutos do segundo tempo, o atleta cobrou outra falta, aproveitou a abertura da barreira e garantiu a virada por 2 a 1.

Assim, em uma semana, o jogador que parecia não ter mais futuro na Arena decidiu duas partidas fundamentais. Primeiro, o argentino evitou uma eliminação que aumentaria consideravelmente a pressão sobre Luís Castro. Depois, marcou o gol que permitiu ao Grêmio deixar provisoriamente o Z-4.

A recuperação de Pavón também passa por sua disposição para continuar tentando enquanto não encontrava uma função clara no time. O rendimento nem sempre correspondeu, e as críticas não surgiram por acaso. Porém, mesmo deslocado para uma posição diferente e pressionado pela torcida, o argentino nunca deixou de se colocar à disposição. Agora, novamente no ataque, começou a transformar todo esse esforço em resultados. E para o Grêmio, isso pode ser crucial.

Em meio a uma temporada com muitos problemas, o Imortal parece ter encontrado justamente em nomes improváveis as peças que precisava para voltar a competir. 

Créditos da foto de capa: Divulgação/Lucas Uebel/Grêmio.